Agricultores manifestam-se no Porto
Aproveitando o encontro dos 27 ministros da agricultura da UE, que decorria no edifício da Alfandega, no Porto, milhares de agricultores manifestaram-se, segunda-feira, para exigir uma outra Política Agrícola Comum (PAC).
Esta é uma política que apenas visa proteger os grandes latifundiários
«Queremos dizer aos ministros da PAC que as coisas não estão bem e que é preciso uma outra política que apoie quem trabalhe a terra», lembrou, no início, um agricultor, falando para os outros milhares que se encontravam junto ao Jardim João Chagas.
Organizado pela Confederação Nacional de Agricultura (CNA), Coordenadora Agrícola Europeia (CPE) e Coordenadora das Organizações de Agricultores e Criadores de Gado (COAG), de Espanha, este protesto teve como objectivo reclamar mais apoios para a agricultura familiar e protestar contra a reforma da Organização Comum do Mercado (OMC) do vinho.
«Trás-os-Montes quer um mundo rural vivo», «Produção vitivinícola é fundamental para a economia nacional», «A PAC é a ruína do Douro», «Liberalizacion de plantaciones = Ruína para los viticultores», «O Douro diz não a esta OMC do vinho», «Não ao encerramento do interior», «Agricultores também são filhos da nação», eram apenas algumas das mensagens e avisos que os agricultores traziam para os ministros da União Europeia.
«Temos como exigência o desenvolvimento rural, mais adaptado à nossa realidade, porque 95 por cento dos agricultores portugueses são do tipo familiar e apenas 1600 vão receber a grande fatia dos dinheiros da Europa. Isto é uma injustiça e vai agravar os erros políticos seguidos até aqui», afirmou Roberto Mileu. Ao Avante!, o dirigente da CNA prometeu que os agricultores não vão baixar os braços «enquanto não forem corrigidas as más políticas de desenvolvimento rural».
Política sem princípios
Este protesto contou com a solidariedade de uma delegação do PCP, composta, entre outros, por Ilda Figueiredo, deputada no Parlamento Europeu, Honório Novo, deputado na Assembleia da República, Sérgio Teixeira, membro da Comissão Política, e Teresa Lopes, responsável pela Organização do Porto.
«Estamos aqui em solidariedade com os agricultores num momento muito difícil da agricultura portuguesa», afirmou Ilda Figueiredo, lembrando que a OMC do vinho pretende «por em causa os pequenos agricultores, a nossa produção, em benefício da agro-indústria e das grandes empresas do comércio do vinho no plano europeu e mundial, pondo em causa a cultura tradicional da vinha e do vinho e, portanto, uma parte fundamental da nossa agricultura».
Estão ainda em «cima da mesa» outras propostas lesivas para os agricultores portugueses. «A própria Comissão Europeia quer rever a PAC e insistir em propostas que desligam os apoios da produção. Estas medidas terão repercussões negativas na falta de apoio à agricultura familiar, aos nossos pequenos e médios agricultores, que são a base fundamental da agricultura do nosso País e que tem especial importância aqui no Norte», acrescentou.
A euro-deputada manifestou-se ainda muito preocupada com a região do Douro. «Estamos contra as propostas, como as que estão contidas na OCM do vinho, que pretendem acabar com a destilação de álcool de boca. Agora vão dar dinheiro para arrancar a vinha e a partir de 2013 querem liberalizar as plantações e acabar com o direito de plantação», alertou Ilda Figueiredo, acentuando que «esta é uma política sem princípios, inadmissível, que apenas visa proteger os grandes latifundiários e a grande agro-indústria».
«Estão a enterrar os agricultores vivos»
Antes do desfile que saiu do Jardim João Chagas, junto à Torre dos Clérigos, até ao edifício da Alfandega, onde se encontravam reunidos os ministros da agricultura da União Europeia, num pequeno palco montado para a ocasião, os dirigentes e agricultores alertaram para os principais problemas da agricultura portuguesa.
«Em Portugal até precisamos que nos paguem o que nos devem», lamentou um dirigente da confederação, acusando o Governo português de estar a dever à CNA um milhão e 500 mil euros. «Querem arruinar a CNA como estão a arruinar a agricultura familiar», denunciou.
Um outro manifestou-se contra o aumento da taxa da segurança social para os pequenos e médios agricultores. «Alguém aqui está de acordo com esta medida quando nem dinheiro temos para pagar a segurança social?», interrogou.
Segui-se um agricultor da Guarda. «É preciso ter em conta que estão a enterrar os agricultores vivos e eu prefiro morrer de pé como as árvores», afirmou, recordando que em Portugal existem dois milhões de portugueses a viver abaixo do limiar da pobreza e 400 mil pessoas a passar fome.
«Porque o problema é político, somos nós que temos que mudar esta situação», avisou, lembrando que «o século passado foi de conquistas, com suor e lágrimas, e este é de perdas. Assim não vamos a lado nenhum.»
Para que esta situação mude, acrescentou uma outra agricultora, a dona Salete, «temos que manter uma luta constante para poder vencer».
Agricultores reclamam:
# Escoamento, a melhores preços à produção, para vinho, fruta, hortícolas, carne, leite e madeira;
# O pagamento das dívidas do Estado/Governo à lavoura e à CNA;
# Apoios especiais à floresta não industrial e aos baldios com respeito pelos direitos da população;
# Um Programa de Desenvolvimento Rural (2007-2013), com ajudas melhor distribuídas para apoiar as explorações agrícolas familiares e o mundo rural;
# Baixa dos custos das contribuições mensais para a Segurança Social;
# Governo não deve encerrar as escolas, os centros de saúde, as urgências, as zonas agrárias e outros serviços públicos;
# Não às reformas das Organizações Comuns de Mercado do vinho e das frutas – hortícolas;
# Outra Política Agrícola Comum, com outras e melhores políticas agro-rurais, para melhor apoiar a agricultura familiar e o mundo rural.
Organizado pela Confederação Nacional de Agricultura (CNA), Coordenadora Agrícola Europeia (CPE) e Coordenadora das Organizações de Agricultores e Criadores de Gado (COAG), de Espanha, este protesto teve como objectivo reclamar mais apoios para a agricultura familiar e protestar contra a reforma da Organização Comum do Mercado (OMC) do vinho.
«Trás-os-Montes quer um mundo rural vivo», «Produção vitivinícola é fundamental para a economia nacional», «A PAC é a ruína do Douro», «Liberalizacion de plantaciones = Ruína para los viticultores», «O Douro diz não a esta OMC do vinho», «Não ao encerramento do interior», «Agricultores também são filhos da nação», eram apenas algumas das mensagens e avisos que os agricultores traziam para os ministros da União Europeia.
«Temos como exigência o desenvolvimento rural, mais adaptado à nossa realidade, porque 95 por cento dos agricultores portugueses são do tipo familiar e apenas 1600 vão receber a grande fatia dos dinheiros da Europa. Isto é uma injustiça e vai agravar os erros políticos seguidos até aqui», afirmou Roberto Mileu. Ao Avante!, o dirigente da CNA prometeu que os agricultores não vão baixar os braços «enquanto não forem corrigidas as más políticas de desenvolvimento rural».
Política sem princípios
Este protesto contou com a solidariedade de uma delegação do PCP, composta, entre outros, por Ilda Figueiredo, deputada no Parlamento Europeu, Honório Novo, deputado na Assembleia da República, Sérgio Teixeira, membro da Comissão Política, e Teresa Lopes, responsável pela Organização do Porto.
«Estamos aqui em solidariedade com os agricultores num momento muito difícil da agricultura portuguesa», afirmou Ilda Figueiredo, lembrando que a OMC do vinho pretende «por em causa os pequenos agricultores, a nossa produção, em benefício da agro-indústria e das grandes empresas do comércio do vinho no plano europeu e mundial, pondo em causa a cultura tradicional da vinha e do vinho e, portanto, uma parte fundamental da nossa agricultura».
Estão ainda em «cima da mesa» outras propostas lesivas para os agricultores portugueses. «A própria Comissão Europeia quer rever a PAC e insistir em propostas que desligam os apoios da produção. Estas medidas terão repercussões negativas na falta de apoio à agricultura familiar, aos nossos pequenos e médios agricultores, que são a base fundamental da agricultura do nosso País e que tem especial importância aqui no Norte», acrescentou.
A euro-deputada manifestou-se ainda muito preocupada com a região do Douro. «Estamos contra as propostas, como as que estão contidas na OCM do vinho, que pretendem acabar com a destilação de álcool de boca. Agora vão dar dinheiro para arrancar a vinha e a partir de 2013 querem liberalizar as plantações e acabar com o direito de plantação», alertou Ilda Figueiredo, acentuando que «esta é uma política sem princípios, inadmissível, que apenas visa proteger os grandes latifundiários e a grande agro-indústria».
«Estão a enterrar os agricultores vivos»
Antes do desfile que saiu do Jardim João Chagas, junto à Torre dos Clérigos, até ao edifício da Alfandega, onde se encontravam reunidos os ministros da agricultura da União Europeia, num pequeno palco montado para a ocasião, os dirigentes e agricultores alertaram para os principais problemas da agricultura portuguesa.
«Em Portugal até precisamos que nos paguem o que nos devem», lamentou um dirigente da confederação, acusando o Governo português de estar a dever à CNA um milhão e 500 mil euros. «Querem arruinar a CNA como estão a arruinar a agricultura familiar», denunciou.
Um outro manifestou-se contra o aumento da taxa da segurança social para os pequenos e médios agricultores. «Alguém aqui está de acordo com esta medida quando nem dinheiro temos para pagar a segurança social?», interrogou.
Segui-se um agricultor da Guarda. «É preciso ter em conta que estão a enterrar os agricultores vivos e eu prefiro morrer de pé como as árvores», afirmou, recordando que em Portugal existem dois milhões de portugueses a viver abaixo do limiar da pobreza e 400 mil pessoas a passar fome.
«Porque o problema é político, somos nós que temos que mudar esta situação», avisou, lembrando que «o século passado foi de conquistas, com suor e lágrimas, e este é de perdas. Assim não vamos a lado nenhum.»
Para que esta situação mude, acrescentou uma outra agricultora, a dona Salete, «temos que manter uma luta constante para poder vencer».
Agricultores reclamam:
# Escoamento, a melhores preços à produção, para vinho, fruta, hortícolas, carne, leite e madeira;
# O pagamento das dívidas do Estado/Governo à lavoura e à CNA;
# Apoios especiais à floresta não industrial e aos baldios com respeito pelos direitos da população;
# Um Programa de Desenvolvimento Rural (2007-2013), com ajudas melhor distribuídas para apoiar as explorações agrícolas familiares e o mundo rural;
# Baixa dos custos das contribuições mensais para a Segurança Social;
# Governo não deve encerrar as escolas, os centros de saúde, as urgências, as zonas agrárias e outros serviços públicos;
# Não às reformas das Organizações Comuns de Mercado do vinho e das frutas – hortícolas;
# Outra Política Agrícola Comum, com outras e melhores políticas agro-rurais, para melhor apoiar a agricultura familiar e o mundo rural.