Romeu e Julieta
A noite de sexta-feira no palco «25 de Abril» inclui, além da Cantata Outubro, duas obras de compositores russos dedicadas ao mesmo tema: Romeu e Julieta, seguramente uma das mais versadas narrativas do imaginário europeu, com expressões na música, no teatro, na literatura, na poesia, no cinema.
Só a paixão muito portuguesa de Pedro e Inês de Castro talvez com eles rivalize, mas se é verdade que a versão definitiva dessa hoje nossa memória surge com a peça de Shakespeare (1597), ela tem raízes bem mais antigas: há autores que a atribuem às Metamorfoses de Ovídio, seguindo-se um sem número de variantes de vário âmbito e qualidade, mas que, ao longo de séculos, não deixaram de manter acesa esse infindo e humano enlace do amor e da morte.
No que se refere à música, é sem dúvida após Shakespeare que o tema entra no universo dos compositores, talvez com primazia para Bellini em 1830. Mas é o inquestionável apaixonado Tchaikowsky que, em 1869 e com êxito devastador, coloca musicalmente Capuletos e Montechios em cena musical. Dessa peça fez o autor diversas variações e é uma delas que ouviremos em primeiro lugar no concerto de sexta-feira, especialmente adequada, por um lado, exactamente à abertura de um concerto sinfónico e, por outro, com uma sonoridade eslava que é um abrir de cena ao modernismo igualmente eslavo da Cantata de Prokofiev.
A encerar o concerto dessa noite, um curioso apontamento: o Prokofiev das grandes massas orquestrais, o Prokofief apaixonado pela sonoridade ruidosa da História que renasce em Outubro de 1917, também ele foi sensível a entretecer notas e sons sobre essa paixão que acaba em dois corpos enlaçados apenas pelo seu irresistível amor.
Só a paixão muito portuguesa de Pedro e Inês de Castro talvez com eles rivalize, mas se é verdade que a versão definitiva dessa hoje nossa memória surge com a peça de Shakespeare (1597), ela tem raízes bem mais antigas: há autores que a atribuem às Metamorfoses de Ovídio, seguindo-se um sem número de variantes de vário âmbito e qualidade, mas que, ao longo de séculos, não deixaram de manter acesa esse infindo e humano enlace do amor e da morte.
No que se refere à música, é sem dúvida após Shakespeare que o tema entra no universo dos compositores, talvez com primazia para Bellini em 1830. Mas é o inquestionável apaixonado Tchaikowsky que, em 1869 e com êxito devastador, coloca musicalmente Capuletos e Montechios em cena musical. Dessa peça fez o autor diversas variações e é uma delas que ouviremos em primeiro lugar no concerto de sexta-feira, especialmente adequada, por um lado, exactamente à abertura de um concerto sinfónico e, por outro, com uma sonoridade eslava que é um abrir de cena ao modernismo igualmente eslavo da Cantata de Prokofiev.
A encerar o concerto dessa noite, um curioso apontamento: o Prokofiev das grandes massas orquestrais, o Prokofief apaixonado pela sonoridade ruidosa da História que renasce em Outubro de 1917, também ele foi sensível a entretecer notas e sons sobre essa paixão que acaba em dois corpos enlaçados apenas pelo seu irresistível amor.