Russos e sérvios unem esforços
Sérvia e Rússia estão contra o estatuto do Kosovo proposto pela ONU e consideram que tal projecto representa um novo factor de desestabilização na região.
Putin defende que os países do Sudoeste europeu devem assegurar condições de acesso aos recursos energéticos
Reagindo ao alargamento do prazo de discussão da proposta de estatuto do Kosovo apresentada pelo mediador das Nações Unidas, Marty Athisaari, Boris Tadic reiterou a posição de Belgrado sobre a matéria e deixou claro que a Sérvia nunca aceitará a declaração de independência do Kosovo, província que representa cerca de 15 por cento do território do país e é administrada pela ONU desde os bombardeamentos contra a ex-Jugoslávia, em 1999.
Tadic considera ainda que a pretensão da «comunidade internacional» viola a resolução 1244, onde se reconhece a integridade territorial da Sérvia e, em consequência, representa um novo factor de desestabilização da região.
EUA, UE e o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, são os mais acérrimos defensores da separação do Kosovo da administração sérvia, mas em face da irredutível oposição russa à declaração unilateral de soberania, decidiram, a meio da semana passada, prorrogar o período de negociações por mais 120 dias.
Se ao fim de quatro meses o governo de Belgrado e os representantes albano-kosovares não estabelecerem uma plataforma de entendimento, europeus e norte-americanos ameaçam avançar para a votação do projecto no Conselho de Segurança (CS) das Nações Unidas.
Neste contexto, manter-se-iam os molde do documento redigido por Athisaari, o qual prevê, por exemplo, a continuidade do contingente militar da NATO, actualmente constituído por cerca de 16 mil homens de diversas nacionalidades. Moscovo deverá, caso tal se verifique, manter o veto ao texto que consigna uma independência tutelada, impedindo a tomada de uma posição unânime por parte dos membros permanentes do CS.
Em alternativa ao Plano Athisaari, Boris Tadic coloca como hipótese o aprofundamento da autonomia do Kosovo numa base «criativa» e mostra-se disponível para se sentar à mesa com o executivo de Prístina e o grupo de mediadores.
Favorável à posição sérvia, a Rússia acusa Bruxelas e Washington de manipulação da questão kosovar.
No final do encontro com o representante diplomático da Sérvia em Moscovo, o número dois das Relações Exteriores do Kremlin, Vladimir Titov, reafirmou que a solução para o problema não passa pela imposição mas pela conjugação de posições no que ao Kosovo diz respeito.
Energia no centro da mesa
Entretanto, Zagreb recebeu o primeiro Fórum Energético dos Balcãs, encontro que reuniu à mesma mesa ex-republicas jugoslavas, a Bulgária, a Rússia e representantes da Comunidade Europeia e da Organização de Países Exportadores de Petróleo (OPEP).
Na reunião, o presidente russo, Vladimir Putin, defendeu que os países do Sudoeste do velho continente devem assegurar condições favoráveis de acesso aos recursos energéticos, propondo um reforço da cooperação daquele bloco de países com a Rússia, o segundo exportador mundial de petróleo e o primeiro de gás natural.
Putin levou à a capital da Croácia uma escala de pontos muito concretos que passam pelo estabelecimento de uma rede de rotas seguras de transporte de hidrocarbonetos – donde se destaca a ampliação da malha já existente na Albânia, Sul da Sérvia e Kosovo –, a construção de depósitos de armazenamento e o reforço dos investimentos russos em parcerias, entre as quais se inclui a possibilidade de construção de centrais nucleares. A companhia petrolífera russa Lukoil já investiu nestes projectos mais de 1,5 mil milhões de dólares.
No conjunto, em 2006, as empresas russas do sector da energia forneceram mais de 73 mil milhões de metros cúbicos de gás e quase 60 milhões de toneladas de petróleo às nações balcânicas e da Europa Oriental. O crescimento dos interesses energéticos de Moscovo na região contribui decisivamente para a crispação de posições com os EUA e a UE.
Tadic considera ainda que a pretensão da «comunidade internacional» viola a resolução 1244, onde se reconhece a integridade territorial da Sérvia e, em consequência, representa um novo factor de desestabilização da região.
EUA, UE e o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, são os mais acérrimos defensores da separação do Kosovo da administração sérvia, mas em face da irredutível oposição russa à declaração unilateral de soberania, decidiram, a meio da semana passada, prorrogar o período de negociações por mais 120 dias.
Se ao fim de quatro meses o governo de Belgrado e os representantes albano-kosovares não estabelecerem uma plataforma de entendimento, europeus e norte-americanos ameaçam avançar para a votação do projecto no Conselho de Segurança (CS) das Nações Unidas.
Neste contexto, manter-se-iam os molde do documento redigido por Athisaari, o qual prevê, por exemplo, a continuidade do contingente militar da NATO, actualmente constituído por cerca de 16 mil homens de diversas nacionalidades. Moscovo deverá, caso tal se verifique, manter o veto ao texto que consigna uma independência tutelada, impedindo a tomada de uma posição unânime por parte dos membros permanentes do CS.
Em alternativa ao Plano Athisaari, Boris Tadic coloca como hipótese o aprofundamento da autonomia do Kosovo numa base «criativa» e mostra-se disponível para se sentar à mesa com o executivo de Prístina e o grupo de mediadores.
Favorável à posição sérvia, a Rússia acusa Bruxelas e Washington de manipulação da questão kosovar.
No final do encontro com o representante diplomático da Sérvia em Moscovo, o número dois das Relações Exteriores do Kremlin, Vladimir Titov, reafirmou que a solução para o problema não passa pela imposição mas pela conjugação de posições no que ao Kosovo diz respeito.
Energia no centro da mesa
Entretanto, Zagreb recebeu o primeiro Fórum Energético dos Balcãs, encontro que reuniu à mesma mesa ex-republicas jugoslavas, a Bulgária, a Rússia e representantes da Comunidade Europeia e da Organização de Países Exportadores de Petróleo (OPEP).
Na reunião, o presidente russo, Vladimir Putin, defendeu que os países do Sudoeste do velho continente devem assegurar condições favoráveis de acesso aos recursos energéticos, propondo um reforço da cooperação daquele bloco de países com a Rússia, o segundo exportador mundial de petróleo e o primeiro de gás natural.
Putin levou à a capital da Croácia uma escala de pontos muito concretos que passam pelo estabelecimento de uma rede de rotas seguras de transporte de hidrocarbonetos – donde se destaca a ampliação da malha já existente na Albânia, Sul da Sérvia e Kosovo –, a construção de depósitos de armazenamento e o reforço dos investimentos russos em parcerias, entre as quais se inclui a possibilidade de construção de centrais nucleares. A companhia petrolífera russa Lukoil já investiu nestes projectos mais de 1,5 mil milhões de dólares.
No conjunto, em 2006, as empresas russas do sector da energia forneceram mais de 73 mil milhões de metros cúbicos de gás e quase 60 milhões de toneladas de petróleo às nações balcânicas e da Europa Oriental. O crescimento dos interesses energéticos de Moscovo na região contribui decisivamente para a crispação de posições com os EUA e a UE.