Mais de um milhão nas ruas de Izmir

Gigantesco protesto na Turquia

Mais de um milhão de pessoas juntou-se em Izmir para defender a república, a laicidade do Estado e protestar contra o governo de direita. Em Julho realizam-se legislativas no país.

Nenhum dos partidos do sistema é alternativa, dizem os comunistas turcos

Depois dos gigantescos protestos ocorridos a 14 e 27 de Abril, em Ancara, capital administrativa, e Istambul, secular metrópole do país, e da impressionante mobilização popular em torno das comemorações do 1.º de Maio – proibido e violentamente reprimido pelas autoridades policiais e pelo exército, forças que, de acordo com relatos citados por agências, para além de bloquearem a esmagadora maioria dos autocarros que pretendiam chegar a Istambul para os festejos do Dia do Trabalhador, obrigaram as pessoas a sair dos veículos e lançaram gás lacrimogéneo para dentro dos transportes quando estas se recusavam a obedecer às ordens – o povo turco voltou a tomar as ruas de assalto para se manifestar a favor da separação entre os órgão representativos do poder político e a religião e por melhores condições de vida.
Domingo, em Izmir, terceira cidade da Turquia, mais de um milhão de pessoas respondeu ao apelo em defesa da república fundada por Mustafá Kemal Attatürk. A gigantesca concentração assumiu ainda maior significado porque horas antes, junto ao mercado abastecedor do bairro de Bornova, explodiu uma bomba matando uma pessoa e ferindo outras 14, algumas com gravidade.
Entretanto, o Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP), ao qual está afecto o executivo liderado pelo primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan, conseguiu com o acordo do Partido Democrático convocar eleições legislativas para o próximo dia 22 do mês de Julho.
A par do adiantamento da votação, o AKP garantiu um pacote de alterações constitucionais, entre as quais a eleição do chefe de Estado por sufrágio universal, a redução dos mandatos presidencial e governativo de sete para cinco anos e de cinco para quatro anos, respectivamente, e a possibilidade do presidente eleito voltar a cumprir um segundo mandato.
Da parte da oposição institucional, a hora também é de tocar a rebate e congregar projectos. Na sequência dos últimos desenvolvimentos do processo político em curso, os partidos Republicano do Povo e Democrático de Esquerda anunciaram a confluência de forças para as legislativas que se aproximam.

Direita leva vantagem

No quadro da realização de eleições antecipadas, o AKP parece levar vantagem sobre os restantes partidos de direita já representados no parlamento de Ancara. De acordo com os dados publicados pelo diário Turkish Daily News, citados pela Prensa Latina, a formação política actualmente no governo obterá um resultado entre os 30 e os 41 por cento, resultado que, a confirmar a projecção mais optimista, asseguraria a maioria absoluta no hemiciclo. Em ambas as sondagens nem o Partido Democrata nem o Partido Republicano do Povo conseguem destronar o AKP da liderança do executivo, facto que reforça a intenção do actual ministro dos Negócios Estrangeiros, Abdullah Gul, em manter a candidatura à presidência do país depois de fracassadas as tentativas de nomeação por via parlamentar.
No que ao conteúdo da alternativa diz respeito, nem uns nem outros representam uma ruptura com o rumo político seguido no país nos últimos anos, diz o Partido Comunista Turco (TKP). Quer o AKP quer a oposição são firmes defensores do sistema capitalista e da privatização das mais variadas áreas e sectores, da subserviência aos desígnios belicístas da Aliança Atlântica – o exército turco é, no quadro da NATO, o segundo contingente mais poderoso depois dos EUA e há anos que as forças armadas absorvem aproximadamente cinco por cento do orçamento sem que nenhum dos partidos que intercalam no poder tenha ousado questionar tal opção -, da subscrição de acordos e tratados internacionais que aprofundem o neoliberalismo como filosofia e prática de mercado, subsistindo tão somente uma clivagem, uns são mais pró-norte-americanos e outros mais pró-europeísta, com cambiantes que variam de acordo com as ordens quer da burguesia nacional quer da sua homóloga, e quase sempre aliada, grande burguesia internacional.
No extremo oposto estão as forças progressistas turcas entre as quais se destacam parte do movimento sindical e os comunistas. Para o TKP, no quadro do actual regime democrático «as únicas forças que se encontram obrigadas a obedecer às normas, são as classes trabalhadores empobrecidas».
Em comunicado datado de 28 de Abril, o Comité Central do TKP enfatiza também que, face às eleições previstas «o que é necessário é semear no seio do povo a consciência de que as forças da ordem vigentes são igualmente responsáveis pela actual situação». No documento, o TKP apelava ainda à massiva participação popular no 1.º de Maio, o que acabou por acontecer e resultar na repressão brutal contra os trabalhadores. Em consequência, os comunistas apresentaram junto das autoridades judiciais uma queixa contra o governador de Istambul e a polícia local, as quais acusam de violar a legislação em vigor sobre concentrações populares.


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