EUA ameaçam Rússia

O chefe do Estado-Maior do Exército russo, general Iuri Baluievski, teme que os EUA venham a «colocar mísseis balísticos de ataque, de médio e longo alcance, com múltiplas ogivas» nos silos do sistema anti-míssil (NMD) a instalar na Polónia e República Checa.
Em causa está o projecto de instalação de uma dezena de rampas do NMD na Polónia e de um sofisticado radar na República Checa, em articulação com um sistema de detecção por satélite, plataformas marítimas e outras bases no Reino Unido, Groenlândia e Alasca.
Em declarações ao jornal governamental Russiiskaia Gazeta, a 4 de Maio, o general Iuri Baluievski sublinhou que o pretexto invocado por Washington para a instalação do chamado «escudo antimíssil» na Europa de Leste – a alegada «ameaça» do Irão e da Coreia do Norte –, não passa de uma «máscara» dos verdadeiros objectivos que presidem à iniciativa, já que nem Teerão nem Pyongyang possuem armas balísticas com um alcance entre os 5000 e os 8000 quilómetros, capazes de chegar à Europa.
Se a «ameaça» fosse verdadeira, refere Baluievski, então o NMD deveria situar-se na Turquia, país membro da Nato que faz fronteira com o Irão e está mais próximo da Coreia do Norte.
«Seria o lugar certo para colocar radares de detecção e bases de mísseis interceptores para abater foguetes na sua fase activa. No entanto, o NMD será posicionado na Europa do Leste, o que quer dizer que os EUA têm outros planos», concluiu o general.
«O alvo principal do sistema anti-míssil na Europa de Leste é a Rússia», afirma o general, fazendo notar que uma tal política representa «o início de uma nova corrida descontrolada aos armamentos».
De acordo com a lógica militar, faz notar Baluievski, o surgimento de um sistema de defesa estratégica americano perto da fronteira russa obrigará Moscovo a adoptar medidas de resposta, que afectarão a segurança da Europa.
«Esses elementos NMD são alvos militares que potencialmente representam uma ameaça para nosso país», sublinha o general, para quem a população europeia corre o risco de ficar «refém de um jogo alheio, quando as apostas são feitas do outro lado do oceano e os europeus pagam a conta».


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