Lu-Olo e Ramos-Horta na corrida
Lu-Olo é candidato às eleições presidenciais de Abril em Timor Leste. Após a apresentação da candidatura da Fretilin, Ramos-Horta também anunciou que está na corrida para o cargo.
«”Venho de gente humilde, a quem aprendi a servir nos momentos difíceis”, disse Lu-Olo»
A 40 dias da realização do sufrágio em Timor Leste, o presidente do parlamento, Francisco Guterres, ou Lu-Olo, como é conhecido pelo povo e pelos seus camaradas, e o actual primeiro-ministro, José Ramos-Horta, estão na corrida para o mais alto cargo do país, juntando-se aos candidatos Lúcia Lobato, pelo PSD, Manuel Tilman, pelo partido Kota, Francisco Xavier do Amaral, pela ASDT, e Avelino Coelho, pelo PST.
A candidatura de Lu-Olo foi formalizada no passado dia 20, em Díli, durante uma sessão pública na sede da Fretilin. Nas primeiras declarações à comunicação social, o responsável pelo parlamento e presidente do partido, reeleito em Maio de 2006, surgiu ladeado pelo ex-primeiro-ministro, Mari Alkatiri, e recordou os que com ele combateram «durante 24 anos contra a ocupação», por isso, na hora de assumir as mais elevadas responsabilidades, Lu-Olo afirmou que vai buscar «inspiração aos nossos heróis, desde Nicolau Lobato a Nino Konis Santana».
«Tenho consciência plena que venho de gente humilde, a quem aprendi a servir nos momentos mais difíceis com a mesma alegria e coragem que eles próprios me transmitiram», acrescentou Lu-Olo antes de prometer que jamais será «fonte de criação de conflitos» e, pelo contrário, espera exercer a magistratura «em prol da solução dos problemas».
Cinco dias depois da iniciativa da Fretilin, José Ramos-Horta também anunciou que entrava na disputa do próximo dia 9 de Abril. Em Laga, onde viveu parte da sua vida, Ramos-Horta esclareceu que a sua candidatura não surgiu como resposta ao anúncio da Fretilin, foi antes «uma questão de consciência», ponderada, segundo disse, após ter consultado o ainda presidente timorense, Xanana Gusmão e os responsáveis eclesiásticos de Díli e Baucau.
Apesar de rejeitar a existência de pressões para avançar, Ramos-Horta não deixou de admitir que «se não me candidatasse seria severamente criticado por muitos timorenses e amigos internacionais na Indonésia, na Comissão Europeia, em Washington, no Conselho de Segurança e na Austrália».
Tensão regressa às ruas
Entretanto, o clima tenso voltou às ruas de Timor depois dos incidentes entre a população e um grupo de soldados australianos, na manhã de sábado, junto do Aeroporto Internacional de Díli. Um timorense foi abatido no local e outro ficou gravemente ferido, vindo a falecer posteriormente no hospital.
Segundo o comandante das Forças de Estabilização Internacionais, o brigadeiro Mal Rerden, tudo começou quando os populares começaram a apedrejar um veículo militar australiano, acção à qual os soldados responderam «adequadamente», disse. Rerden rejeitou ainda as acusações de abuso de força e considerou que em todas as situações similares os soldados vão actuar com a mesma veemência.
Versão bem diferente têm os timorenses presentes no campo de refugiados do aeroporto. Segundo relatos de testemunhas oculares, um timorense terá fugido para dentro do campo quando foi abordado pela patrulha australiana. Os soldados perseguiram o indivíduo e começaram a espancá-lo, violência que desencadeou a ira popular e degenerou num conflito aberto.
Reagindo ao sucedido, o governo de Camberra desaconselhou os cidadãos nacionais a viajarem para Timor. Para o executivo australiano, a situação no terreno é «volátil» subsistindo o perigo de confrontos generalizados e acções de retaliação contra tropas e cidadãos australianos. O aviso foi mal acolhido em Timor, até porque, acusam, não é a primeira vez que a Austrália procura semear o medo e a instabilidade empolando conflitos que deveria saber sanar com serenidade.
Paralelamente, em Same, no Sul de Timor, o Major Alfredo Reinado continua cercado pelas autoridades e afirma que prefere morrer a render-se e enfrentar a justiça. Reinado e o grupo de ex-militares que se rebelaram em Abril e Maio do ano passado criando uma crise política e social no país, assaltaram, nos últimos dias, três postos de fronteira no Sudoeste do território. As acções motivaram a emissão de mandatos de captura contra o grupo, acusado de vários crimes.
A candidatura de Lu-Olo foi formalizada no passado dia 20, em Díli, durante uma sessão pública na sede da Fretilin. Nas primeiras declarações à comunicação social, o responsável pelo parlamento e presidente do partido, reeleito em Maio de 2006, surgiu ladeado pelo ex-primeiro-ministro, Mari Alkatiri, e recordou os que com ele combateram «durante 24 anos contra a ocupação», por isso, na hora de assumir as mais elevadas responsabilidades, Lu-Olo afirmou que vai buscar «inspiração aos nossos heróis, desde Nicolau Lobato a Nino Konis Santana».
«Tenho consciência plena que venho de gente humilde, a quem aprendi a servir nos momentos mais difíceis com a mesma alegria e coragem que eles próprios me transmitiram», acrescentou Lu-Olo antes de prometer que jamais será «fonte de criação de conflitos» e, pelo contrário, espera exercer a magistratura «em prol da solução dos problemas».
Cinco dias depois da iniciativa da Fretilin, José Ramos-Horta também anunciou que entrava na disputa do próximo dia 9 de Abril. Em Laga, onde viveu parte da sua vida, Ramos-Horta esclareceu que a sua candidatura não surgiu como resposta ao anúncio da Fretilin, foi antes «uma questão de consciência», ponderada, segundo disse, após ter consultado o ainda presidente timorense, Xanana Gusmão e os responsáveis eclesiásticos de Díli e Baucau.
Apesar de rejeitar a existência de pressões para avançar, Ramos-Horta não deixou de admitir que «se não me candidatasse seria severamente criticado por muitos timorenses e amigos internacionais na Indonésia, na Comissão Europeia, em Washington, no Conselho de Segurança e na Austrália».
Tensão regressa às ruas
Entretanto, o clima tenso voltou às ruas de Timor depois dos incidentes entre a população e um grupo de soldados australianos, na manhã de sábado, junto do Aeroporto Internacional de Díli. Um timorense foi abatido no local e outro ficou gravemente ferido, vindo a falecer posteriormente no hospital.
Segundo o comandante das Forças de Estabilização Internacionais, o brigadeiro Mal Rerden, tudo começou quando os populares começaram a apedrejar um veículo militar australiano, acção à qual os soldados responderam «adequadamente», disse. Rerden rejeitou ainda as acusações de abuso de força e considerou que em todas as situações similares os soldados vão actuar com a mesma veemência.
Versão bem diferente têm os timorenses presentes no campo de refugiados do aeroporto. Segundo relatos de testemunhas oculares, um timorense terá fugido para dentro do campo quando foi abordado pela patrulha australiana. Os soldados perseguiram o indivíduo e começaram a espancá-lo, violência que desencadeou a ira popular e degenerou num conflito aberto.
Reagindo ao sucedido, o governo de Camberra desaconselhou os cidadãos nacionais a viajarem para Timor. Para o executivo australiano, a situação no terreno é «volátil» subsistindo o perigo de confrontos generalizados e acções de retaliação contra tropas e cidadãos australianos. O aviso foi mal acolhido em Timor, até porque, acusam, não é a primeira vez que a Austrália procura semear o medo e a instabilidade empolando conflitos que deveria saber sanar com serenidade.
Paralelamente, em Same, no Sul de Timor, o Major Alfredo Reinado continua cercado pelas autoridades e afirma que prefere morrer a render-se e enfrentar a justiça. Reinado e o grupo de ex-militares que se rebelaram em Abril e Maio do ano passado criando uma crise política e social no país, assaltaram, nos últimos dias, três postos de fronteira no Sudoeste do território. As acções motivaram a emissão de mandatos de captura contra o grupo, acusado de vários crimes.