Pyongyang quer a paz mas não teme a guerra
A Coreia do Norte repudia a resolução do Conselho de Segurança da ONU que impõe uma série de sanções àquele país pela realização de um teste nuclear.
«Alguns países transformaram o Conselho de Segurança numa arma»
A República Popular Democrática da Coreia (RPDC), numa declaração emitida anteontem, 17 de Outubro, pelo seu Ministério dos Negócios Estrangeiros, considera que o Conselho fingiu ignorar a política hostil dos EUA relativamente à RPDC, que é a verdadeira origem do problema.
Segundo o documento, divulgado pela agência KCNA, as Nações Unidas, ignorando a política de Washington, «incrimina agora a RPDC por exercer o seu legítimo direito a defender a soberania do país, enquanto exige com bombos e fanfarra a desnuclearização da península».
Esta é uma posição imoral e totalmente desprovida de imparcialidade, dizem as autoridades norte-coreanas, que «só pode ser interpretada como uma declaração de guerra contra a RPDC, já que se baseia no guião dos EUA, desejoso de destruir o sistema socialista de estilo coreano centrado nas massas populares».
A resolução 1718, aprovada a 14 de Outubro pelos 15 membros do Conselho de Segurança da ONU, impõe sanções económicas e comerciais à Coreia do Norte, exige que o país se abstenha de qualquer novo teste nuclear e intima ainda Pyongyang a regressar às negociações a «seis» (China, Japão, Rússia, Estados Unidos e duas Coreias).
A tomada de posição – aprovada como retaliação pelo primeiro ensaio nuclear norte-coreano, levado a cabo a 9 de Outubro – prevê um embargo sobre armas e material militar, bem como materiais relacionados com a tecnologia nuclear ou de mísseis, e ainda de produtos de luxo.
O documento insta os estados membros, em conformidade com a respectiva legislação, a «agir em cooperação para garantir o respeito destes embargos, procedendo inclusivamente à inspecção de qualquer carga destinada ou proveniente da Coreia do Norte».
RPDC não cede a pressões
As autoridades norte-coreanas consideram que o desenrolar dos acontecimentos prova que a RPDC tinha razão quando se decidiu pela opção nuclear, e advertem «o grupo de Bush» para a inutilidade de tentarem, através de sanções e de pressões, pôr «o país de joelhos».
«Não faz sentido esperar que a RPDC ceda às pressões e às ameaças quando se converteu num Estado com armas nucleares», afirma a declaração de Pyongyang, reiterando que o país «quer a paz mas não teme a guerra, quer o diálogo mas está sempre pronto para a confrontação».
Reiterando que a RPDC deseja cumprir os seus compromissos para levar por diante a desnuclearização da península da Coreia, o documento adverte que não deixará de responder «com fortes acções» a quaisquer ataques à sua soberania e ao seu direito à existência.
No domingo, as autoridades de Pyongyang já haviam dado conta ao vice-ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Alexandre Alexiev, da sua disponibilidade para prosseguir as negociações a seis. O vice-ministro russo deslocou-se à Coreia do Norte, onde manteve diversos contactos, nomeadamente o seu homólogo Kim Ky-kwan. No final da visita, segundo a agência Interfax, Alexiev afirmou que os responsáveis norte-coreanos «mencionaram por várias vezes que Pyongyang jamais transferirá as suas capacidades nucleares para outro país e nunca as utilizará contra quem quer que seja».
Entretanto, a secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, que esta terça-feira iniciou um périplo pelo Japão, Coreia do Sul e China com o objectivo de «reunir o apoio» dos amigos e aliados de Washington na região, considerou que a imposição de sanções a Pyongyang é também um «aviso» ao Irão.
A resposta de Teerão chegou pela voz do presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad, que acusou «alguns países ocidentais» de «transformaram o Conselho de Segurança da ONU numa arma para impor a sua hegemonia e aprovar resoluções contra os países que se lhe opõem».
Considerando «ilegal» a exigência do Conselho de Segurança para que o Irão suspenda o seu programa de enriquecimento de urânio, Mahmud Ahmadinejad anunciou que o seu país vai prosseguir o projecto nuclear.
EUA forçam à opção nuclear
(...) «A política dos EUA contra a RPDC vai além dos simples gestos de hostilidade, pois faz pairar a ameaça nuclear e considera a RPDC como fazendo parte dum “eixo do mal”, por isso sujeita a ataques nucleares preventivos, o que força a RPDC a dotar-se de um poder de dissuasão nuclear. O governo de RPDC mantém contudo que a desnuclearização da península coreana pode ser feita de forma pacífica através do diálogo e da negociação.
«É sabido que o elemento essencial da Declaração conjunta de 19 de Setembro de 2005 adoptada pelos participantes nas negociações a seis é o engajamento da RPDC a renunciar ao seu programa nuclear e a aceitar a coexistência pacífica. Esta declaração engaja também os EUA. A RPDC advoga o respeito mútuo de todas as disposições da Declaração conjunta. É evidente que só beneficiará com isso e é por essa razão que está mais decidida do que nunca a prosseguir as negociações a seis.
«Ora, os EUA, apesar da referida Declaração conjunta, impuseram sanções financeiras à RPDC, seu parceiro de diálogo, e repudiaram a agenda relativa à próxima ronda de negociações, o que resultou no impasse actual. À luz destes factos, não podia ser mais evidente que os EUA não desejam a continuação das negociações a seis nem a desnuclearização da península coreana. Os EUA só desejam uma coisa, que é o crescimento das tensões na península coreana para se servirem disso como pretexto para aumentar a sua presença militar no Nordeste asiático. Esperam travar o crescimento da RPDC e dos seus vizinhos no quadro da sua estratégia para alcançar a supremacia mundial. Estas são as verdadeiras intenções dos EUA. É absurdo que a RPDC, sob pressão de sanções americanas sem razão de ser, participe nas negociações. Para nós esta é uma questão de princípio e nesta matéria não faremos concessões.»
(Excertos da intervenção de Choe Su Hon, presidente da delegação da RPDC, na 61.ª sessão da Assembleia Geral da ONU, em 26 de Setembro de 2006, em Nova Iorque.)
Segundo o documento, divulgado pela agência KCNA, as Nações Unidas, ignorando a política de Washington, «incrimina agora a RPDC por exercer o seu legítimo direito a defender a soberania do país, enquanto exige com bombos e fanfarra a desnuclearização da península».
Esta é uma posição imoral e totalmente desprovida de imparcialidade, dizem as autoridades norte-coreanas, que «só pode ser interpretada como uma declaração de guerra contra a RPDC, já que se baseia no guião dos EUA, desejoso de destruir o sistema socialista de estilo coreano centrado nas massas populares».
A resolução 1718, aprovada a 14 de Outubro pelos 15 membros do Conselho de Segurança da ONU, impõe sanções económicas e comerciais à Coreia do Norte, exige que o país se abstenha de qualquer novo teste nuclear e intima ainda Pyongyang a regressar às negociações a «seis» (China, Japão, Rússia, Estados Unidos e duas Coreias).
A tomada de posição – aprovada como retaliação pelo primeiro ensaio nuclear norte-coreano, levado a cabo a 9 de Outubro – prevê um embargo sobre armas e material militar, bem como materiais relacionados com a tecnologia nuclear ou de mísseis, e ainda de produtos de luxo.
O documento insta os estados membros, em conformidade com a respectiva legislação, a «agir em cooperação para garantir o respeito destes embargos, procedendo inclusivamente à inspecção de qualquer carga destinada ou proveniente da Coreia do Norte».
RPDC não cede a pressões
As autoridades norte-coreanas consideram que o desenrolar dos acontecimentos prova que a RPDC tinha razão quando se decidiu pela opção nuclear, e advertem «o grupo de Bush» para a inutilidade de tentarem, através de sanções e de pressões, pôr «o país de joelhos».
«Não faz sentido esperar que a RPDC ceda às pressões e às ameaças quando se converteu num Estado com armas nucleares», afirma a declaração de Pyongyang, reiterando que o país «quer a paz mas não teme a guerra, quer o diálogo mas está sempre pronto para a confrontação».
Reiterando que a RPDC deseja cumprir os seus compromissos para levar por diante a desnuclearização da península da Coreia, o documento adverte que não deixará de responder «com fortes acções» a quaisquer ataques à sua soberania e ao seu direito à existência.
No domingo, as autoridades de Pyongyang já haviam dado conta ao vice-ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Alexandre Alexiev, da sua disponibilidade para prosseguir as negociações a seis. O vice-ministro russo deslocou-se à Coreia do Norte, onde manteve diversos contactos, nomeadamente o seu homólogo Kim Ky-kwan. No final da visita, segundo a agência Interfax, Alexiev afirmou que os responsáveis norte-coreanos «mencionaram por várias vezes que Pyongyang jamais transferirá as suas capacidades nucleares para outro país e nunca as utilizará contra quem quer que seja».
Entretanto, a secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, que esta terça-feira iniciou um périplo pelo Japão, Coreia do Sul e China com o objectivo de «reunir o apoio» dos amigos e aliados de Washington na região, considerou que a imposição de sanções a Pyongyang é também um «aviso» ao Irão.
A resposta de Teerão chegou pela voz do presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad, que acusou «alguns países ocidentais» de «transformaram o Conselho de Segurança da ONU numa arma para impor a sua hegemonia e aprovar resoluções contra os países que se lhe opõem».
Considerando «ilegal» a exigência do Conselho de Segurança para que o Irão suspenda o seu programa de enriquecimento de urânio, Mahmud Ahmadinejad anunciou que o seu país vai prosseguir o projecto nuclear.
EUA forçam à opção nuclear
(...) «A política dos EUA contra a RPDC vai além dos simples gestos de hostilidade, pois faz pairar a ameaça nuclear e considera a RPDC como fazendo parte dum “eixo do mal”, por isso sujeita a ataques nucleares preventivos, o que força a RPDC a dotar-se de um poder de dissuasão nuclear. O governo de RPDC mantém contudo que a desnuclearização da península coreana pode ser feita de forma pacífica através do diálogo e da negociação.
«É sabido que o elemento essencial da Declaração conjunta de 19 de Setembro de 2005 adoptada pelos participantes nas negociações a seis é o engajamento da RPDC a renunciar ao seu programa nuclear e a aceitar a coexistência pacífica. Esta declaração engaja também os EUA. A RPDC advoga o respeito mútuo de todas as disposições da Declaração conjunta. É evidente que só beneficiará com isso e é por essa razão que está mais decidida do que nunca a prosseguir as negociações a seis.
«Ora, os EUA, apesar da referida Declaração conjunta, impuseram sanções financeiras à RPDC, seu parceiro de diálogo, e repudiaram a agenda relativa à próxima ronda de negociações, o que resultou no impasse actual. À luz destes factos, não podia ser mais evidente que os EUA não desejam a continuação das negociações a seis nem a desnuclearização da península coreana. Os EUA só desejam uma coisa, que é o crescimento das tensões na península coreana para se servirem disso como pretexto para aumentar a sua presença militar no Nordeste asiático. Esperam travar o crescimento da RPDC e dos seus vizinhos no quadro da sua estratégia para alcançar a supremacia mundial. Estas são as verdadeiras intenções dos EUA. É absurdo que a RPDC, sob pressão de sanções americanas sem razão de ser, participe nas negociações. Para nós esta é uma questão de princípio e nesta matéria não faremos concessões.»
(Excertos da intervenção de Choe Su Hon, presidente da delegação da RPDC, na 61.ª sessão da Assembleia Geral da ONU, em 26 de Setembro de 2006, em Nova Iorque.)