Roubo de pensões
Nos anos 60, as grandes companhias e o governo dos EUA disseram aos trabalhadores que a segurança das suas reformas assentava em três pilares: pensões da Segurança Social estatal para garantir necessidades básicas de sobrevivência; companhias de pensões com uma remuneração fixa ou definida para aumentar esse nível de vida; e poupança pessoal para conseguir um rendimento semelhante ao que o trabalhador tinha quando empregado.
As poupanças pessoais, que chegaram a ter 10 por cento de lucro (com os ricos a poupar muito mais do que os pobres), têm um saldo negativo desde finais de 2005.
A pensão de «remuneração definida» que paga ao trabalhador um montante fixo por mês, como uma anuidade, e que é usada pelas maiores empresas e pelo governo, está seriamente ameaçada. Desde 1978, o número de planos de remuneração definida passou de 128 041, abrangendo cerca de 41 por cento dos trabalhadores do sector privado, para apenas 26 000 actualmente, e 21 por cento dos trabalhadores, de acordo com o Employee Benefit Research Institute (EBRI).
Para os novos trabalhadores, o plano de remuneração definida está a ser substituído pelo chamado plano 401-K. Este plano encoraja cada trabalhador a poupar e a fazer os seus investimentos no mercado. É por conseguinte um grande jogo da sorte. A IBM anunciou uma mudança neste sentido em Janeiro de 2006.
Para além disso, as grandes corporações, que fizeram os maiores lucros de sempre da sua história recente, declararam falência. A United Airlines, US Airways,
Bethlehem Steel, Northwest, Delta, Delphi e centenas de outras companhias faltaram ao cumprimento das suas obrigações relativamente às pensões de remuneração definida obtidas através de contratos legais e obrigatórios. No início do ano, a General Motors anunciou o fim das pensões de 42 000 trabalhadores.
Declarar falência tornou-se um expediente para os milionários e seus executivos. A legislação relativa à falência permite-lhes rasgar os contratos sindicais firmados há muito. Esta situação ameaça lançar milhões de trabalhadores para a miséria extrema e/ou para um insuficiente sistema de saúde na velhice, mesmo após uma vida de trabalho pesado e por vezes até perigoso.
Reforma amarga
Uma manchete da edição de 31 de Outubro de 2005 da revista Time dizia: «A Grande Machadada na Reforma». O artigo da Time fazia um detalhado e comovente relato da história de trabalhadores e reformados que perderam as suas pensões. «De 2001 a 2004», dizia, «cerca de 200 empresas constantes da Fortune 1000 [as maiores 1000 empresas dos EUA] liquidaram ou congelaram os seus planos de remuneração definida e desde 1985 cerca de 5 milhões de trabalhadores deixaram de estar protegidos pelo sector privado.»
Desde 1985 o número de empresas gestoras de planos de pensões caiu de 112 200 para 29 700. Em 2004, estas empresas tinham um saldo negativo de cerca de 450 mil milhões de dólares, valor que não deixou de crescer. Para o sector público, os fundos de pensões nos EUA são uns escassos 700 mil milhões, o que põe em risco o pagamento a milhões de trabalhadores.
A Pension Benefit Guaranty Corp. (PBGC), uma agência semi-governamental, é suposta garantir as pensões de reforma dos trabalhadores. Mas a própria PBGC tem um défice que se estima atingirá cerca de 30 mil milhões de dólares até ao final de 2006. Mesmo com esta alegada «garantia», as pensões dos trabalhadores têm vindo a ser reduzidas pelas falências, frequentemente para metade do seu valor.
Os funcionários da Northwest Airlines preparam-se para a greve contra os cortes nos seus contratos propostos pelo tribunal de falências. Os trabalhadores e reformados da Delphi continuam em luta contra as tentativas de, a pretexto da falência, se levarem a cabo redução de postos de trabalho e direitos. Até agora, contudo, não tem havido um movimento nacional nos EUA, como existe em Portugal, para impedir os cortes de pensões.
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Catalinotto edita o semanário norte-americano Workers World, que foi processado pelo multimilionário Ira Rennert por alegada difamação num artigo intitulado «Falência da WCI rouba pensões dos trabalhadores». O jornal ganhou em primeira instância, mas é possível que Rennert venha a recorrer da sentença. [Rennert processou uma vez o realizador de cinema Michael Moore, que em 1998 o procurou para lhe dar o prémio de «Homem do Ano» por estar no top dos poluidores tóxicos. Rennert acabou por desistir do processo.]
As poupanças pessoais, que chegaram a ter 10 por cento de lucro (com os ricos a poupar muito mais do que os pobres), têm um saldo negativo desde finais de 2005.
A pensão de «remuneração definida» que paga ao trabalhador um montante fixo por mês, como uma anuidade, e que é usada pelas maiores empresas e pelo governo, está seriamente ameaçada. Desde 1978, o número de planos de remuneração definida passou de 128 041, abrangendo cerca de 41 por cento dos trabalhadores do sector privado, para apenas 26 000 actualmente, e 21 por cento dos trabalhadores, de acordo com o Employee Benefit Research Institute (EBRI).
Para os novos trabalhadores, o plano de remuneração definida está a ser substituído pelo chamado plano 401-K. Este plano encoraja cada trabalhador a poupar e a fazer os seus investimentos no mercado. É por conseguinte um grande jogo da sorte. A IBM anunciou uma mudança neste sentido em Janeiro de 2006.
Para além disso, as grandes corporações, que fizeram os maiores lucros de sempre da sua história recente, declararam falência. A United Airlines, US Airways,
Bethlehem Steel, Northwest, Delta, Delphi e centenas de outras companhias faltaram ao cumprimento das suas obrigações relativamente às pensões de remuneração definida obtidas através de contratos legais e obrigatórios. No início do ano, a General Motors anunciou o fim das pensões de 42 000 trabalhadores.
Declarar falência tornou-se um expediente para os milionários e seus executivos. A legislação relativa à falência permite-lhes rasgar os contratos sindicais firmados há muito. Esta situação ameaça lançar milhões de trabalhadores para a miséria extrema e/ou para um insuficiente sistema de saúde na velhice, mesmo após uma vida de trabalho pesado e por vezes até perigoso.
Reforma amarga
Uma manchete da edição de 31 de Outubro de 2005 da revista Time dizia: «A Grande Machadada na Reforma». O artigo da Time fazia um detalhado e comovente relato da história de trabalhadores e reformados que perderam as suas pensões. «De 2001 a 2004», dizia, «cerca de 200 empresas constantes da Fortune 1000 [as maiores 1000 empresas dos EUA] liquidaram ou congelaram os seus planos de remuneração definida e desde 1985 cerca de 5 milhões de trabalhadores deixaram de estar protegidos pelo sector privado.»
Desde 1985 o número de empresas gestoras de planos de pensões caiu de 112 200 para 29 700. Em 2004, estas empresas tinham um saldo negativo de cerca de 450 mil milhões de dólares, valor que não deixou de crescer. Para o sector público, os fundos de pensões nos EUA são uns escassos 700 mil milhões, o que põe em risco o pagamento a milhões de trabalhadores.
A Pension Benefit Guaranty Corp. (PBGC), uma agência semi-governamental, é suposta garantir as pensões de reforma dos trabalhadores. Mas a própria PBGC tem um défice que se estima atingirá cerca de 30 mil milhões de dólares até ao final de 2006. Mesmo com esta alegada «garantia», as pensões dos trabalhadores têm vindo a ser reduzidas pelas falências, frequentemente para metade do seu valor.
Os funcionários da Northwest Airlines preparam-se para a greve contra os cortes nos seus contratos propostos pelo tribunal de falências. Os trabalhadores e reformados da Delphi continuam em luta contra as tentativas de, a pretexto da falência, se levarem a cabo redução de postos de trabalho e direitos. Até agora, contudo, não tem havido um movimento nacional nos EUA, como existe em Portugal, para impedir os cortes de pensões.
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Catalinotto edita o semanário norte-americano Workers World, que foi processado pelo multimilionário Ira Rennert por alegada difamação num artigo intitulado «Falência da WCI rouba pensões dos trabalhadores». O jornal ganhou em primeira instância, mas é possível que Rennert venha a recorrer da sentença. [Rennert processou uma vez o realizador de cinema Michael Moore, que em 1998 o procurou para lhe dar o prémio de «Homem do Ano» por estar no top dos poluidores tóxicos. Rennert acabou por desistir do processo.]