Oficiais do mesmo ofício ...
Em finais de 2005 a comunicação social publicou um importante depoimento que, na prática, veio depois a ser esquecido. É um texto de redacção comum, assinado pelo ministro português do Trabalho e Solidariedade, Vieira da Silva e pelo seu homólogo espanhol, Jesús Sanchez-Capitán. A exposição que contém é curta mas no essencial clara. Diz respeito à filosofia política que os dois actuais executivos ibéricos alimentam em relação aos objectivos sociais da sua acção governativa. Este documento também é revelador da total identidade estratégica que identifica as duas políticas ibéricas. Divide-se em três breves capítulos - Protecção social e diversidade; Protecção social, economia e bem-estar; O desafio dos novos equilíbrios sustentáveis – os quais, no seu conjunto, representam um autêntico plano de acção comum nas áreas sociais, bem definida pelas forças que dominam o poder. É um detalhe que se entende melhor se recorrermos a citações das ideias-força anunciadas pelos dois ministros. Os sublinhados são, evidentemente, da nossa responsabilidade.
«O desafio fundamental da protecção social, hoje não é a reforma entendida como retrocesso da qualidade social na Europa, mas antes a recalibragem do modelo socia ... Como tornar a protecção social mais eficaz nos seus efeitos virtuosos sobre a economia, na produção do bem estar e mais sustentável no longo prazo ?... Um passo importante é a produção de consensos alargados. A sustentabilidade de um modelo social equilibrado exige o diálogo entre representantes de trabalhadores, empresários e autoridades públicas, no sentido de estabelecer pontes em torno das coordenadas básicas da sociedade que queremo... De igual modo, é fundamental um maior envolvimento da sociedade civil e do mercado na área social... Tem de ser este o caminho... Só assim será possível transformar os riscos da globalização em benefícios para a nossa economia social de mercado, na senda de um progresso económico socialmente sustentável.»
O Estado teocrático pós-moderno
Que saibamos, nunca depois dos tempos do fascismo foi tão descaradamente reconhecida a promiscuidade entre os poderes político, financeiro e religioso, como nesta declaração conjunta dos super-ministros socialistas. Governantes, institucionalmente laicos e num quadro de separação de poderes, ambos se identificam com a Economia Social de Mercado cuja paternidade é da igreja católica, como é justo reconhecer. O modelo escolhido é bem revelador das transformações sociais que, em paralelo, estão em curso em Portugal e em Espanha : reformismo de classe e opção preferencial pelos ricos. O discurso, cuidadosamente ponderado, apoia-se no Catecismo da Igreja: à Segurança Social do Estado, passa a chamar-se Protecção Social, desde que seja virtuosa; os Sindicatos são substituídos, nas negociações, por representantes de trabalhadores; a ponte a estabelecer será entre o mundo social e a sociedade que queremos; e conclui-se autoritariamente, no estilo do Opus Dei: só este é o Caminho...
Isto significa que prossegue a construção de uma nova Santa Aliança ibérica. Erguem-se os alicerces de um Estado peninsular, global e pós-moderno mas apoiado na força recatada da igreja. A nova divisão de tarefas é já bem perceptível. Às administrações socialistas compete destruir a economia, desarticular o território, fomentar o nascimento de fortunas cada vez maiores e inviabilizar direitos e conquistas populares, segundo o princípio bíblico de «um só rebanho, um só pastor». A acção dos ministros tem de ser fulminante, sem peias e sem travões e com a cobertura da capa da ética cristã: entrega das grandes empresas ao capital internacional, privatização do sector empresarial do Estado, liquidação das estruturas públicas. Criação e concessão de parcerias, contrapartidas, encomendas por «ajuste entre as partes». Uso e abuso da manipulação de dados, da contratação de clientelas do poder, etc.
Ao fabuloso mundo empresarial importa, antes de tudo o mais, criar uma teia espessa de lobbies e de holdings, comprar e vender empresas (sempre com siglas diferentes), aumentar as mais-valias, conquistar o poder legislativo, derrubar direitos do povo e liberalizar mercados.
Para a Igreja está reservada a saborosa fatia das áreas sociais. A sua sociedade civil conta com mais de 4000 instituições especializadas. Os despedimentos, sobretudo os dos trabalhadores licenciados e dos supranumerários, criam as melhores expectativas de futuro para um voluntariado que ela prepara empenhadamente. Como vimos, tudo se organiza no sentido de uma próxima invasão castelhana de nuestros hermanos.
Até ver, Deus está com os grandes patrões!
«O desafio fundamental da protecção social, hoje não é a reforma entendida como retrocesso da qualidade social na Europa, mas antes a recalibragem do modelo socia ... Como tornar a protecção social mais eficaz nos seus efeitos virtuosos sobre a economia, na produção do bem estar e mais sustentável no longo prazo ?... Um passo importante é a produção de consensos alargados. A sustentabilidade de um modelo social equilibrado exige o diálogo entre representantes de trabalhadores, empresários e autoridades públicas, no sentido de estabelecer pontes em torno das coordenadas básicas da sociedade que queremo... De igual modo, é fundamental um maior envolvimento da sociedade civil e do mercado na área social... Tem de ser este o caminho... Só assim será possível transformar os riscos da globalização em benefícios para a nossa economia social de mercado, na senda de um progresso económico socialmente sustentável.»
O Estado teocrático pós-moderno
Que saibamos, nunca depois dos tempos do fascismo foi tão descaradamente reconhecida a promiscuidade entre os poderes político, financeiro e religioso, como nesta declaração conjunta dos super-ministros socialistas. Governantes, institucionalmente laicos e num quadro de separação de poderes, ambos se identificam com a Economia Social de Mercado cuja paternidade é da igreja católica, como é justo reconhecer. O modelo escolhido é bem revelador das transformações sociais que, em paralelo, estão em curso em Portugal e em Espanha : reformismo de classe e opção preferencial pelos ricos. O discurso, cuidadosamente ponderado, apoia-se no Catecismo da Igreja: à Segurança Social do Estado, passa a chamar-se Protecção Social, desde que seja virtuosa; os Sindicatos são substituídos, nas negociações, por representantes de trabalhadores; a ponte a estabelecer será entre o mundo social e a sociedade que queremos; e conclui-se autoritariamente, no estilo do Opus Dei: só este é o Caminho...
Isto significa que prossegue a construção de uma nova Santa Aliança ibérica. Erguem-se os alicerces de um Estado peninsular, global e pós-moderno mas apoiado na força recatada da igreja. A nova divisão de tarefas é já bem perceptível. Às administrações socialistas compete destruir a economia, desarticular o território, fomentar o nascimento de fortunas cada vez maiores e inviabilizar direitos e conquistas populares, segundo o princípio bíblico de «um só rebanho, um só pastor». A acção dos ministros tem de ser fulminante, sem peias e sem travões e com a cobertura da capa da ética cristã: entrega das grandes empresas ao capital internacional, privatização do sector empresarial do Estado, liquidação das estruturas públicas. Criação e concessão de parcerias, contrapartidas, encomendas por «ajuste entre as partes». Uso e abuso da manipulação de dados, da contratação de clientelas do poder, etc.
Ao fabuloso mundo empresarial importa, antes de tudo o mais, criar uma teia espessa de lobbies e de holdings, comprar e vender empresas (sempre com siglas diferentes), aumentar as mais-valias, conquistar o poder legislativo, derrubar direitos do povo e liberalizar mercados.
Para a Igreja está reservada a saborosa fatia das áreas sociais. A sua sociedade civil conta com mais de 4000 instituições especializadas. Os despedimentos, sobretudo os dos trabalhadores licenciados e dos supranumerários, criam as melhores expectativas de futuro para um voluntariado que ela prepara empenhadamente. Como vimos, tudo se organiza no sentido de uma próxima invasão castelhana de nuestros hermanos.
Até ver, Deus está com os grandes patrões!