Israel intensifica ataques

Crimes de guerra no Líbano

Israel viola o direito internacional ao centrar os seus ataques contra a população civil e as infra-estruturas do Líbano, acusa a ONU. Telavive ignora críticas.

«O Conselho de Segurança dedica-se ao “jogo do empata”»

O coordenador das Nações Unidas no Líbano, David Shearer, afirmou esta semana que «escolher civis e infra-estruturas como alvo das ofensivas é uma violação do direito internacional», e reiterou a exigência do fim dos ataques para que seja possível prestar auxílio aos milhares de deslocados resultantes do conflito.
A destruição de pontes, estradas e o que é pior, o bombardeamento de caravanas de ajuda da ONU, impedem a entrega de alimentos e de outros recursos à população libanesa, refere Shearer. A situação poderá agravar-se de forma drástica a muito curto prazo já que, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o funcionamento de 60 por cento dos centros de assistência libaneses podem ficar inoperacionais devido à falta de combustível.
A faltar a energia, lembra a OMS, deixarão de funcionar aparelhos vitais, como incubadoras e refrigeradores onde se armazenam vacinas e insulina, por exemplo, o que provocará ainda maiores perdas de vidas humanas e agravamento geral da situação sanitária. A OMS faz notar que o Líbano dispõe de 12 mil camas em hospitais e que cada instalação necessita uma média de 80 litros de combustível por semana para a produção de energia.
De acordo com os dados disponíveis, pelo menos 1022 pessoas morreram, das quais 30 por cento menores de 12 anos, e outras 3369 ficaram feridas desde o início da agressão israelita ao Líbano, há um mês.

Ataque sem restrições

Os alertas da ONU e da OMS foram recebidos com indiferença por Telavive, que através de panfletos escritos em árabe, lançados pela aviação, com a assinatura do «Estado de Israel», fez saber que «qualquer veículo que circule a Sul do Litani será bombardeado, pois será suspeito de transportar foguetes e armamento para terroristas». A região indicada como alvo inclui a cidade de Tiro, no Sul do Líbano, e abrange uma faixa, dependendo do curso do rio, entre cinco a 30 quilómetros da fronteira israelita.
De acordo com os panfletos, o «exército israelita vai intensificar a ofensiva e atacar com maior intensidade elementos terroristas (Hezbollah) que vos utilizam como escudos humanos e lançam mísseis do interior de vossas casas em direcção ao Estado de Israel», pelo que «qualquer pessoas que circule a bordo de um veículo está a colocar a sua vida em perigo».
A proibição de circulação de veículos na região, imposta desde segunda-feira, insere-se no âmbito do «alargamento das operações contra o Hezbollah no Sul do Líbano».
Enquanto isso, o Conselho de Segurança dedica-se ao «jogo do empata» para dar tempo a Israel de levar a cabo a sua invasão, que aparentemente está ser mais difícil do que previsto.
A proposta franco-americana, obviamente rejeitada pelo Líbano por não contemplar a retirada das tropas israelitas do país, está agora a ser «limada», ponderando-se a hipótese, apresentada pelo primeiro-ministro libanês, Fuad Siniora, de destacar 15 000 soldados para a fronteira com Israel, o que seria aceite pelo Hezbollah.
O primeiro-ministro israelita, Ehud Olmert, já garantiu que a proposta libanesa é «interessante», pelo que o seu governo a vai estudar... sem pressas.
Entretanto, em Nova Iorque, em mais uma notável manifestação de vagar, o Conselho de Segurança promoveu um debate público sobre a crise no Líbano com a presença de vários ministros dos Negócios Estrangeiros dos países membros da ONU e de uma delegação da Liga Árabe. Este exercício – provavelmente inútil dado que o ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Frank-Walter Steinmeier, adiantou terça-feira à televisão pública alemã que «os membros do Conselho de Segurança da ONU aparentam agora ter chegado a acordo» sobre o projecto de resolução da crise – prova o espírito «democrático» da organização.


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