Opel não é caso encerrado

Evitar a catástrofe

São tremendos os impactes do fecho da unidade da Opel na Azambuja. Sabe-se dos seus efeitos negativos no plano macro económico – basta dizer que desta fábrica sai um terço de toda a produção nacional do ramo automóvel – , mas é sobretudo ao nível local e regional que as consequências assumem uma dimensão mais devastadora. Nada, mesmo nada, em termos sociais e económicos, numa extensa área geográfica, poderá escapar à onda de choque deste encerramento, caso ele venha a concretizar-se, a começar nas famílias, prolongando-se por todo o pequeno comércio, chegando mesmo a todo o tipo de oficinas, empresas e serviços de proximidade.
O cenário de desemprego, para além da Azambuja, afecta outros concelhos como o do Cartaxo, Vila Franca de Xira, Alenquer, Santarém, Salvaterra de Magos, Almeirim, Cadaval, Benavente e Coruche.
São 1200 postos de trabalho directos que, de uma penada, são destruídos numa região onde são inexistentes as alternativas capazes de absorver esta mão-de-obra.
A estes trabalhadores juntam-se milhares de outros de outras empresas que prestam serviços à Opel em regime de outsourcing, como serviços de refeitório e limpeza e os trabalhadores de empresas subsidiárias, como as de logística.

Apoio activo e solidário do PCP

O PCP é a força política que, desde a primeira hora, nunca baixando os braços, tem de forma activa e solidária estado ao lado dos trabalhadores em defesa dos seus interesses, dos postos de trabalho e da permanência da Opel na Azambuja.
Uma postura interveniente e combativa que tem assumido as mais variadas formas, seja na mobilização e apoio à luta seja na vertente institucional. Expressão concreta desta acção, neste último plano, foi o pedido de audição do ministro da Economia em comissão parlamentar. Formalizada no próprio dia do debate sobre o estado da Nação, esta iniciativa da bancada comunista visa obter de Manuel Pinho esclarecimentos sobre todo o processo com vista à manutenção da fábrica da Opel na Azambuja e as consequências do seu encerramento.
Face ao anunciado encerramento da fábrica no final do ano, o PCP entende que estão «reforçadas nesta nova situação as razões» para ouvir o ministro da Economia e Inovação na Comissão de Assuntos Económicos.

Contra a resignação

Na véspera, reagindo ao anúncio de encerramento feito pelo responsável da GM Europa, já o PCP pela voz do deputado Francisco Lopes, no Parlamento, desafiara o Governo a adoptar uma atitude de não resignação, sublinhando que este «tudo deve fazer» para garantir a continuidade da fábrica da General Motors.
«Este anúncio não deve ser lido como irreversível. O Governo tudo deve fazer para garantir a continuidade da operacionalidade da General Motors (GM) na Azambuja», afirmou.
O dirigente comunista fez notar que as razões avançadas pela GM para o encerramento foram «apenas logísticas» e «que dependem em última análise» da própria empresa.
«É preciso não esquecer o conjunto de incentivos que a GM teve para a instalação em Portugal e que está a tentar romper com este precipitado encerramento», acrescentou, lembrando que o fecho afectaria 1.200 trabalhadores directamente e vários milhares de forma indirecta.
Comentando a «posição de reserva e silêncio» que em sua opinião o Governo tem mantido sobre esta questão, Francisco Lopes considerou que é necessário que aquele «esclareça as diligências que fez até hoje e não venha agora invocar que não é possível fazer nada».
E concluiu: «Nós não aceitamos nesta matéria uma resignação».

Prosseguir a luta

Posição reafirmada no mesmo dia pelo PCP, em nota do seu Gabinete de Imprensa, onde se afirma não ser «aceitável uma posição de resignação sobre um problema tão grave e de aceitação de um rompimento tão evidente com os compromissos assumidos pela GM».
No texto, divulgado a 11 de Julho, sublinhada é ainda a ideia de que, ao contrário do que o Governo tem propagandeado, não é qualquer plataforma logística lançada à última da hora – como a que foi recentemente anunciada para terrenos agrícolas na Castanheira do Ribatejo (perto das instalações da GM) – que pode compensar a quebra de produção e os prejuízos para os trabalhadores e para a economia nacional que o encerramento da GM Azambuja representaria».
Os comunistas são ainda peremptórios na recusa à atitude de «dar por adquirido o fecho de uma unidade que, como a própria GM reconhece, é altamente produtiva».
O anúncio da intenção de encerramento – e esta é outra ideia fundamental presente neste texto – é interpretado pelo PCP como um «acto destinado a desencorajar a luta em defesa da empresa e dos respectivos postos de trabalho».

Carta a Barroso

Também os deputados do PCP no Parlamento Europeu dirigiram uma carta a Durão Barroso na qual solicitam ao presidente da Comissão Europeia que «sejam dadas a conhecer as diligências já feitas e que haja uma informação sobre o que se propõe fazer na defesa da fábrica, da produção e do emprego com direitos».
Os eurodeputados comunistas afirmam que não é aceitável uma «posição de resignação sobre um problema tão grave e de aceitação de um rompimento tão evidente com os compromissos assumidos pela GM».

Opel da Azambuja
Acção, exige-se!


O anunciado encerramento da unidade da Opel na Azambuja foi um dos temas fortes no debate sobre o estado da Nação. A relevância assumida, centrando as atenções do hemiciclo, não foi alheia à persistente atitude do PCP em querer ver clarificada a questão e, consequentemente, às múltiplas iniciativas e diligências por si tomadas nestas últimas semanas visando esse objectivo.
A verdade é que depois de muitas hesitações e silêncios, o Governo lá veio, pela voz de Sócrates, finalmente, acusar a General Motors (GM) de «não honrar os seus compromissos» e assegurar que accionará todos os mecanismos legais contra a multinacional.
«Tudo fizemos, até aos limites da legislação nacional e comunitária para evitar o encerramento daquela fábrica, mas a verdade é que a administração da GM se mostrou insensível e recusou todas as propostas», justificou-se José Sócrates no debate do Estado da Nação.
O primeiro-ministro afirmou ainda que o «Governo português responderá a este incumprimento com firmeza, accionando todos os mecanismos legais que estão ao alcance do Estado».
Veremos no que dá a firmeza propalada. Para já, a reter, fica ainda o desafio de Jerónimo de Sousa a Sócrates para que assuma nesta matéria uma atitude consequente, activa e consentânea com o interesse nacional.
Interpelando directamente José Sócrates, depois da intervenção com que este abriu o debate, o Secretário-Geral do PCP insistiu em saber como é que o Governo «vai agir na União Europeia para impedir a impunidade destas empresas que se instalam, exploram, sugam apoios e se deslocalizam quando muito bem entendem».
«Aceita-se e pronto?», inquiriu o dirigente comunista, perante o que considerou serem «todos os dramas e problemas sociais e consequências económicas» que inevitavelmente adviriam desta «decisão férrea da multinacional GM/Opel».
Inconformado com este quadro, Jerónimo de Sousa afirmou, por outro lado, não aceitar o argumento segundo o qual uma atitude firme de defesa do interesse nacional assusta o investimento estrangeiro. «Quando muito assusta os beduínos», observou.






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