Escrever para aprender
Como sublinhou Filipe Diniz, um traço importante na criação artística de Álvaro Cunhal é a procura persistente do aperfeiçoamento técnico, «do saber fazer. E o mesmo sucede com textos ensaísticos, nomeadamente os textos sobre arte e estética. Álvaro Cunhal não escreve sobre o que é sabido. Escreve para saber e para conhecer, escreve para organizar, aprofundar e desenvolver ideias. Estão publicados três textos fundamentais de Álvaro Cunhal sobre questões relativas aos artistas, à arte e à estética: Cinco Notas sobre Forma e Conteúdo, de 1954, publicado sob o pseudónimo de António Vale; a intervenção no encerramento da I Assembleia de Artes e Letras da ORL, em 1978; e o ensaio A Arte, o Artista e a Sociedade, publicado em 1996.
«Existem nesses três textos vários aspectos essenciais de concepção comuns, nomeadamente no que diz respeito ao desejo de uma arte socialmente comprometida. Mas existe também uma significativa, inteligente e informada evolução de pensamento e de apreciação, uma funda compreensão da autonomia própria dos fenómenos da criação artística, a afirmação e reafirmação de que arte é liberdade e que, por isso mesmo, se é de desejar que o artista se bata politicamente com a sua arte ao lado do povo, isso não pode significar nunca a opção por tal ou tal escola ou tal ou tal tendência estética. É Álvaro Cunhal, mas é também o secretário-geral do PCP quem afirma, de forma lapidar: “Um Partido como o nosso, capaz de todos os sacrifícios para libertar o homem, luta necessariamente também para libertar o artista. Quando a própria revolução é a realização de sonhos milenários, como poderia o nosso Partido, força revolucionária que é, cortar as asas ao sonho?”»
«Existem nesses três textos vários aspectos essenciais de concepção comuns, nomeadamente no que diz respeito ao desejo de uma arte socialmente comprometida. Mas existe também uma significativa, inteligente e informada evolução de pensamento e de apreciação, uma funda compreensão da autonomia própria dos fenómenos da criação artística, a afirmação e reafirmação de que arte é liberdade e que, por isso mesmo, se é de desejar que o artista se bata politicamente com a sua arte ao lado do povo, isso não pode significar nunca a opção por tal ou tal escola ou tal ou tal tendência estética. É Álvaro Cunhal, mas é também o secretário-geral do PCP quem afirma, de forma lapidar: “Um Partido como o nosso, capaz de todos os sacrifícios para libertar o homem, luta necessariamente também para libertar o artista. Quando a própria revolução é a realização de sonhos milenários, como poderia o nosso Partido, força revolucionária que é, cortar as asas ao sonho?”»