Blair anuncia demissão
O primeiro-ministro britânico vai abandonar o cargo em 2007. Gordon Brown é o preferido de Tony Blair para a sucessão no poder, mas o povo exige eleições antecipadas.
«O executivo de Blair é o mais impopular dos últimos 60 anos»
Ao fim de quase uma década no governo, o líder do Partido Trabalhista (PT) e ainda primeiro-ministro britânico, Tony Blair, deverá apresentar a sua demissão do cargo até ao final do próximo ano.
Segundo informações veiculadas no início desta semana pela imprensa londrina, Blair terá confessado aos seus colaboradores mais próximos estar a preparar a sucessão no cargo a favor do actual ministro do Tesouro, Gordon Brown.
Fonte governamental citada na edição de segunda-feira do The Independent, afirmou que esse é o cenário que está a ser ponderado no interior da direcção trabalhista. Embora se tenha escusado a reproduzir as declarações de Blair, o suposto membro do gabinete do primeiro-ministro admitiu que o processo já se encontra em curso.
Ainda a semana passada, na sequência da estrondosa derrota sofrida pelo PT nas eleições municipais, Blair reafirmou as declarações produzidas em Maio de 2005, quando, em plena campanha para as legislativas, deixou claro que iria cumprir o terceiro mandato até ao fim.
A contestação popular às políticas neoliberais e o desgaste provocado pela sucessiva queda de confiança dos britânicos no governo, fizeram o líder da «terceira via» mudar de ideias, mas, ainda de acordo com os jornais, Blair não é o único dirigente trabalhista a descartar convicções.
O Sunday Times noticiou, domingo, que o «delfim» de Blair, Gordon Brown, terá recusado o «presente» do actual primeiro-ministro, considerando-o como uma «armadilha». Brown quer garantias de sucesso não só em Downing Street, mas também no que diz respeito à contestação no interior do New Labor, condições que o ainda chefe do executivo não é capaz de assegurar, sobretudo quando os contestatários prometem fazer «aquecer» o congresso do partido, agendado para 2007.
Britânicos exigem eleições
Apesar de Blair não ter ainda confirmado publicamente que vai bater com a porta, a maioria dos britânicos acredita que, nesse caso, o melhor seria convocar eleições antecipadas.
Uma sondagem divulgada na sexta-feira da semana passada, indica que dois terços dos britânicos não querem que Brown suceda a Blair sem ser sufragado, até porque o mesmo número de pessoas indica ambos os protagonistas como os principais responsáveis pela crise no seio dos trabalhistas.
Outro estudo de opinião revela que 57 por cento dos inquiridos não acredita que o governo de Blair seja capaz de melhorar o estado da economia e dos serviços públicos.
Áreas como a saúde e a educação foram seriamente atacadas pelas políticas de direita dos últimos nove anos, por isso, apenas 22 por cento dos britânicos conserva a confiança nas políticas seguidas pelos trabalhistas nesses sectores. O mesmo inquérito de opinião adianta que somente 26 por cento dos cidadãos aprova as linhas de orientação do governo, indicador que faz do executivo de Blair o mais impopular nos últimos 60 anos, ficando mesmo abaixo do ex-primeiro-ministro Harold Wilson aquando da desvalorização da libra em 1968.
Segundo informações veiculadas no início desta semana pela imprensa londrina, Blair terá confessado aos seus colaboradores mais próximos estar a preparar a sucessão no cargo a favor do actual ministro do Tesouro, Gordon Brown.
Fonte governamental citada na edição de segunda-feira do The Independent, afirmou que esse é o cenário que está a ser ponderado no interior da direcção trabalhista. Embora se tenha escusado a reproduzir as declarações de Blair, o suposto membro do gabinete do primeiro-ministro admitiu que o processo já se encontra em curso.
Ainda a semana passada, na sequência da estrondosa derrota sofrida pelo PT nas eleições municipais, Blair reafirmou as declarações produzidas em Maio de 2005, quando, em plena campanha para as legislativas, deixou claro que iria cumprir o terceiro mandato até ao fim.
A contestação popular às políticas neoliberais e o desgaste provocado pela sucessiva queda de confiança dos britânicos no governo, fizeram o líder da «terceira via» mudar de ideias, mas, ainda de acordo com os jornais, Blair não é o único dirigente trabalhista a descartar convicções.
O Sunday Times noticiou, domingo, que o «delfim» de Blair, Gordon Brown, terá recusado o «presente» do actual primeiro-ministro, considerando-o como uma «armadilha». Brown quer garantias de sucesso não só em Downing Street, mas também no que diz respeito à contestação no interior do New Labor, condições que o ainda chefe do executivo não é capaz de assegurar, sobretudo quando os contestatários prometem fazer «aquecer» o congresso do partido, agendado para 2007.
Britânicos exigem eleições
Apesar de Blair não ter ainda confirmado publicamente que vai bater com a porta, a maioria dos britânicos acredita que, nesse caso, o melhor seria convocar eleições antecipadas.
Uma sondagem divulgada na sexta-feira da semana passada, indica que dois terços dos britânicos não querem que Brown suceda a Blair sem ser sufragado, até porque o mesmo número de pessoas indica ambos os protagonistas como os principais responsáveis pela crise no seio dos trabalhistas.
Outro estudo de opinião revela que 57 por cento dos inquiridos não acredita que o governo de Blair seja capaz de melhorar o estado da economia e dos serviços públicos.
Áreas como a saúde e a educação foram seriamente atacadas pelas políticas de direita dos últimos nove anos, por isso, apenas 22 por cento dos britânicos conserva a confiança nas políticas seguidas pelos trabalhistas nesses sectores. O mesmo inquérito de opinião adianta que somente 26 por cento dos cidadãos aprova as linhas de orientação do governo, indicador que faz do executivo de Blair o mais impopular nos últimos 60 anos, ficando mesmo abaixo do ex-primeiro-ministro Harold Wilson aquando da desvalorização da libra em 1968.