Globalização e sociedade civil
A campanha publicitária que se desenrola em torno da polémica gripe das aves (combinando as técnicas de mercado com o estilo poético das parábolas evangélicas) atrai as atenções gerais para o modelo que nos é actualmente proposto de uma sociedade liberal da abundância, rica e religiosa quanto baste. O grande objectivo é aterrorizar as populações, paralisando-as mas convencendo-as de que um poder invisível (o sistema capitalista), tal como um deus (o poder religioso), zelam pelas multidões que a gripe ameaça. Simultaneamente, instala-se a ideia de que o alarmismo é necessário e que as maciças encomendas feitas aos lobbies da indústria farmacêutica mundial se destinam a defender a saúde pública e não a engrossar os gordos lucros dos grandes monopólios. Pode detectar-se este mesmo estilo da propaganda que combina o real com o maravilhoso, nos discursos dos ministros que anunciam ao povo sacrifícios cada vez maiores e uma pobreza crescente mas acrescentam que um dia, não se sabe quando, os pobres serão donos de si mesmos, livres, prósperos e ricos.
Assim vamos vivendo, entre as aves migratórias e a metafísica das telenovelas. Deus é o capitalismo salvador. Os banqueiros dominam os centros de decisão. As elites esmagam as maiorias. Mas nem tudo corre bem para os senhores do dinheiro.
A sua imagem degrada-se a olhos vistos. É evidente a sua incapacidade para resolver os enormes problemas do Ocidente. As políticas monetárias estão desacreditadas, tal como as suas histórias de embalar. Ainda recentemente, um jornal brasileiro de grande tiragem, o Estado de S. Paulo, definia o liberalismo com as seguintes palavras: «O liberalismo é uma doutrina que propõe um galinheiro onde as galinhas sejam totalmente livres e... a raposa também!» A imagem é extremamente descritiva. Vem mesmo a propósito, nestes tempos do pânico das aves ...
A derrocada dos pesadelos
A situação mundial é muito complicada. O neoliberalismo, em queda de prestígio e de eficácia, não encontra soluções alternativas no quadro capitalista. Sendo, ele próprio, a referência principal da espessa rede de interesses criados à sua volta e globalizados, a sua queda irá determinar que, desenquadrados, esses gigantescos grupos lutem, entre si, pelo domínio do mercado. A Igreja Católica, a igreja do Vaticano que gere muitas dessas formações multimilionárias, irá pagar caro a duplicidade que a caracteriza. Promove simultaneamente o capitalismo e a luta contra a pobreza. Diz-se despojada de bens e dispõe de fortunas colossais. Declara-se apolítica e apartidária mas desenvolve uma febril actividade em apoio das operações mais reaccionárias da plutocracia mundial. Conjuga estas posições efectivas com a ficção de uma imagem em que a si mesma se descreve como porta-bandeira da espiritualidade mística. Estamos a falar da Igreja do Vaticano, não dos crentes católicos.
Como ficou dito, a situação é complicada. Mais difícil se torna, para o Vaticano e para o grande capital, se observarmos que, a par dos factos mais terríveis e negativos, são imparáveis os progressos da informação entre os homens. E o que se passa no mundo levanta dúvidas e exige explicação. O mistério e o silêncio que encobrem os escândalos pertencem, cada vez mais, ao passado. Apesar das técnicas da censura e da propaganda, a opinião pública tende a fugir ao controlo dos censores, sejam eles banqueiros ou eclesiásticos.
Há, pois, razões para confiar. Pelo mundo fora multiplicam-se os casos de resistência activa à exploração do homem. Por razões diversas - religiosas, sociais, culturais, patrióticas, políticas. Mas um traço comum se evidencia, como um elo de ligação. Os pobres aspiram ao socialismo. Não há no capitalismo alternativas válidas. Impõe-se uma mudança. As religiões terão de repensar, não a sua fé ou a sua forma de estar na vida, mas os seus dogmas e tabus. É possível fazer participar os crentes num imenso movimento mundial de libertação real do homem e da sua valorização.
Particularmente no caso português, a liberdade, a justiça social, o respeito mútuo, o progresso e a inclusão, são valores que nos continuam próximos, tão pouco é o tempo de vida da Revolução. Só haverá Pátria na justiça social. Só haverá Igreja quando ninguém a questionar. Liberdade de cidadania e liberdade de fé e de opinião dependem da extinção da exploração do homem.
Volte a lembrar-se que a fase actual oferece riscos enormes. Importa unir os homens, lutar, trabalhar e construir uma nova terra e um outro país. Vitalizar as instituições. Lançar, agora, os alicerces do país que será o democrático Portugal do futuro. Terra de justiça e de liberdade. Sede de um socialismo real, colectivo, humano e solidário.
Assim vamos vivendo, entre as aves migratórias e a metafísica das telenovelas. Deus é o capitalismo salvador. Os banqueiros dominam os centros de decisão. As elites esmagam as maiorias. Mas nem tudo corre bem para os senhores do dinheiro.
A sua imagem degrada-se a olhos vistos. É evidente a sua incapacidade para resolver os enormes problemas do Ocidente. As políticas monetárias estão desacreditadas, tal como as suas histórias de embalar. Ainda recentemente, um jornal brasileiro de grande tiragem, o Estado de S. Paulo, definia o liberalismo com as seguintes palavras: «O liberalismo é uma doutrina que propõe um galinheiro onde as galinhas sejam totalmente livres e... a raposa também!» A imagem é extremamente descritiva. Vem mesmo a propósito, nestes tempos do pânico das aves ...
A derrocada dos pesadelos
A situação mundial é muito complicada. O neoliberalismo, em queda de prestígio e de eficácia, não encontra soluções alternativas no quadro capitalista. Sendo, ele próprio, a referência principal da espessa rede de interesses criados à sua volta e globalizados, a sua queda irá determinar que, desenquadrados, esses gigantescos grupos lutem, entre si, pelo domínio do mercado. A Igreja Católica, a igreja do Vaticano que gere muitas dessas formações multimilionárias, irá pagar caro a duplicidade que a caracteriza. Promove simultaneamente o capitalismo e a luta contra a pobreza. Diz-se despojada de bens e dispõe de fortunas colossais. Declara-se apolítica e apartidária mas desenvolve uma febril actividade em apoio das operações mais reaccionárias da plutocracia mundial. Conjuga estas posições efectivas com a ficção de uma imagem em que a si mesma se descreve como porta-bandeira da espiritualidade mística. Estamos a falar da Igreja do Vaticano, não dos crentes católicos.
Como ficou dito, a situação é complicada. Mais difícil se torna, para o Vaticano e para o grande capital, se observarmos que, a par dos factos mais terríveis e negativos, são imparáveis os progressos da informação entre os homens. E o que se passa no mundo levanta dúvidas e exige explicação. O mistério e o silêncio que encobrem os escândalos pertencem, cada vez mais, ao passado. Apesar das técnicas da censura e da propaganda, a opinião pública tende a fugir ao controlo dos censores, sejam eles banqueiros ou eclesiásticos.
Há, pois, razões para confiar. Pelo mundo fora multiplicam-se os casos de resistência activa à exploração do homem. Por razões diversas - religiosas, sociais, culturais, patrióticas, políticas. Mas um traço comum se evidencia, como um elo de ligação. Os pobres aspiram ao socialismo. Não há no capitalismo alternativas válidas. Impõe-se uma mudança. As religiões terão de repensar, não a sua fé ou a sua forma de estar na vida, mas os seus dogmas e tabus. É possível fazer participar os crentes num imenso movimento mundial de libertação real do homem e da sua valorização.
Particularmente no caso português, a liberdade, a justiça social, o respeito mútuo, o progresso e a inclusão, são valores que nos continuam próximos, tão pouco é o tempo de vida da Revolução. Só haverá Pátria na justiça social. Só haverá Igreja quando ninguém a questionar. Liberdade de cidadania e liberdade de fé e de opinião dependem da extinção da exploração do homem.
Volte a lembrar-se que a fase actual oferece riscos enormes. Importa unir os homens, lutar, trabalhar e construir uma nova terra e um outro país. Vitalizar as instituições. Lançar, agora, os alicerces do país que será o democrático Portugal do futuro. Terra de justiça e de liberdade. Sede de um socialismo real, colectivo, humano e solidário.