«Uma história heróica»

«Parabéns a nós todos - aos que estamos aqui e a todo o nosso colectivo partidário - pelo 75.º aniversário do nosso Avante!.» Foi com estas palavras que José Casanova iniciou a sua intervenção na comemoração que se realizou no centro de trabalho da Soeiro Pereira Gomes, em Lisboa, no dia 15.
Como referiu o director do jornal, «75 anos é muito tempo e estes 75 anos têm sido muito especiais: são anos de muitas lutas, de muitas dificuldades, também de muitas alegrias – daquelas alegrias que decorrem do sentimento do dever cumprido.»
«Nós temos tendência, sempre que comemoramos um aniversário do Avante!, para nos determos essencialmente nos 43 anos de vida clandestina do nosso jornal. É natural que assim seja, dada a relevância e o significado que esses 43 anos têm na vida do Avante!. Nessas mais de quatro décadas, ele foi o jornal da resistência antifascista, a voz que a censura fascista jamais silenciou, a voz dos que não tinham voz. E isso constituiu um êxito notável, um acontecimento único na história da imprensa revolucionária em todo o mundo.»
«Além disso, é sempre estimulante recordarmos o que foram esses 43 anos, a história começada nesse longínquo 15 de Fevereiro de 1931, dia em que nasceu o primeiro número do Avante! na sequência da reorganização de 1929 – uma reorganização que imprimiu ao Partido um conteúdo leninista e que, por isso mesmo, decidiu a criação do órgão central do PCP, do organizador colectivo, do agitador colectivo, do propagandista colectivo – do jornal que, porque era tudo isto, era simultaneamente um instrumento ao serviço da unidade, da coesão e do fortalecimento do Partido da classe operária e de todos os trabalhadores», referiu José Casanova.
«A história do Avante!ao longo desses 43 anos é, por tudo isto, uma história heróica. Não porque os homens e as mulheres que durante esses tempos sombrios levaram a cabo a epopeia que foi a construção do Avante! fossem seres de coragens predestinadas: mas porque eram homens e mulheres que amavam a liberdade e a justiça e, integrando o colectivo partidário, por elas lutavam assumindo os riscos inerentes; eram homens e mulheres que acreditavam num mundo novo, liberto de todas as formas de opressão e exploração e a esse objectivo dedicavam as suas vidas; eram homens e mulheres que tinham a consciência do seu papel na construção desse futuro e dignamente o assumiam; eram homens e mulheres que agiam em coerência com o que pensavam e sonhavam.»

Na legalidade

«Mas o Avante!, a história do Avante!, é também – e de que maneira! – os 32 anos de vida em liberdade, na liberdade conquistada em Abril. E é necessário sublinharmos e termos presente que estes 32 anos foram a sequência lógica dos anteriores 43», afirmou José Casanova.
«Nos dias e meses que se seguiram ao derrubamento do fascismo, o Avante! foi a voz das massas em movimento: das massas conquistando a liberdade exercendo-a; das massas avançando para as grandes conquistas revolucionárias – reforma agrária, nacionalizações, controlo operário; das massas dando os primeiros passos na construção de uma democracia avançada na qual, às componentes política, económica, social e cultural, se aliava a vertente da participação popular sem a qual não há democracia plena; das massas descobrindo que, ao contrário do que sempre lhes fora dito e imposto, tinham opinião e de que essa opinião era ouvida, contava, integrava o projecto colectivo em construção. E importa sublinhar que nenhum outro órgão de comunicação social expressou, como o Avante!, todo o exaltante processo que conduziria à consagração dessa democracia avançada, com os seus históricos avanços civilizacionais, na Constituição da República Portuguesa aprovada em 2 de Abril de 1976 – processo e avanços que fizeram da revolução de Abril o momento mais luminoso da história de Portugal», referiu.
«Também nos quase trinta anos de contra-revolução o Avante! tem cumprido o papel que lhe é exigido. Como órgão central do PCP, ele ocupou desde o início a primeira fila da luta pela defesa de Abril e dos seus ideais – luta difícil, árdua, desgastante, travada contra adversários e inimigos dispondo de recursos incomensuráveis, mas luta que continua todos os dias e todos os dias confirma a sua necessidade, a sua indispensabilidade, a sua importância determinante», salientou o dirigente do PCP. Para José Casanova, nos dias de hoje o Avante! «permanece no seu posto de combate e continua a ser a voz dos que não têm voz.»

O natural difusor

«E, camaradas, se é verdade, e é, que ao longo destes 75 anos, o Avante!tem sido sempre a voz do Partido em todas as questões relacionadas com a vida política nacional e internacional, é igualmente verdade, como não poderia deixar de ser, que também o é em relação à vida e à actividade do Partido das quais é o natural difusor. Sempre. Em todos os momentos. Nos momentos em que tudo corre bem e as coisas avançam e nos momentos mais difíceis da vida partidária interna – informando sobre a actividade do Partido, sempre, e informando sobre os problemas internos quando eles existem e isso se torna necessário».
«Comemoramos os 75 anos do Avante!, no ano em que também ocorre o 85.º aniversário do Partido, e a que decidimos chamar “ano de reforço do Partido”. Reforço orgânico, interventivo, ideológico, que, seguindo as linhas de orientação definidas pelo 17.º Congresso, conduzirá ao reforço da influência social, eleitoral e política do Partido – e que passa, entre muitas outras coisas, também pelo aumento da difusão do Avante!
«O reforço do Partido é uma tarefa da máxima prioridade para todos nós, para o colectivo partidário. E na qual o Avante! tem um papel a desempenhar. E que desempenhará. Para que o Partido, cumprindo melhor o seu papel, seja mais forte. Para que o futuro socialista e comunista chegue mais depressa», concluiu José Casanova.


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«Olh’ó <em>Avante!</em>»

Centenas de militantes comunistas saíram para as ruas, durante o final da passada semana, para vender o Avante!, por ocasião do 75.º aniversário do jornal. Com tiragem reforçada, a venda especial constituiu um assinalável êxito, confirmando-se assim as potencialidades de crescimento do jornal. Por todo o País, foram muitas as iniciativas de debate em torno da história heróica do jornal e dos seus obreiros, bem como da sua importância actual.

Ardinas militantes

O movimento do Cais do Sodré, em Lisboa, aumenta ao fim da tarde de quinta-feira. Estudantes carregam mochilas e livros, mães levam filhos ao colo, mulheres de meia idade transportam sacos nas mãos, imigrantes encasacados protegem-se do vento, tudo gente apressada que corre para o seu transporte, no fim de mais um dia de trabalho. O frio é cortado por uma voz forte: «Olh’ó Avante! É o Avante!»