Cresce a contestação ao Governo

Trabalhadores em luta

As políticas de direita do Governo PS e os comportamentos de arrogância patronal delas decorrentes estão a originar greves e lutas em vários sectores e empresas.

Os bloqueios à contratação e o desrespeito pelos trabalhadores são as causas do descontentamento

Em Sines, a greve de 24 horas, no dia 13, paralisou todas as fábricas do complexo petroquímico. Segundo a Fequimetal/CGTP-IN, a luta teve uma adesão de 90 por cento dos cerca de 600 trabalhadores, 450 dos quais das espanholas Repsol, Masa e da Intertek. Em causa estão direitos consagrados no AE, perante a intenção da administração de o fazer caducar.
Os trabalhadores lutam por um aumento mínimo de 80 euros e uma actualização do subsídio de turnos. Caso a administração recuse reconsiderar, os trabalhadores vão parar mais 24 horas, amanhã.
No dia 13, o piquete de greve foi confrontado com a chegada da GNR que, segundo a federação, teve uma atitude repressiva e ilegal, pondo em risco a segurança do complexo.
Em Aljustrel, os 47 trabalhadores afectos aos serviços mínimos de manutenção e tratamento ambiental do complexo das Pirites Alentejanas efectuaram, dia 8, uma «greve simbólica» de pouco mais de uma hora, contra a proposta de aumento salarial de 21 euros que os afasta ainda mais dos salários praticados na Somincor. O Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Mineira recordou que os trabalhadores exigem um aumento de 30 euros e a retoma da exploração de minério.
No próximo dia 23, os trabalhadores da CP, EMEF e REFER cumprem uma greve de 24 horas. Segundo o Sindicato Nacional dos Trabalhadores do Sector Ferroviário, a luta pretende forçar mudanças na política para o sector, exigir transparência na gestão e uma negociação efectiva do CCT, nomeadamente das condições de trabalho com uma valorização real de salários. Para terça-feira à tarde, os trabalhadores da EMEF, de Santa Apolónia tinham agendada uma hora de greve para discutirem a proposta da administração, que quer alterar o regime de trabalho.
Na Soflusa, as tripulações voltam à greve no dia 23, duas horas por turno, agora que a administração avançou com discriminações por motivo de filiação sindical.
Cerca de 30 enfermeiros contratados a prazo no Hospital de São João, no Porto, efectuaram, segunda-feira, uma concentração de protesto à porta da unidade contra a precariedade, anunciou o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses. Os 270 enfermeiros em causa consideram inaceitável a proposta da administração para firmarem contratos individuais a termo.
Dirigentes da Federação Nacional dos Sindicatos da Função Pública deslocaram-se, dia 9, ao Ministério da Ciência e Ensino Superior, para exigir um encontro com o ministro Mariano Gago, reunião que solicitam há oito meses sem que tenham obtido resposta. Pretendem debater as consequências da reestruturação das escolas de enfermagem, a precariedade e as condições de trabalho dos bolseiros.


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