ACAP atrasa contrato acordado

Activistas, dirigentes e delegados sindicais metalúrgicos do sector automóvel concentraram-se em Lisboa, no passado dia 5, frente à sede do grupo Santogal – que, através de Fernando Martorell, exerce a presidência da ACAP –, para reclamarem a publicação do contrato colectivo de trabalho.
A delegação da Fequimetal/CGTP-IN, mais uma vez, não foi recebida pelo presidente, que estava ausente no estrangeiro sem ter avisado os sindicatos.

Os termos do contrato colectivo estão acordados há mais de um ano, mas os representantes patronais têm arrastado o processo para a entrada em vigor, «na esperança de poderem usar o pacote laboral contra o que foi acordado com os sindicatos, no que respeita aos direitos colectivos e individuais dos trabalhadores deste sector», disse ao Avante! António Quintas. Este dirigente da federação e da CGTP contou que este é «o único dirigente patronal que nunca encontramos, recusando-se a dialogar com as estruturas representativas dos trabalhadores».

A atitude do presidente da Associação do Comércio Automóvel de Portugal foi severamente criticada pelos sindicalistas. António Quintas salientou que, «se os patrões pensam que os trabalhadores vão passar a trabalhar cinquenta horas semanais, quase a receberem o mesmo, estão muito enganados», pois «qualquer que seja o desfecho do pacote laboral, a aplicação dos seus objectivos não vai ser tão pacífica como estão a pensar». «Só mentalidades retrógadas podem pensar que são capazes de resolver os problemas todos das empresas à custa do aumento da exploração dos trabalhadores», acusou o dirigente da Fequimetal.

Os problemas do desenvolvimento e da produtividade só podem ser resolvidos com um aumento de investimento tecnológico, à semelhança do que se fez e faz em países desenvolvidos, «onde se ganha e produz muito mais do que em Portugal, não porque trabalham mais ou melhor que nós, mas porque estão muito mais avançados tecnologicamente». António Quintas imputa a culpa do atraso português muito mais à mentalidade retrógada do grande patronato, que «se habituou a viver à custa dos dinheiros públicos e a nada investir, e considera ser possível explorar os trabalhadores até não sobrar uma réstea de força».

Na concentração frente à sede patronal ficou perspectivada a possibilidade de voltar a realizar acções de luta brevemente, de novo à porta da Santogal (de que faz parte a Mocar, que Fernando Martorell representa na ACAP). «Voltaremos cá as vezes que forem precisas, assumindo as nossas responsabilidades», concluiu António Quintas.


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