O rei vai nu
Um comportamento autista, arrogante e autoritário, movido não pela missão de apoiar a criação cultural mas pela necessidade de satisfazer clientelas políticas.
Governo revela incapacidade para o diálogo
É esta a ideia, em síntese, que o Grupo Parlamentar do PCP tem sobre o desempenho do Governo na área da Cultura.
Na passada semana, em declaração política proferida em nome da sua bancada, foi esta visão muito crítica que a deputada comunista Luísa Mesquita levou a plenário quanto à actuação de Isabel Pires de Lima, ministra da Cultura, quer no tocante à substância da sua política quer ao estilo.
Os mais recentes episódios envolvendo o Teatro Nacional D. Maria II, com a exoneração do seu director, a juntar a vários outros factos ocorridos nos últimos meses, vêm demonstrar como o Governo «sofre de um excesso de auto-iluminação, que o cega, alicerçado em verdades únicas e incontestáveis, de ausência de humildade democrática e de incapacidade para o diálogo».
Repúdio geral
Acusando o Executivo de Sócrates de confundir legitimidade democrática com autoritarismo, a parlamentar comunista repudiou as manobras dos que, de «curtas vistas», numa referência directa à equipa responsável pela Cultura, pensam que «dominada a gestão, controlada fica a criação», fazendo também
da «intimidação e da divisão, reino para reinar».
Não admira, por isso, a onda de incompreensão e indignação - «levantamento geral», assim lhe chamou Luísa Mesquita - pela decisão do Executivo em relação ao Teatro D. Maria II, num movimento de repúdio que juntou a uma só voz gente dos mais variados quadrantes. E foi a missiva por aqueles enviada ao Primeiro-Ministro que Luísa Mesquita trouxe à colação, citando, entre outras, a passagem onde se afirma: «dez meses depois da tomada de posse, não descortinamos um pensamento, não vemos uma estratégia, não vemos trabalho, não vemos direcção – vemos hesitações, decisões precipitadas, nomeações incompreensíveis, linhas de acção contraditórias».
Silêncio de chumbo
O que levou a deputada do PCP a considerar que «o rei vai nu», ainda que o Governo esteja convicto «que ninguém dará pelo facto», numa alusão ao que tem sido o permanente silêncio do Governo quer às críticas quer às interpelações a que é sujeito.
Ocupadíssimos como têm andado nas mudanças de administração e de chefia nas mais variadas entidades (delegações regionais, Torre do Tombo, Instituto Português de Livro e das Bibliotecas, Instituto Português do Património Arquitectónico, Instituto das Artes, Biblioteca Nacional, Instituto do Cinema e Audiovisual e Multimédia, Centro Cultural de Belém, entre outros), não admira, pois, que ao Governo «falte tempo para trabalhar, a sério, em diálogo com os parceiros, numa área que a governação prefere votar ao esquecimento e ao sub-financiamento», observou ainda Luísa Mesquita, para quem reside aqui, também, a explicação para o incumprimento dos diplomas legais que consagram apoios à música, à dança e ao teatro, bem como para a não abertura de concursos a que a tutela estava obrigada.
Realidade desmente ministra
A ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima, afirmou no Parlamento, faz hoje uma semana, no dia seguinte à declaração política do PCP, que a demissão da direcção do Teatro Nacional D. Maria II (TNDM) se deveu ao incumprimento da missão de serviço público naquela entidade.
Falando na Comissão Parlamentar de Educação, Ciência e Cultura, a ministra da Cultura justificou a sua decisão dizendo que aquele teatro «já não cumpria a sua missão de serviço público». Referiu mesmo estar na posse de «indicadores preocupantes quanto ao número de espectáculos e ocupação de salas».
Ora a verdade é que os argumentos invocados pela responsável da pasta da Cultura caem pela base quando confrontado com a realidade. O que esta mostra, como na véspera pusera em evidência a deputada comunista Luísa Mesquita, referindo-se a números relativos a 2005, é que o Teatro Nacional D. Maria II apresentou 216 espectáculos e 115 outros eventos, abrangendo um universo de 41.231 espectadores. Dados relativos ao ano passado revelam ainda que foram 43 os espectáculos realizados fora de Lisboa, cifrando-se a taxa de ocupação nos 65,2 por cento, considerando os espectáculos apresentados. As receitas de bilheteira, por seu lado, registaram um aumento de 17,3 por cento relativamente a 2004.
Na passada semana, em declaração política proferida em nome da sua bancada, foi esta visão muito crítica que a deputada comunista Luísa Mesquita levou a plenário quanto à actuação de Isabel Pires de Lima, ministra da Cultura, quer no tocante à substância da sua política quer ao estilo.
Os mais recentes episódios envolvendo o Teatro Nacional D. Maria II, com a exoneração do seu director, a juntar a vários outros factos ocorridos nos últimos meses, vêm demonstrar como o Governo «sofre de um excesso de auto-iluminação, que o cega, alicerçado em verdades únicas e incontestáveis, de ausência de humildade democrática e de incapacidade para o diálogo».
Repúdio geral
Acusando o Executivo de Sócrates de confundir legitimidade democrática com autoritarismo, a parlamentar comunista repudiou as manobras dos que, de «curtas vistas», numa referência directa à equipa responsável pela Cultura, pensam que «dominada a gestão, controlada fica a criação», fazendo também
da «intimidação e da divisão, reino para reinar».
Não admira, por isso, a onda de incompreensão e indignação - «levantamento geral», assim lhe chamou Luísa Mesquita - pela decisão do Executivo em relação ao Teatro D. Maria II, num movimento de repúdio que juntou a uma só voz gente dos mais variados quadrantes. E foi a missiva por aqueles enviada ao Primeiro-Ministro que Luísa Mesquita trouxe à colação, citando, entre outras, a passagem onde se afirma: «dez meses depois da tomada de posse, não descortinamos um pensamento, não vemos uma estratégia, não vemos trabalho, não vemos direcção – vemos hesitações, decisões precipitadas, nomeações incompreensíveis, linhas de acção contraditórias».
Silêncio de chumbo
O que levou a deputada do PCP a considerar que «o rei vai nu», ainda que o Governo esteja convicto «que ninguém dará pelo facto», numa alusão ao que tem sido o permanente silêncio do Governo quer às críticas quer às interpelações a que é sujeito.
Ocupadíssimos como têm andado nas mudanças de administração e de chefia nas mais variadas entidades (delegações regionais, Torre do Tombo, Instituto Português de Livro e das Bibliotecas, Instituto Português do Património Arquitectónico, Instituto das Artes, Biblioteca Nacional, Instituto do Cinema e Audiovisual e Multimédia, Centro Cultural de Belém, entre outros), não admira, pois, que ao Governo «falte tempo para trabalhar, a sério, em diálogo com os parceiros, numa área que a governação prefere votar ao esquecimento e ao sub-financiamento», observou ainda Luísa Mesquita, para quem reside aqui, também, a explicação para o incumprimento dos diplomas legais que consagram apoios à música, à dança e ao teatro, bem como para a não abertura de concursos a que a tutela estava obrigada.
Realidade desmente ministra
A ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima, afirmou no Parlamento, faz hoje uma semana, no dia seguinte à declaração política do PCP, que a demissão da direcção do Teatro Nacional D. Maria II (TNDM) se deveu ao incumprimento da missão de serviço público naquela entidade.
Falando na Comissão Parlamentar de Educação, Ciência e Cultura, a ministra da Cultura justificou a sua decisão dizendo que aquele teatro «já não cumpria a sua missão de serviço público». Referiu mesmo estar na posse de «indicadores preocupantes quanto ao número de espectáculos e ocupação de salas».
Ora a verdade é que os argumentos invocados pela responsável da pasta da Cultura caem pela base quando confrontado com a realidade. O que esta mostra, como na véspera pusera em evidência a deputada comunista Luísa Mesquita, referindo-se a números relativos a 2005, é que o Teatro Nacional D. Maria II apresentou 216 espectáculos e 115 outros eventos, abrangendo um universo de 41.231 espectadores. Dados relativos ao ano passado revelam ainda que foram 43 os espectáculos realizados fora de Lisboa, cifrando-se a taxa de ocupação nos 65,2 por cento, considerando os espectáculos apresentados. As receitas de bilheteira, por seu lado, registaram um aumento de 17,3 por cento relativamente a 2004.