O desprezo pelo povo
A recente escalada de aumentos em bens e serviços sociais em paralelo com a proposta de actualização salarial de 1,5 por cento revelam bem a natureza das opções que animam o Governo.
Esta política agrava as desigualdades e a injustiça social
É o tomar partido pelos poderosos, a quem o Executivo de Sócrates trata com desvelo, em detrimento dos trabalhadores e da grande maioria dos portugueses, aos quais reserva apenas desprezo e indiferença, acusa o Grupo Parlamentar do PCP.
Este foi, no fundo, o mote que marcou a declaração política proferida em nome da sua bancada, numa das sessões plenárias da passada semana, pelo deputado comunista Honório Novo.
O país das desigualdades
Uma intervenção em que não foram poupadas críticas à ambivalência que leva o Governo a considerar normal que para os chamados quadros de topo, segundo as previsões de consultoras internacionais, os aumentos salariais se situem na casa dos nove por cento, enquanto, por outro lado, para a generalidade dos trabalhadores, a palavra de ordem seja apertar o cinto, o que se traduz numa contínua perda de poder de compra e num agravar da injusta repartição da riqueza, «tudo sob a capa mistificadora da moderação salarial e da necessidade de garantir competitividade à economia».
Por isso Honório Novo não teve dúvidas em concluir que é nesta política que residem os factores que explicam o agravamento das desigualdades e da injustiça social. Disso é testemunho, exemplificou, o facto de Portugal ser o país onde apenas 40 % do PIB é afecto às remunerações dos trabalhadores, contra os 50 % existente na generalidade da União Europeia, para além de sermos o país onde os salários médio e mínimos são os mais baixos da União a quinze, sem falar no facto de continuarmos a ter as mais baixas reformas, a mais alta taxa de pobreza e onde é maior o fosso entre os dez por cento mais ricos e os dez por cento mais pobres.
Cumplicidade do Governo
Verberada com dureza pelo parlamentar do PCP foi, ainda, noutro plano, a política de privatizações, que delapida património público, transferindo-o, de forma directa ou indirecta, a curto ou a médio prazo, «para mãos estrangeiras, espanholas ou outras».
Sem reparo, a este propósito, não passou a recente recomposição dos órgãos de direcção da EDP, o que, do ponto de vista do Grupo comunista, para além de encerrar «aspectos éticos absolutamente inaceitáveis», veio evidenciar a «cumplicidade e apoio» do Governo à criação de condições para que mais uma grande empresa nacional possa ser mais rapidamente transferida para mãos estrangeiras. «Trata-se de concretizar uma estratégia de abrir a porta do galinheiro à raposa», denunciou Honório Novo, muito crítico, simultaneamente, quanto ao que considerou ser a hipocrisia do PSD e do CDS/PP em matéria de privatizações.
Recorde-se que aqueles partidos exigiram no início da passada semana explicações do executivo sobre a possível
entrada da eléctrica espanhola Iberdrola, presidida no nosso País por Pina Moura, nos órgãos sociais da EDP.
Lucros que ofendem
Não obstante a crise – e nalguns casos até por consequência desta - são enormes, escandalosamente enormes, os lucros do sector bancário e dos grandes grupos económicos, mesmo daqueles que prestam serviços públicos ou serviços essenciais ao País.
Lembrados pela bancada comunista foram alguns desses dados que constituem uma afronta a quem vive o drama do desemprego, está sujeito a uma remuneração incerta, tem um salário que mal chega ao fim do mês ou sobrevive com uma reforma de miséria.
Só na EDP, Brisa, Galp e PT os lucros consolidados, em 2004, foram superiores a 1.500 milhões de euros. No Totta, BCP e BES, por seu lado, nos primeiros nove meses de 2005, os resultados líquidos aproximam-se dos mil milhões.
Maior injustiça social
Os recentes aumentos de serviços e bens essenciais constituem mais um factor de agravamento da injustiça social. Aumentos, muitos deles – ao contrário do que sucede com os salários - para os quais não há nem referências nem limites, como observou Honório Novo.
É o pão que aumenta 10%; são as portagens que sobem bem acima da média anunciada de 2,8%; são os aumentos da electricidade doméstica e dos inaceitáveis aumentos do custo da energia eléctrica para as empresas; são os aumentos das taxas moderadoras que podem ir até aos 9%, ou dos medicamentos com o fim da majoração nos genéricos e da comparticipação a 100% para muitas doenças crónicas.
São os sucessivos aumentos dos transportes (nos últimos oito meses ocorreram quatro agravamentos) a que se junta um novo aumente de mais 2,3%; é o aumento médio das propinas em 11,5%; é o aumento do gás em mais 8,3%, é o aumento das taxas de juro, com sérias implicações quer para economia do País quer para a economia das famílias, a braços com um agravamento que, desde já, pode fazer disparar em 10% as prestações mensais dos empréstimos para a compra de habitação.
Este foi, no fundo, o mote que marcou a declaração política proferida em nome da sua bancada, numa das sessões plenárias da passada semana, pelo deputado comunista Honório Novo.
O país das desigualdades
Uma intervenção em que não foram poupadas críticas à ambivalência que leva o Governo a considerar normal que para os chamados quadros de topo, segundo as previsões de consultoras internacionais, os aumentos salariais se situem na casa dos nove por cento, enquanto, por outro lado, para a generalidade dos trabalhadores, a palavra de ordem seja apertar o cinto, o que se traduz numa contínua perda de poder de compra e num agravar da injusta repartição da riqueza, «tudo sob a capa mistificadora da moderação salarial e da necessidade de garantir competitividade à economia».
Por isso Honório Novo não teve dúvidas em concluir que é nesta política que residem os factores que explicam o agravamento das desigualdades e da injustiça social. Disso é testemunho, exemplificou, o facto de Portugal ser o país onde apenas 40 % do PIB é afecto às remunerações dos trabalhadores, contra os 50 % existente na generalidade da União Europeia, para além de sermos o país onde os salários médio e mínimos são os mais baixos da União a quinze, sem falar no facto de continuarmos a ter as mais baixas reformas, a mais alta taxa de pobreza e onde é maior o fosso entre os dez por cento mais ricos e os dez por cento mais pobres.
Cumplicidade do Governo
Verberada com dureza pelo parlamentar do PCP foi, ainda, noutro plano, a política de privatizações, que delapida património público, transferindo-o, de forma directa ou indirecta, a curto ou a médio prazo, «para mãos estrangeiras, espanholas ou outras».
Sem reparo, a este propósito, não passou a recente recomposição dos órgãos de direcção da EDP, o que, do ponto de vista do Grupo comunista, para além de encerrar «aspectos éticos absolutamente inaceitáveis», veio evidenciar a «cumplicidade e apoio» do Governo à criação de condições para que mais uma grande empresa nacional possa ser mais rapidamente transferida para mãos estrangeiras. «Trata-se de concretizar uma estratégia de abrir a porta do galinheiro à raposa», denunciou Honório Novo, muito crítico, simultaneamente, quanto ao que considerou ser a hipocrisia do PSD e do CDS/PP em matéria de privatizações.
Recorde-se que aqueles partidos exigiram no início da passada semana explicações do executivo sobre a possível
entrada da eléctrica espanhola Iberdrola, presidida no nosso País por Pina Moura, nos órgãos sociais da EDP.
Lucros que ofendem
Não obstante a crise – e nalguns casos até por consequência desta - são enormes, escandalosamente enormes, os lucros do sector bancário e dos grandes grupos económicos, mesmo daqueles que prestam serviços públicos ou serviços essenciais ao País.
Lembrados pela bancada comunista foram alguns desses dados que constituem uma afronta a quem vive o drama do desemprego, está sujeito a uma remuneração incerta, tem um salário que mal chega ao fim do mês ou sobrevive com uma reforma de miséria.
Só na EDP, Brisa, Galp e PT os lucros consolidados, em 2004, foram superiores a 1.500 milhões de euros. No Totta, BCP e BES, por seu lado, nos primeiros nove meses de 2005, os resultados líquidos aproximam-se dos mil milhões.
Maior injustiça social
Os recentes aumentos de serviços e bens essenciais constituem mais um factor de agravamento da injustiça social. Aumentos, muitos deles – ao contrário do que sucede com os salários - para os quais não há nem referências nem limites, como observou Honório Novo.
É o pão que aumenta 10%; são as portagens que sobem bem acima da média anunciada de 2,8%; são os aumentos da electricidade doméstica e dos inaceitáveis aumentos do custo da energia eléctrica para as empresas; são os aumentos das taxas moderadoras que podem ir até aos 9%, ou dos medicamentos com o fim da majoração nos genéricos e da comparticipação a 100% para muitas doenças crónicas.
São os sucessivos aumentos dos transportes (nos últimos oito meses ocorreram quatro agravamentos) a que se junta um novo aumente de mais 2,3%; é o aumento médio das propinas em 11,5%; é o aumento do gás em mais 8,3%, é o aumento das taxas de juro, com sérias implicações quer para economia do País quer para a economia das famílias, a braços com um agravamento que, desde já, pode fazer disparar em 10% as prestações mensais dos empréstimos para a compra de habitação.