Faleceu António Simões de Abreu
Faleceu na terça-feira, 13 de Dezembro, com 82 anos, António Horácio Simões de Abreu, militante do PCP e destacado democrata e resistente antifascista.
O regime fascista impediu-o de prosseguir como docente no IST.
Engenheiro electrónico e professor do ensino superior, António Simões de Abreu tinha acabado de receber, no dia 2 de Dezembro, do Dr. José Bragança, em representação do Presidente da República, as insígnias de Comendador da Ordem da Liberdade. Encontrava-se na altura já internado no Hospital Curry Cabral, onde viria a falecer.
Ainda jovem, quando frequentava o Liceu do Carmo, foi aluno de Alberto Araújo, militante do PCP, falecido na sequência de prisão do Tarrafal. Posteriormente, no Liceu Pedro Nunes, completou o liceu com a mais alta classificação em matemática a nível nacional mas o então Presidente da República Carmona recusou-lhe o prémio que lhe era devido por não ser filiado na Mocidade Portuguesa.
Tendo concluído o curso de Engenharia Electrónica à custa das explicações que dava – era órfão de pai e mãe – recebeu enquanto estudante o prémio «Mira Fernandes», chegando a ser assistente, no decurso do seu 4º ano, de Ferreira de Macedo no IST, docência que o regime fascista viria a impedir. Só no final dos anos 60, voltou a ser reintegrado no IST.
A sua actividade política mereceu-lhe seis prisões, num total de dois anos e meio, tendo sido vítima, no decurso de uma delas, de isolamento nos «curros», de espancamentos e de tortura do sono.
Tendo aderido ao PCP em 1942, nas Juventudes Comunistas, integrou com outros destacados antifascistas, de finais de 1946 até 1948, a Comissão Central do MUD-Juvenil e, mais tarde, do Movimento Nacional Democrático e do Movimento de Unidade Antifascista. Participou nas campanhas políticas de Norton de Matos (1948), de Ruy Luís Gomes (1951) e de Cunha Leal, Arlindo Vicente e Humberto Delgado – de quem foi activo colaborador e amigo (1958).
Publicou um livro sobre «Números e Variáveis Complexas, as Lições de Métodos Numéricos e Matemática Aplicada à Electrotecnia» e um outro sobre episódios da resistência antifascista.
No próprio dia da sua morte, o Secretariado do Comité Central do PCP divulgou uma nota à comunicação social, onde recorda o passado deste destacado militante que, desde 1942, sempre se manteve fiel ao PCP e «às suas convicções e princípios, a que aderiu quando era ainda muito jovem e aos quais dedicou grande parte da sua vida.
Evocando todo o seu passado antifascista, o Secretariado do Comité Central destaca-o como um dos negociadores do Acordo que levou à fusão das candidaturas de Arlindo Vicente e de Humberto Delgado.
O seu corpo esteve em câmara ardente na Casa Mortuária da Igreja de S. João de Deus, por onde passaram inúmeros dirigentes comunistas e centenas de militantes e outros democratas, que quiseram, com esse gesto, prestar-lhe uma última e merecida homenagem.
Uma manifestação de pesar
No funeral de António Simões de Abreu, que se realizou no dia 15 de Dezembro, no Cemitério do Lumiar, para além dos seus familiares e amigos, estiveram presentes Jerónimo de Sousa e outros dirigentes do PCP, como Francisco Lopes, José Casanova, Agostinho Lopes, Dias Coelho, Carlos Carvalhas, Domingos Abrantes, José Soeiro, António Filipe e muitos outros camaradas e organizações do Partido.
A acompanhar o funeral estiveram também personalidades como Urbano Tavares Rodrigues, António Borges Coelho, Fernando Seara, Vasco Lourenço, Iva Delgado, Mariano Gago, Pedro Serra, João Gil, Ribeiro Cardoso e Varela Gomes.
Nele fizeram-se, ainda, representar a Associação 25 de Abril, a Intervenção Democrática, a Voz do Operário, a URAP, vereadores e gabinete do PCP na CML, as empresas EGEAC e Parques de Sintra-Monte da Lua, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, a Assembleia Municipal e dirigentes e técnicos de departamentos da CML, o Sindicato dos Professores da Grande Lisboa, a Escola Secundária Marquês do Pombal. Presentes, também, uma representação do Governo Militar de Lisboa e professores da Escola Náutica.
Na sua despedida, usaram da palavra os seus quatro netos – que salientaram o seu exemplo – e Albano Nunes, membro da Comissão Política do PCP que, em nome do seu Partido, proferiu uma breve e sentida intervenção, destacando o valor de António Simões de Abreu enquanto homem e lutador incansável pela liberdade e democracia.
António Simões Abreu era pai de António Abreu, membro do Comité Central do PCP e ex-vereador da Câmara Municipal de Lisboa.
Ainda jovem, quando frequentava o Liceu do Carmo, foi aluno de Alberto Araújo, militante do PCP, falecido na sequência de prisão do Tarrafal. Posteriormente, no Liceu Pedro Nunes, completou o liceu com a mais alta classificação em matemática a nível nacional mas o então Presidente da República Carmona recusou-lhe o prémio que lhe era devido por não ser filiado na Mocidade Portuguesa.
Tendo concluído o curso de Engenharia Electrónica à custa das explicações que dava – era órfão de pai e mãe – recebeu enquanto estudante o prémio «Mira Fernandes», chegando a ser assistente, no decurso do seu 4º ano, de Ferreira de Macedo no IST, docência que o regime fascista viria a impedir. Só no final dos anos 60, voltou a ser reintegrado no IST.
A sua actividade política mereceu-lhe seis prisões, num total de dois anos e meio, tendo sido vítima, no decurso de uma delas, de isolamento nos «curros», de espancamentos e de tortura do sono.
Tendo aderido ao PCP em 1942, nas Juventudes Comunistas, integrou com outros destacados antifascistas, de finais de 1946 até 1948, a Comissão Central do MUD-Juvenil e, mais tarde, do Movimento Nacional Democrático e do Movimento de Unidade Antifascista. Participou nas campanhas políticas de Norton de Matos (1948), de Ruy Luís Gomes (1951) e de Cunha Leal, Arlindo Vicente e Humberto Delgado – de quem foi activo colaborador e amigo (1958).
Publicou um livro sobre «Números e Variáveis Complexas, as Lições de Métodos Numéricos e Matemática Aplicada à Electrotecnia» e um outro sobre episódios da resistência antifascista.
No próprio dia da sua morte, o Secretariado do Comité Central do PCP divulgou uma nota à comunicação social, onde recorda o passado deste destacado militante que, desde 1942, sempre se manteve fiel ao PCP e «às suas convicções e princípios, a que aderiu quando era ainda muito jovem e aos quais dedicou grande parte da sua vida.
Evocando todo o seu passado antifascista, o Secretariado do Comité Central destaca-o como um dos negociadores do Acordo que levou à fusão das candidaturas de Arlindo Vicente e de Humberto Delgado.
O seu corpo esteve em câmara ardente na Casa Mortuária da Igreja de S. João de Deus, por onde passaram inúmeros dirigentes comunistas e centenas de militantes e outros democratas, que quiseram, com esse gesto, prestar-lhe uma última e merecida homenagem.
Uma manifestação de pesar
No funeral de António Simões de Abreu, que se realizou no dia 15 de Dezembro, no Cemitério do Lumiar, para além dos seus familiares e amigos, estiveram presentes Jerónimo de Sousa e outros dirigentes do PCP, como Francisco Lopes, José Casanova, Agostinho Lopes, Dias Coelho, Carlos Carvalhas, Domingos Abrantes, José Soeiro, António Filipe e muitos outros camaradas e organizações do Partido.
A acompanhar o funeral estiveram também personalidades como Urbano Tavares Rodrigues, António Borges Coelho, Fernando Seara, Vasco Lourenço, Iva Delgado, Mariano Gago, Pedro Serra, João Gil, Ribeiro Cardoso e Varela Gomes.
Nele fizeram-se, ainda, representar a Associação 25 de Abril, a Intervenção Democrática, a Voz do Operário, a URAP, vereadores e gabinete do PCP na CML, as empresas EGEAC e Parques de Sintra-Monte da Lua, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, a Assembleia Municipal e dirigentes e técnicos de departamentos da CML, o Sindicato dos Professores da Grande Lisboa, a Escola Secundária Marquês do Pombal. Presentes, também, uma representação do Governo Militar de Lisboa e professores da Escola Náutica.
Na sua despedida, usaram da palavra os seus quatro netos – que salientaram o seu exemplo – e Albano Nunes, membro da Comissão Política do PCP que, em nome do seu Partido, proferiu uma breve e sentida intervenção, destacando o valor de António Simões de Abreu enquanto homem e lutador incansável pela liberdade e democracia.
António Simões Abreu era pai de António Abreu, membro do Comité Central do PCP e ex-vereador da Câmara Municipal de Lisboa.