Lutar em campo aberto...
Vamos ter, em breve, as «presidenciais». Excelente altura para se falar no que tem sido silenciado. Podemos, agora, lutar em campo aberto. Mesmo quando as forças em presença - a exemplo da hierarquia católica, da banca ou dos grandes lobbies - se pretendem sensíveis e recatadas, enquanto desmontam o aparelho do Estado. Sempre na sombra, sempre ostensivamente apartidárias.
Esta estratégia tem dado os seus frutos. Serviu para ganhar tempo e retocar a imagem. A única forma de combatê-la é falar-se abertamente, em português corrente. É desmontar os mitos que quase paralisam as mãos do nosso povo. É varrer o pó das velhas prateleiras onde arrumámos histórias de fadas e contos de encantar, como a lenda do cantinho lusitano ou a lengalenga da auto-estima, tão do agrado livresco do erudito Jorge Sampaio que dentro em pouco deixará Belém. É preciso lutar, resistir e vencer.
As elites são genericamente corruptas e essa corrupção começa por se retratar nas suas próprias opções. Discursos políticos como os dos ministros de um governo que se apresenta como socialista, são em si mesmos actos de corrupção. O governo de Sócrates chora lágrimas de crocodilo sobre os sacrifícios que é obrigado a fazer no altar da Pátria e o forçam à negação das promessas afirmadas no seu programa de governação ou à omissão dos seus proclamados ideais de justiça social. Os socialistas bem querem mas não podem. Não há dinheiro. A Europa vigia-nos, o FMI obriga o Estado português a cortes sobre cortes na área social. É preciso apertar o cinto e agradar ao amigo americano, não se vá ele zangar connosco...
Enquanto os pobres apertam o cinto e se afundam no pântano da miséria, os lucros líquidos das 500 maiores empresas não financeiras instaladas no país aumentaram, só nos últimos três anos, 87%; apenas num exercício, os quatro principais bancos privados declararam lucros de 84 milhões de euros; a economia subterrânea movimentou 31 mil milhões de euros; e o Governo gaba-se de ter poupado fortunas nos cortes orçamentais às autarquias, no congelamento das carreiras, na venda aos privados de grossas fatias do património, na reactivação da função dos excedentários e nos mega-negócios que vai fechando na Saúde, nas privatizações ou na Segurança Social.
Este contínuo resvalar no sentido da rendição total aos interesses do grande capital já vem de longe, dos anos em que Mário Soares e outros euro-socialistas promoveram a adesão cega à CEE, a subordinação à moeda única ou desde quando, já com Cavaco Silva como primeiro-ministro, consentiram em liberalizar e em grande parte financiar a entrada das multinacionais vagabundas no nosso país.
Igreja de outras eras, igreja de sempre ...
Seria erro grave pensar-se que, no actual quadro social (ou em qualquer outro) a hierarquia católica, bem como a imensa maioria do clero religioso, pudessem mudar os rumos da sua visão sociológica. Sobretudo agora, quando o Vaticano insiste na radicalização das suas posições quanto aos problemas internos da igreja. Por entre uma sociedade humana em derrocada, o que aparentemente lhe interessa é a questão da afluência às missas, a consagração de novos santos ou a manutenção do controlo sobre a condição das mulheres, do divórcio dos casais, do celibato dos padres e do «faz-de-conta» que envolve a fábula do Ecumenismo.
É, entretanto, bem claro que a realidade é outra. O Vaticano fundiu-se com o capitalismo, a tal ponto que são já indistrinçáveis. Mas vela para que essa intimidade seja coberta pela rígida regra do silêncio. É o caso do recente Sínodo dos Bispos e é também o que explica os mutismos católicos no momento político português. O Opus Dei e a Igreja Carismática é como se não existissem na intriga política e financeira nacional. A Comunicação Social tudo branqueia. Nunca as estruturas religiosas são citadas nas peripécias e nos escândalos mais crus que envolvem as elites dominantes. Aí, a Igreja recolhe-se e olha para o Céu.
Porém, se observarmos o que se passa nesta fase de pré-campanha das presidenciais, logo constatamos que as estruturas mais reaccionárias que rapidamente vão formando o núcleo duro da candidatura de Cavaco Silva, têm procedências comuns. Todos os seus membros são quadros superiores dos lobbies financeiros, das centrais empresariais, do carreirismo político ou estão ligados às estruturas da NATO, do FMI, dos homens de Davos e Bilderberg, etc. Todos eles, igualmente, são bons católicos e militam em estruturas da igreja.
Uma vez mais, deve ser ressalvado que falar-se em Igreja não significa apontar todos os Católicos. A esses, respeitamos como cidadãos e como crentes. Com esses devemos trabalhar e dizer-lhes o que queremos e a que vimos.
Esta estratégia tem dado os seus frutos. Serviu para ganhar tempo e retocar a imagem. A única forma de combatê-la é falar-se abertamente, em português corrente. É desmontar os mitos que quase paralisam as mãos do nosso povo. É varrer o pó das velhas prateleiras onde arrumámos histórias de fadas e contos de encantar, como a lenda do cantinho lusitano ou a lengalenga da auto-estima, tão do agrado livresco do erudito Jorge Sampaio que dentro em pouco deixará Belém. É preciso lutar, resistir e vencer.
As elites são genericamente corruptas e essa corrupção começa por se retratar nas suas próprias opções. Discursos políticos como os dos ministros de um governo que se apresenta como socialista, são em si mesmos actos de corrupção. O governo de Sócrates chora lágrimas de crocodilo sobre os sacrifícios que é obrigado a fazer no altar da Pátria e o forçam à negação das promessas afirmadas no seu programa de governação ou à omissão dos seus proclamados ideais de justiça social. Os socialistas bem querem mas não podem. Não há dinheiro. A Europa vigia-nos, o FMI obriga o Estado português a cortes sobre cortes na área social. É preciso apertar o cinto e agradar ao amigo americano, não se vá ele zangar connosco...
Enquanto os pobres apertam o cinto e se afundam no pântano da miséria, os lucros líquidos das 500 maiores empresas não financeiras instaladas no país aumentaram, só nos últimos três anos, 87%; apenas num exercício, os quatro principais bancos privados declararam lucros de 84 milhões de euros; a economia subterrânea movimentou 31 mil milhões de euros; e o Governo gaba-se de ter poupado fortunas nos cortes orçamentais às autarquias, no congelamento das carreiras, na venda aos privados de grossas fatias do património, na reactivação da função dos excedentários e nos mega-negócios que vai fechando na Saúde, nas privatizações ou na Segurança Social.
Este contínuo resvalar no sentido da rendição total aos interesses do grande capital já vem de longe, dos anos em que Mário Soares e outros euro-socialistas promoveram a adesão cega à CEE, a subordinação à moeda única ou desde quando, já com Cavaco Silva como primeiro-ministro, consentiram em liberalizar e em grande parte financiar a entrada das multinacionais vagabundas no nosso país.
Igreja de outras eras, igreja de sempre ...
Seria erro grave pensar-se que, no actual quadro social (ou em qualquer outro) a hierarquia católica, bem como a imensa maioria do clero religioso, pudessem mudar os rumos da sua visão sociológica. Sobretudo agora, quando o Vaticano insiste na radicalização das suas posições quanto aos problemas internos da igreja. Por entre uma sociedade humana em derrocada, o que aparentemente lhe interessa é a questão da afluência às missas, a consagração de novos santos ou a manutenção do controlo sobre a condição das mulheres, do divórcio dos casais, do celibato dos padres e do «faz-de-conta» que envolve a fábula do Ecumenismo.
É, entretanto, bem claro que a realidade é outra. O Vaticano fundiu-se com o capitalismo, a tal ponto que são já indistrinçáveis. Mas vela para que essa intimidade seja coberta pela rígida regra do silêncio. É o caso do recente Sínodo dos Bispos e é também o que explica os mutismos católicos no momento político português. O Opus Dei e a Igreja Carismática é como se não existissem na intriga política e financeira nacional. A Comunicação Social tudo branqueia. Nunca as estruturas religiosas são citadas nas peripécias e nos escândalos mais crus que envolvem as elites dominantes. Aí, a Igreja recolhe-se e olha para o Céu.
Porém, se observarmos o que se passa nesta fase de pré-campanha das presidenciais, logo constatamos que as estruturas mais reaccionárias que rapidamente vão formando o núcleo duro da candidatura de Cavaco Silva, têm procedências comuns. Todos os seus membros são quadros superiores dos lobbies financeiros, das centrais empresariais, do carreirismo político ou estão ligados às estruturas da NATO, do FMI, dos homens de Davos e Bilderberg, etc. Todos eles, igualmente, são bons católicos e militam em estruturas da igreja.
Uma vez mais, deve ser ressalvado que falar-se em Igreja não significa apontar todos os Católicos. A esses, respeitamos como cidadãos e como crentes. Com esses devemos trabalhar e dizer-lhes o que queremos e a que vimos.