Trafalgar(21/10/1805) transformou o mundo
A batalha de Trafalgar teve lugar a 21 de Outubro de 1805. Frente a frente, as esquadras principais daquelas que eram as maiores potências navais da época. Coligadas, a França e a Espanha procuravam impedir a Grã-Bretanha de exercer o domínio dos oceanos. Londres, pelo contrário, carecia de navegar livremente para chegar a todas as partes do Império e desenvolver o seu comércio e a sua expansão no mundo. A Grã-Bretanha possuía uma já longa tradição marítima (tal como a Espanha) mas no campo francês, Napoleão tinha dúvidas quanto à capacidade militar dos seus almirantes e ao sistema de construção naval, desde há muito adoptado, que era considerado inferior ao inglês cujos navios de quilha funda permitiam melhores operações náuticas e já tinham garantido importantes vitórias.
A batalha produziu-se no contexto de um conflito que estava a ensanguentar a Europa. De um lado, Napoleão, em parte armado com a ideologia da Revolução francesa, procurava o domínio do mundo contra a resistência das velhas monarquias decadentes e o não menos decadente poder do Papa. Do outro, a Grã-Bretanha, em cujo seio a Revolução Industrial estava em marcha. Senhora de um vasto Império que se alargava a, praticamente, todos os continentes, tentava impor as suas concepções comerciais e os seus avanços técnicos ainda mal conhecidos. Os britânicos, naturalmente, não dispunham de forças militares com potencial suficiente para poderem enfrentar o imperador dos franceses. O mar e a esquadra eram as suas armas fundamentais além de que o povo das «pérfidas Ilhas» não estaria preparado para deixar-se vencer por uma invasão de três exércitos com os quais Napoleão os vinha ameaçando. Os ingleses, entretanto, incitavam as outras potências europeias (Áustria, Prússia, Suécia e Rússia) a que travassem a guerra contra o imperador francês, o que acabaria por suceder. Neste contexto, a grande vítima era a nação portuguesa que não desejava separar-se da sua tradicional aliada, a Grã-Bretanha, e sofria pressões imensas dos partidários de Napoleão e do próprio governo de Paris.
A 30 de Março de 1805, a principal esquadra francesa, comandada por Villeneuve, saía de Toulon e a espanhola, sob o comando do almirante Gravina, abandonava o tradicional refúgio de Cádis para se lhe juntar. A missão consistia em desviar Nelson para as Antilhas permitindo, assim, o desbloquear do porto de Brest e a criação de espaço de manobra no Canal da Mancha. Mas toda a operação se revelou incipiente. Villeneuve e Gravina confrontaram-se com os ingleses ao largo do cabo Finisterra, a 22 de Julho, e acabaram por fugir para Cádis, um santuário de onde lhes seria impossível sair sem oferecer batalha à esquadra de Nelson que, ao largo, lhes vigiava os movimentos.
O prólogo da grande batalha
Nelson está de visita à zona de Londres. Toma uma carruagem em Merton. Deixa a bagagem no Gordon’s Hotel. Passa pelo Almirantado a apresentar cumprimentos e dirige-se, depois, a um escritório de advogados na Norfolk Street onde o esperam alguns papéis para assinar. Após esta formalidade, desce a avenida conhecida como o Strand e dirige-se a Downing Street onde o primeiro-ministro, Pitt, o espera. Atrás dele uma considerável multidão de crianças que nele reconheceram o «salvador» da Inglaterra, o homem cuja esquadra impediria que invasores vindos de não importa que parte do mundo, desembarcassem em território britânico.
O primeiro-ministro tinha para lhe entregar uma grave mensagem do estrategista do Almirantado, Lord Barnham. Segundo esta alta personagem da Royal Navy, o navio-almirante Victory, que tinha sofrido reparações, estava pronto e em condições de reentrar ao serviço. Por outro lado, o Almirantado dispunha de informações segundo as quais Napoleão exigia de Villeneuve uma pronta saída do refúgio de Cádis para que fizesse aquilo que desde sempre se lhe exigira – combater e derrotar a esquadra de Nelson.
Nestes termos, a 15 de Setembro de 1805, a bandeira pessoal do almirante Nelson subiu no mastro principal do Victory em Portsmouth e o mais poderoso navio de guerra do mundo deslizou, suavemente, nas águas à vista da Ilha de Wight para navegar no Canal da Mancha, meter-se no Atlântico ao largo da costa portuguesa e demandar as vizinhanças de Cádis. Também os 32 navios do almirante Gravina se preparavam para dar combate aos ingleses, mas seis fragatas sob o comando do capitão, Louis, tomavam o rumo de Gibraltar de onde tinham a intenção de avisar toda a esquadra britânica. Com efeito, seria Blackwood quem, à vista do ‘Victory’ que acabava de aparecer, fez saber a Nelson o que se passava – Villeneuve e Gravina estavam a fazer-se ao mar.
A situação militar a bordo das esquadras francesa e espanhola era complexa. No seu bojo os navios abrigavam tropas que se supunha pudessem, no caso de uma vitória sobre Nelson, passar a integrar o conjunto de três exércitos que superiormente comandados pelos marechais napoleónicos, Victor, Bessières e Murat, se esperava atravessassem o Canal e pisassem o solo inglês. Esta situação era, entretanto, meramente hipotética posto que o Imperador não tinha confiança na esquadra de Villeneuve e a travessia da Mancha teria de fazer-se só em condições de absoluta segurança. Tempestades recentes tinham dificultado o programa naval francês e destruídos os navios de transporte que estavam a ser construídos em Boulogne. Entre os militares mais entusiásticos contava-se Magon que insistia num imediato bombardeamento da esquadra de Nelson e apontava as seis fragatas de Louis que, segundo lhe parecia, se afastavam em fuga. Outros oficiais, casos de Priguy e Galiano, insistiam na completa união entre os cerca de 30.000 homens embarcados e as tripulações dos navios antes de ser tomada uma decisão cujas consequências poderiam ser decisivas. Os marinheiros, tanto os franceses como os espanhóis, conheciam Nelson e o poderio da sua esquadra e tinham dúvidas de que fosse possível vencê-los.
«A Inglaterra espera que todos cumpram o seu dever»
Vinte e um de Outubro fatal
Pela manhã desse dia, Nelson, com doze navios de guerra, dobrava já o cabo Trafalgar e saudava o seu número dois na rede de comando, o almirante Collingwood, que navegava a uma milha de distância com quinze poderosas unidades de combate. Manobrando em linha, o chefe da esquadra inglesa logo prejudicou a Villeneuve, que esperava lutar com a retaguarda garantida, um eventual retorno a Cádis. O almirante francês, assim, tinha de entrar em operações, abertamente e não protegido por condições que lhe permitissem desistir e ganhar abrigo na capital gaditana, sentidos os primeiros insucessos.
Já o sol brilhava, intensamente, quando Nelson iniciou o ataque a Villeneuve ao mesmo tempo que ordenava a Louis o regresso das suas seis fragatas ao teatro de guerra. A sua mensagem a toda a esquadra ficou na História: «A Inglaterra espera que todos cumpram o seu dever!». Os navios britânicos, sempre em linha, entraram pelo centro da formação francesa e logo a dividiram em duas. As esquadras aliadas responderam com uma nuvem de projécteis sobre o Victory. Hardy e Blackwood ficaram-se a contemplar a terrível chacina, mas Nelson avisou-os: «Prossigam!» Tinha começado, efectivamente, a batalha de Trafalgar e o mar era já vermelho e não azul. Derradeiro na segunda coluna aliada, Gravina, no comando do valioso Príncipe das Astúrias, viu-se atacado por Collingwood. Mas manobrou o seu navio como se fosse uma escuna e, auxiliado pelo San Juan, conseguiu defender-se.
Duas horas de combate tinham passado. Nelson mandou que entrassem em acção as peças de mais curto alcance do Victory e aproximou-se, perigosamente, do Bucentaure (navio-almirante francês) onde o fogo já lavrava com intensidade. Massacrado pela artilharia, o convés do Bucentaure era beijado pelas chamas enquanto os seus marinheiros, perdidos, se atiravam ao mar. Outros, ajoelhando-se junto à torre de comando, invocavam a morte. As velas desabavam, como se fossem de papel. De pólvora era o ar que respiravam. De repente, há um furtivo atirador, a bordo do Redoutable, que dispara e atinge Nelson junto à roda do leme do Victory. Nelson cai tentando erguer-se com o único braço que tinha. Rodeado de gente, olha o cirurgião de bordo, ansiosamente, como se deste esperasse um milagre. Mas o grande almirante sabia que o atirador furtivo o liquidara. Incrédulo, Hardy, leva as mãos ao céu. E fazem sinais a Cuthbert Collingwood anunciando-lhe que tomava o comando da esquadra. Nelson, na verdade, estava morto.
Já o Neptune visa o Trinidad cujo capitão, Lucas, indica desejar render-se. Nas explosões que lhe destruíram o navio, caíra morto Beaudoin. Aproxima-se o Sovereign, de Collingwood, cujo poder de fogo é imenso. No Bucentaure, centenas de marinheiros e soldados tinham já tombado mas o major-general, Contamine, e o mestre, Magendie, continuavam a mostrar vontade de combater apesar do fogo a bordo, dos mortos e do fumo. O almirante espanhol, Cisneros, tinha de haver-se com os cem canhões do Neptune que lhe exigia, também, a completa rendição. Feita a abordagem, vão presos na frente de corsários-marines comandados por Grindall, Cisneros e Uriarte. Navios ingleses especializados na caça a reféns e presas posicionam-se para iniciar essa indigna parte da batalha. As ondas afastam para longe destroços de navios semi-afundados. Há fumo e fogo a perder de vista. Aliás, naquele universo, o sol desapareceu.
Gritos de homens devorados por queimaduras. Imploram ao céu o fim do seu sofrimento. Outros, em lágrimas, proferem juras de vingança. No Belle Isle (navio francês) registavam, já, 380 baixas entre elas a do comodoro Cajidal. Ninguém compreende por que anda, ali, à tona, aquele navio fantasma. Por que não morre e se afunda? O Santa Ana salva-se do inferno devido a que o almirante Alavá y Navarrete e o capitão Gardoqui decidem entregar-se. Não obstante, o navio já tem 440 mortos no seu bojo. O Belle Isle (navio inglês com o mesmo nome do outro acima referido), capitaneado por Hargood, vê-se torneado por vasos de guerra espanhóis. Quem o salva é o forte capitão Redmill que os afasta usando intenso poder de fogo ao surgir de uma grossa cortina de fumo. A batalha de Trafalgar, a meio da tarde, transforma-se numa estranha dança no mar dos gregos (assim se designava o Mediterrâneo) e Gravina, o almirante espanhol, começa a perguntar-se quanto ao seu destino, ali, naquela cidade flutuante. Robert Redmill consegue lançar uma corda salvadora ao Belle Isle para salvar Hargood.
O navio britânico Mars está a ser cruelmente bombardeado e a cabeça do capitão, Duff, simplesmente, é-lhe subtraída por um projéctil disparado pelos artilheiros do Nepomuceno. Também, Magon, o mais entusiasta da guerra total, cai, vítima de um tiro de peça ido do Tonnant que o apanha em cheio. Agora, o capitão Galiano, no comando do Bahama, decide atacar o Bellerophon. Os seus canhões liquidam o capitão, John Cooke que se junta, assim, às doze dúzias de mortos espalhados entre os destroços do navio. Pouco é tudo isto se comparado com as 23 dúzias de cadáveres que jazem a bordo do Monarca, do capitão Argumosa. Estrondos de canhões, disparos de armas ligeiras, ruídos de correntes, gritos de homens atingidos pelo delírio. O capitão Morris, no Colossus, perde o sangue frio e separa-se, igualmente, de uma perna. Tem duzentas baixas a bordo. Mas vê o Argonaute a fugir-lhe. Ao leme deste, Jacques Epron, procura a fuga afastando-se para o mar de ninguém. O fumo esconde-lhe a direcção de Cádis e calados iam todos os seus canhões. Mastros derrubados, velas destruídas. Naquele orgulhoso navio entrara a deusa da solidão. Era um cemitério flutuante. Jacques Epron, na verdade, era a única alma viva que se encontrava a bordo.
Morto, igualmente, o capitão do Bahama, no caldeirão fétido que é Trafalgar. Mortos, também, Galiano e Pareja. Mortos, quinhentos e cinquenta fuzileiros. Já em pleno entardecer, o Bucentaure está rodeado por quatro navios britânicos. Infernet, o capitão, deseja defendê-lo, mas Codrington obriga-o a render-se. Quanto ao Neptuno, terá o capitão Valdés de perdê-lo. Mostra rombos profundos. Muda de rumo, desorientado. Na verdade, não tem defesa.
«Segurem-me o Príncipe das Astúrias. Vivo ou morto, quero apanhar o duque de Gravina!» Estas são as ordens de Collingwood. Vai-lhe logo no encalço, John Conn, que acabava de fazer calar o Nepomuceno. Mas Gravina, apesar de ferido, foge com os seus mais de trezentos mortos e Conn, estimando-se em sítio falso e perigoso, deixa-o ir. O almirante espanhol vai refugiar-se em Cádis, com um braço gravemente ferido, e o capitão, Escaño, também atingido é quem consegue manobrar o imponente navio. O Nepomuceno anda à deriva. É capturado pelo Defiance. No seu bojo dorme o capitão, Carrouce, e viaja todo um cemitério. Por outro lado, apesar de bela manobra evasiva, o San Ildefonso vai ser massacrado e o seu capitão, José Vargas, acha-se, praticamente, sozinho. É apreendido pelo Poliphemus e pelo Defence que o arrastam para as límpidas águas de Gibraltar enquanto grita o Aigle a sua angústia por ter iniciado o dia, vibrante no seu desejo de combater e por carregar consigo, agora, trezentas vidas a menos.
Também sofre o Defiance por não ter conseguido prender Gravina. Mas compensa esse insucesso aprisionando o Aigle que andava à deriva e foi o capitão, Durham, quem lá foi para hastear a bandeira inglesa. Mas Gourrège não se considerava derrotado e foi por isso que à boa maneira da escola pirata, o navio foi alvo da mais completa rapina e feito, depois, numa fogueira. Veja-se a lenta agonia do Achille. É um inferno flutuante. O fogo que sobre ele o Prince cuspia, convertia-lhe os canhões em areia. Foi quando Richard Grindall pensou na barbaridade que constituía bombardear um navio de homens moribundos e tomou, por isso, uma decisão, gritando: «Ao mar os escaleres!» Em seu auxílio surgiu a escuna Pickle e tem de reconhecer-se que tentaram humanizar a sua sanguinária tarefa. De repente, o Achille explodiu tão violentamente que o ruído do seu fim se ouviu de San Fernando a Tarifa e levou para o fundo os corpos de quinhentos fortes soldados e bravos marinheiros.
Nelson está morto. Villeneuve está preso. Gravina e Escaño, feridos, semi-acabados em desesperada fuga. Mas Collingwood, o mestre da agressão naval, ajoelha e reza à deusa da vitória enquanto no Almirantado, em Londres, ninguém conhece, ainda, a situação embora saibam como se constrói a História.
Horatio Nelson (1758-1805)
O homem que triunfou em Trafalgar mas lá deixou a vida, era visconde e duque de Bronte. Nasceu perto de Norfolk em 1758 para acabar, como vimos, a 21 de Outubro de 1805. O seu ideal era a supremacia do Império britânico no mundo mas nem sempre deu aos seus actos de consolidação desse Império a grandeza de que se revestiram as suas vitórias navais.
Por exemplo: em perseguição da esquadra francesa que lhe escapava para as Antilhas, alguns meses antes do diabólico encontro em Trafalgar, o almirante inglês, ao largo do porto português de Lagos, exigiu das autoridades locais um fornecimento de água para as lavagens de bordo. Mas tendo-lhe o oficial português comunicado que apenas poderia fornecer-lhe água para beber, imediatamente deu ordens para que Lagos fosse bombardeada. Foi Collingwood, o almirante que assumiu o comando em Trafalgar após o tiro fatal que abateu Nelson, quem dissuadiu o comandante da esquadra do Mediterrâneo de arrasar a cidade portuguesa. «Quem julgam esses portugueses que são?» perguntou Nelson. «São nossos aliados e amigos, sir», respondeu o homem cujos restos repousam na catedral de St. Nicholas em Newcastle. E a esquadra abandonou as águas portuguesas.
Nelson tomara parte em diversas operações de guerra naval durante a guerra do 1.º Império contra a independência dos Estados Unidos. As suas qualidades foram desde logo notadas pelo Almirantado e o seu avanço na cadeia de comandos da Marinha tornou-se quase espectacular. Quando começou a guerra contra a França republicana e revolucionária (1793) foi colocado na esquadra do Mediterrâneo, então comandada pelo almirante Hood, e tomou parte nos bloqueios de Bastia e de Calvi onde perdeu um olho (1794). Após ter participado nas operações da esquadra ao largo de Génova, distinguiu-se na batalha do Cabo de São Vicente (1797). Nomeado contra-almirante, participou no bloqueio de Cádis. Mas pouco depois de um ataque desencadeado contra Tenerife, que deu lugar a importantes perdas em homens e material, Nelson viu desfazer-se-lhe o braço direito.
Encarregado de vigiar a esquadra francesa ancorada no porto de Toulon, permitiu que esta conseguisse escapar-se e tomasse a direcção do Egipto. Mas perseguiu-a, incansavelmente, até voltar a encontrá-la nas águas quietas da baía de Aboukir. Então, manobrando astuciosamente, entre a terra e o mar destruiu a esquadra francesa (1798). Foi este êxito que lhe valeu a entrada para o pariato inglês com o título de visconde. No ano seguinte (1799), Nelson aparece na baía de Nápoles. A sua missão consiste em apoiar, política e militarmente o reino fantoche ali existente. A sua intransigência na defesa de posições políticas e militares anti-francesas, quando já teve lugar o movimento do 18 Brumário e o Consulado entrou em funções em Paris, revela-se brutal. A protecção de Nápoles deu lugar a que recebesse na Sicília (1800), o título de duque de Bronte.
O percurso percorrido tornou-o imensamente popular em Inglaterra onde passaram a considerá-lo o salvador da Pátria posto estar garantido que Nelson nunca permitiria o êxito de uma invasão napoleónica sobre as praias inglesas. Após haver conquistado a ilha de Malta viu-se colocado sob as ordens do almirante Parker para que se procedesse à aniquilação da chamada Liga dos Neutros (países que não queriam ligar-se à causa britânica ou à de Bonaparte). Nesta conjuntura, apesar das reservas de Parker e protestando não recebido as suas ordens, Nelson forçou a entrada da esquadra no estreito de Sund para bombardear Copenhague, barbaramente, e destruir a esquadra dinamarquesa. Não podia permitir que esta viesse, eventualmente, a cair na posse dos franceses.
Em 1803, assume o comando da esquadra do Mediterrâneo mas na primavera de 1805 o almirante francês, Villeneuve, consegue escapar-se de Toulon.
Outro almirante francês, Ganteaume, entretanto, ver-se-ia impedido de sair com destino à Martinica (eram essas as ordens recebidas) devido à vigilância de Cornwallis, o almirante inglês que comandava a esquadra do Canal da Mancha. Estas movimentações navais impeliram Nelson para uma histórica perseguição a Villeneuve que decidiu regressar às águas europeias para ver-se interceptado por outra esquadra inglesa (Robert Calder) que lhe causou baixas numa batalha de indefinidas consequências ao largo da Biscaia (22 de Julho).
Villeneuve dirigiu-se a Vigo e, depois, ao Ferrol onde se juntou à esquadra espanhola de Gravina. Navegaram para Sul e a 22 de Agosto entravam no santuário de Cádis. Mas o aparecimento da esquadra de Cuthbert Collingwood com 27 navios de linha e seis fragatas, retê-los-ia presos por um feroz bloqueio até ao regresso de Nelson. Quando isso se verificou, Villeneuve e Gravina só podiam assumir o seu destino – sair de Cádis e enfrentar Nelson. Seria a batalha de Trafalgar.
A 30 de Março de 1805, a principal esquadra francesa, comandada por Villeneuve, saía de Toulon e a espanhola, sob o comando do almirante Gravina, abandonava o tradicional refúgio de Cádis para se lhe juntar. A missão consistia em desviar Nelson para as Antilhas permitindo, assim, o desbloquear do porto de Brest e a criação de espaço de manobra no Canal da Mancha. Mas toda a operação se revelou incipiente. Villeneuve e Gravina confrontaram-se com os ingleses ao largo do cabo Finisterra, a 22 de Julho, e acabaram por fugir para Cádis, um santuário de onde lhes seria impossível sair sem oferecer batalha à esquadra de Nelson que, ao largo, lhes vigiava os movimentos.
O prólogo da grande batalha
Nelson está de visita à zona de Londres. Toma uma carruagem em Merton. Deixa a bagagem no Gordon’s Hotel. Passa pelo Almirantado a apresentar cumprimentos e dirige-se, depois, a um escritório de advogados na Norfolk Street onde o esperam alguns papéis para assinar. Após esta formalidade, desce a avenida conhecida como o Strand e dirige-se a Downing Street onde o primeiro-ministro, Pitt, o espera. Atrás dele uma considerável multidão de crianças que nele reconheceram o «salvador» da Inglaterra, o homem cuja esquadra impediria que invasores vindos de não importa que parte do mundo, desembarcassem em território britânico.
O primeiro-ministro tinha para lhe entregar uma grave mensagem do estrategista do Almirantado, Lord Barnham. Segundo esta alta personagem da Royal Navy, o navio-almirante Victory, que tinha sofrido reparações, estava pronto e em condições de reentrar ao serviço. Por outro lado, o Almirantado dispunha de informações segundo as quais Napoleão exigia de Villeneuve uma pronta saída do refúgio de Cádis para que fizesse aquilo que desde sempre se lhe exigira – combater e derrotar a esquadra de Nelson.
Nestes termos, a 15 de Setembro de 1805, a bandeira pessoal do almirante Nelson subiu no mastro principal do Victory em Portsmouth e o mais poderoso navio de guerra do mundo deslizou, suavemente, nas águas à vista da Ilha de Wight para navegar no Canal da Mancha, meter-se no Atlântico ao largo da costa portuguesa e demandar as vizinhanças de Cádis. Também os 32 navios do almirante Gravina se preparavam para dar combate aos ingleses, mas seis fragatas sob o comando do capitão, Louis, tomavam o rumo de Gibraltar de onde tinham a intenção de avisar toda a esquadra britânica. Com efeito, seria Blackwood quem, à vista do ‘Victory’ que acabava de aparecer, fez saber a Nelson o que se passava – Villeneuve e Gravina estavam a fazer-se ao mar.
A situação militar a bordo das esquadras francesa e espanhola era complexa. No seu bojo os navios abrigavam tropas que se supunha pudessem, no caso de uma vitória sobre Nelson, passar a integrar o conjunto de três exércitos que superiormente comandados pelos marechais napoleónicos, Victor, Bessières e Murat, se esperava atravessassem o Canal e pisassem o solo inglês. Esta situação era, entretanto, meramente hipotética posto que o Imperador não tinha confiança na esquadra de Villeneuve e a travessia da Mancha teria de fazer-se só em condições de absoluta segurança. Tempestades recentes tinham dificultado o programa naval francês e destruídos os navios de transporte que estavam a ser construídos em Boulogne. Entre os militares mais entusiásticos contava-se Magon que insistia num imediato bombardeamento da esquadra de Nelson e apontava as seis fragatas de Louis que, segundo lhe parecia, se afastavam em fuga. Outros oficiais, casos de Priguy e Galiano, insistiam na completa união entre os cerca de 30.000 homens embarcados e as tripulações dos navios antes de ser tomada uma decisão cujas consequências poderiam ser decisivas. Os marinheiros, tanto os franceses como os espanhóis, conheciam Nelson e o poderio da sua esquadra e tinham dúvidas de que fosse possível vencê-los.
«A Inglaterra espera que todos cumpram o seu dever»
Vinte e um de Outubro fatal
Pela manhã desse dia, Nelson, com doze navios de guerra, dobrava já o cabo Trafalgar e saudava o seu número dois na rede de comando, o almirante Collingwood, que navegava a uma milha de distância com quinze poderosas unidades de combate. Manobrando em linha, o chefe da esquadra inglesa logo prejudicou a Villeneuve, que esperava lutar com a retaguarda garantida, um eventual retorno a Cádis. O almirante francês, assim, tinha de entrar em operações, abertamente e não protegido por condições que lhe permitissem desistir e ganhar abrigo na capital gaditana, sentidos os primeiros insucessos.
Já o sol brilhava, intensamente, quando Nelson iniciou o ataque a Villeneuve ao mesmo tempo que ordenava a Louis o regresso das suas seis fragatas ao teatro de guerra. A sua mensagem a toda a esquadra ficou na História: «A Inglaterra espera que todos cumpram o seu dever!». Os navios britânicos, sempre em linha, entraram pelo centro da formação francesa e logo a dividiram em duas. As esquadras aliadas responderam com uma nuvem de projécteis sobre o Victory. Hardy e Blackwood ficaram-se a contemplar a terrível chacina, mas Nelson avisou-os: «Prossigam!» Tinha começado, efectivamente, a batalha de Trafalgar e o mar era já vermelho e não azul. Derradeiro na segunda coluna aliada, Gravina, no comando do valioso Príncipe das Astúrias, viu-se atacado por Collingwood. Mas manobrou o seu navio como se fosse uma escuna e, auxiliado pelo San Juan, conseguiu defender-se.
Duas horas de combate tinham passado. Nelson mandou que entrassem em acção as peças de mais curto alcance do Victory e aproximou-se, perigosamente, do Bucentaure (navio-almirante francês) onde o fogo já lavrava com intensidade. Massacrado pela artilharia, o convés do Bucentaure era beijado pelas chamas enquanto os seus marinheiros, perdidos, se atiravam ao mar. Outros, ajoelhando-se junto à torre de comando, invocavam a morte. As velas desabavam, como se fossem de papel. De pólvora era o ar que respiravam. De repente, há um furtivo atirador, a bordo do Redoutable, que dispara e atinge Nelson junto à roda do leme do Victory. Nelson cai tentando erguer-se com o único braço que tinha. Rodeado de gente, olha o cirurgião de bordo, ansiosamente, como se deste esperasse um milagre. Mas o grande almirante sabia que o atirador furtivo o liquidara. Incrédulo, Hardy, leva as mãos ao céu. E fazem sinais a Cuthbert Collingwood anunciando-lhe que tomava o comando da esquadra. Nelson, na verdade, estava morto.
Já o Neptune visa o Trinidad cujo capitão, Lucas, indica desejar render-se. Nas explosões que lhe destruíram o navio, caíra morto Beaudoin. Aproxima-se o Sovereign, de Collingwood, cujo poder de fogo é imenso. No Bucentaure, centenas de marinheiros e soldados tinham já tombado mas o major-general, Contamine, e o mestre, Magendie, continuavam a mostrar vontade de combater apesar do fogo a bordo, dos mortos e do fumo. O almirante espanhol, Cisneros, tinha de haver-se com os cem canhões do Neptune que lhe exigia, também, a completa rendição. Feita a abordagem, vão presos na frente de corsários-marines comandados por Grindall, Cisneros e Uriarte. Navios ingleses especializados na caça a reféns e presas posicionam-se para iniciar essa indigna parte da batalha. As ondas afastam para longe destroços de navios semi-afundados. Há fumo e fogo a perder de vista. Aliás, naquele universo, o sol desapareceu.
Gritos de homens devorados por queimaduras. Imploram ao céu o fim do seu sofrimento. Outros, em lágrimas, proferem juras de vingança. No Belle Isle (navio francês) registavam, já, 380 baixas entre elas a do comodoro Cajidal. Ninguém compreende por que anda, ali, à tona, aquele navio fantasma. Por que não morre e se afunda? O Santa Ana salva-se do inferno devido a que o almirante Alavá y Navarrete e o capitão Gardoqui decidem entregar-se. Não obstante, o navio já tem 440 mortos no seu bojo. O Belle Isle (navio inglês com o mesmo nome do outro acima referido), capitaneado por Hargood, vê-se torneado por vasos de guerra espanhóis. Quem o salva é o forte capitão Redmill que os afasta usando intenso poder de fogo ao surgir de uma grossa cortina de fumo. A batalha de Trafalgar, a meio da tarde, transforma-se numa estranha dança no mar dos gregos (assim se designava o Mediterrâneo) e Gravina, o almirante espanhol, começa a perguntar-se quanto ao seu destino, ali, naquela cidade flutuante. Robert Redmill consegue lançar uma corda salvadora ao Belle Isle para salvar Hargood.
O navio britânico Mars está a ser cruelmente bombardeado e a cabeça do capitão, Duff, simplesmente, é-lhe subtraída por um projéctil disparado pelos artilheiros do Nepomuceno. Também, Magon, o mais entusiasta da guerra total, cai, vítima de um tiro de peça ido do Tonnant que o apanha em cheio. Agora, o capitão Galiano, no comando do Bahama, decide atacar o Bellerophon. Os seus canhões liquidam o capitão, John Cooke que se junta, assim, às doze dúzias de mortos espalhados entre os destroços do navio. Pouco é tudo isto se comparado com as 23 dúzias de cadáveres que jazem a bordo do Monarca, do capitão Argumosa. Estrondos de canhões, disparos de armas ligeiras, ruídos de correntes, gritos de homens atingidos pelo delírio. O capitão Morris, no Colossus, perde o sangue frio e separa-se, igualmente, de uma perna. Tem duzentas baixas a bordo. Mas vê o Argonaute a fugir-lhe. Ao leme deste, Jacques Epron, procura a fuga afastando-se para o mar de ninguém. O fumo esconde-lhe a direcção de Cádis e calados iam todos os seus canhões. Mastros derrubados, velas destruídas. Naquele orgulhoso navio entrara a deusa da solidão. Era um cemitério flutuante. Jacques Epron, na verdade, era a única alma viva que se encontrava a bordo.
Morto, igualmente, o capitão do Bahama, no caldeirão fétido que é Trafalgar. Mortos, também, Galiano e Pareja. Mortos, quinhentos e cinquenta fuzileiros. Já em pleno entardecer, o Bucentaure está rodeado por quatro navios britânicos. Infernet, o capitão, deseja defendê-lo, mas Codrington obriga-o a render-se. Quanto ao Neptuno, terá o capitão Valdés de perdê-lo. Mostra rombos profundos. Muda de rumo, desorientado. Na verdade, não tem defesa.
«Segurem-me o Príncipe das Astúrias. Vivo ou morto, quero apanhar o duque de Gravina!» Estas são as ordens de Collingwood. Vai-lhe logo no encalço, John Conn, que acabava de fazer calar o Nepomuceno. Mas Gravina, apesar de ferido, foge com os seus mais de trezentos mortos e Conn, estimando-se em sítio falso e perigoso, deixa-o ir. O almirante espanhol vai refugiar-se em Cádis, com um braço gravemente ferido, e o capitão, Escaño, também atingido é quem consegue manobrar o imponente navio. O Nepomuceno anda à deriva. É capturado pelo Defiance. No seu bojo dorme o capitão, Carrouce, e viaja todo um cemitério. Por outro lado, apesar de bela manobra evasiva, o San Ildefonso vai ser massacrado e o seu capitão, José Vargas, acha-se, praticamente, sozinho. É apreendido pelo Poliphemus e pelo Defence que o arrastam para as límpidas águas de Gibraltar enquanto grita o Aigle a sua angústia por ter iniciado o dia, vibrante no seu desejo de combater e por carregar consigo, agora, trezentas vidas a menos.
Também sofre o Defiance por não ter conseguido prender Gravina. Mas compensa esse insucesso aprisionando o Aigle que andava à deriva e foi o capitão, Durham, quem lá foi para hastear a bandeira inglesa. Mas Gourrège não se considerava derrotado e foi por isso que à boa maneira da escola pirata, o navio foi alvo da mais completa rapina e feito, depois, numa fogueira. Veja-se a lenta agonia do Achille. É um inferno flutuante. O fogo que sobre ele o Prince cuspia, convertia-lhe os canhões em areia. Foi quando Richard Grindall pensou na barbaridade que constituía bombardear um navio de homens moribundos e tomou, por isso, uma decisão, gritando: «Ao mar os escaleres!» Em seu auxílio surgiu a escuna Pickle e tem de reconhecer-se que tentaram humanizar a sua sanguinária tarefa. De repente, o Achille explodiu tão violentamente que o ruído do seu fim se ouviu de San Fernando a Tarifa e levou para o fundo os corpos de quinhentos fortes soldados e bravos marinheiros.
Nelson está morto. Villeneuve está preso. Gravina e Escaño, feridos, semi-acabados em desesperada fuga. Mas Collingwood, o mestre da agressão naval, ajoelha e reza à deusa da vitória enquanto no Almirantado, em Londres, ninguém conhece, ainda, a situação embora saibam como se constrói a História.
Horatio Nelson (1758-1805)
O homem que triunfou em Trafalgar mas lá deixou a vida, era visconde e duque de Bronte. Nasceu perto de Norfolk em 1758 para acabar, como vimos, a 21 de Outubro de 1805. O seu ideal era a supremacia do Império britânico no mundo mas nem sempre deu aos seus actos de consolidação desse Império a grandeza de que se revestiram as suas vitórias navais.
Por exemplo: em perseguição da esquadra francesa que lhe escapava para as Antilhas, alguns meses antes do diabólico encontro em Trafalgar, o almirante inglês, ao largo do porto português de Lagos, exigiu das autoridades locais um fornecimento de água para as lavagens de bordo. Mas tendo-lhe o oficial português comunicado que apenas poderia fornecer-lhe água para beber, imediatamente deu ordens para que Lagos fosse bombardeada. Foi Collingwood, o almirante que assumiu o comando em Trafalgar após o tiro fatal que abateu Nelson, quem dissuadiu o comandante da esquadra do Mediterrâneo de arrasar a cidade portuguesa. «Quem julgam esses portugueses que são?» perguntou Nelson. «São nossos aliados e amigos, sir», respondeu o homem cujos restos repousam na catedral de St. Nicholas em Newcastle. E a esquadra abandonou as águas portuguesas.
Nelson tomara parte em diversas operações de guerra naval durante a guerra do 1.º Império contra a independência dos Estados Unidos. As suas qualidades foram desde logo notadas pelo Almirantado e o seu avanço na cadeia de comandos da Marinha tornou-se quase espectacular. Quando começou a guerra contra a França republicana e revolucionária (1793) foi colocado na esquadra do Mediterrâneo, então comandada pelo almirante Hood, e tomou parte nos bloqueios de Bastia e de Calvi onde perdeu um olho (1794). Após ter participado nas operações da esquadra ao largo de Génova, distinguiu-se na batalha do Cabo de São Vicente (1797). Nomeado contra-almirante, participou no bloqueio de Cádis. Mas pouco depois de um ataque desencadeado contra Tenerife, que deu lugar a importantes perdas em homens e material, Nelson viu desfazer-se-lhe o braço direito.
Encarregado de vigiar a esquadra francesa ancorada no porto de Toulon, permitiu que esta conseguisse escapar-se e tomasse a direcção do Egipto. Mas perseguiu-a, incansavelmente, até voltar a encontrá-la nas águas quietas da baía de Aboukir. Então, manobrando astuciosamente, entre a terra e o mar destruiu a esquadra francesa (1798). Foi este êxito que lhe valeu a entrada para o pariato inglês com o título de visconde. No ano seguinte (1799), Nelson aparece na baía de Nápoles. A sua missão consiste em apoiar, política e militarmente o reino fantoche ali existente. A sua intransigência na defesa de posições políticas e militares anti-francesas, quando já teve lugar o movimento do 18 Brumário e o Consulado entrou em funções em Paris, revela-se brutal. A protecção de Nápoles deu lugar a que recebesse na Sicília (1800), o título de duque de Bronte.
O percurso percorrido tornou-o imensamente popular em Inglaterra onde passaram a considerá-lo o salvador da Pátria posto estar garantido que Nelson nunca permitiria o êxito de uma invasão napoleónica sobre as praias inglesas. Após haver conquistado a ilha de Malta viu-se colocado sob as ordens do almirante Parker para que se procedesse à aniquilação da chamada Liga dos Neutros (países que não queriam ligar-se à causa britânica ou à de Bonaparte). Nesta conjuntura, apesar das reservas de Parker e protestando não recebido as suas ordens, Nelson forçou a entrada da esquadra no estreito de Sund para bombardear Copenhague, barbaramente, e destruir a esquadra dinamarquesa. Não podia permitir que esta viesse, eventualmente, a cair na posse dos franceses.
Em 1803, assume o comando da esquadra do Mediterrâneo mas na primavera de 1805 o almirante francês, Villeneuve, consegue escapar-se de Toulon.
Outro almirante francês, Ganteaume, entretanto, ver-se-ia impedido de sair com destino à Martinica (eram essas as ordens recebidas) devido à vigilância de Cornwallis, o almirante inglês que comandava a esquadra do Canal da Mancha. Estas movimentações navais impeliram Nelson para uma histórica perseguição a Villeneuve que decidiu regressar às águas europeias para ver-se interceptado por outra esquadra inglesa (Robert Calder) que lhe causou baixas numa batalha de indefinidas consequências ao largo da Biscaia (22 de Julho).
Villeneuve dirigiu-se a Vigo e, depois, ao Ferrol onde se juntou à esquadra espanhola de Gravina. Navegaram para Sul e a 22 de Agosto entravam no santuário de Cádis. Mas o aparecimento da esquadra de Cuthbert Collingwood com 27 navios de linha e seis fragatas, retê-los-ia presos por um feroz bloqueio até ao regresso de Nelson. Quando isso se verificou, Villeneuve e Gravina só podiam assumir o seu destino – sair de Cádis e enfrentar Nelson. Seria a batalha de Trafalgar.