Terroristas protegidos pelo Pentágono

Rui Paz

Essas pessoas ao prepararem o 11 de Setembro foram permamentemente observadas pelos serviços secretos

As revelações do «New York Times» do passado mês de Agosto sobre o 11 de Setembro e o processo que decorreu na Alemanha contra o grupo terrorista de Hamburgo põem em causa os resultados do relatório oficial sobre aqueles atentados do Congresso norte-americano e mostram que os Estados Unidos continuam a esconder ao mundo aspectos essenciais da conspiração terrorista. Ao contrário da versão oficialmente propagada por Washington, os atentados foram preparados debaixo dos olhos das autoridades norte-americanas e os seus executores não vieram de nenhuma caverna no Afeganistão, antes gozaram de protecção ao mais alto nível. Segundo o «N.Y.Times», o capitão Scott Philipott e o coronel Anthony Shaffer do comando Able-Danger confirmaram que Mohamed Atta, piloto de um dos dois aviões que atacou as torres de Manhattan, vinha a ser observado há mais de um ano por aquele comando antiterrorista do Pentágono. No início de 2000, após o primeiro relatório, este comando antiterrorista foi impedido veementemente, inclusive sob ameaça de despedimento, de prosseguir as observações. No material que o Pentágono pôs à disposição da comissão do Congresso, desapareceram tais documentos!

No processo de Hamburgo, os EUA invocando razões de segurança nacional não permitiram o interrogatório dos terroristas Ramzi Binalshibh e Khalid Scheich Mohammed, mantidos clandestinamente presos (ou protegidos), sem que até hoje nenhum Tribunal, juíz, advogado ou outra instância tenha podido contactá-los ou verificar se estão vivos. Inexplicavelmente, estas duas figuras obscuras, inspiradoras e iniciadoras dos atentados de 11 de Setembro, não embarcaram nos aviões da morte. Binalshibh combateu na Bósnia apoiado pelos americanos. Foi ele que dirigiu o grupo de Hamburgo e ganhou Atta para a ideia do atentatado exigindo ser «necessário fazer qualquer coisa contra a América», numa altura em que ainda não era membro da Al Qaida. Segundo o Ministério Público Federal da Alemanha, só em Novembro de 1999 é que os terroristas de Hamburgo decidiram ir ao Afeganistão apresentar o seu plano a Bin Laden. Para o especialista Jürgen Elsässer («Como a Dschiad chegou à Europa»-Viena 2005) não foi Bin Laden que recrutou Atta, mas Atta que depois de recrutado pelo misterioso Binalshibh ganhou Bin Laden para apoiar o atentado. A carreira de Khalid S. Mohammed é idêntica. Estudou nos EUA. De guerreiro de Alah na Bósnia, aparece envolvido no primeiro atentado contra o World Trade Center em 1993. Também ele irá a Tora Bora procurar ganhar Bin Laden para o 11 de Setembro. Poucos meses antes dos atentados, em Maio de 2001, obtém, sem qualquer problema, autorização para viajar pelos EUA, apesar de ser bem conhecido o seu curriculum. Segundo o relatório de 560 páginas, que o Congresso norte-americano apresentou em finais de Julho de 2004, o núcleo dirigente do 11 de Setembro é constituído por sete terroristas, (Binalshibh, K.S. Mohammed, e os cinco pilotos). J. Elsässer salienta que se tem procurado esconder o facto de «a maior parte das figuras centrais do 11 de Setembro manterem uma relação não esclarecida com os serviços secretos norte-americanos, terem combatido na Bósnia antes de estabelecerem contacto com a Al Qaida, integradas em unidades militares treinadas e armadas pela firma MPRI de mercenários dependente do Pentágono». Essas pessoas ao prepararem o 11 de Setembro foram permamentemente observadas pelos serviços secretos, nomeadamente a partir do primeiro encontro preparatório dos atentados em Janeiro de 2000 em Kuala Lumpur, nunca se tendo verificado qualquer detenção. Dois desses veteranos dos Balcãs (Binalshibh e K. Mohammed) são hoje as principais testemunhas dos EUA para atribuir a autoria exclusiva dos atentados à Al Qaida.

À medida que se vão conhecendo novos pormenores sobre o 11 de Setembro, é cada vez mais mais difícil estabelecer uma fronteira nítida entre a conspiração terrorista e as chamadas «falhas» dos serviços secretos. Inexplicável é ainda a rapidez com que determinados actores e forças retrógadas passam de aliados preferenciais a «inimigos mortais» dos Estados Unidos.
Estranho ainda, é o facto de o FBI ter destruído 18 horas de filme em que Atta foi seguido por uma câmara de vídeo algumas semanas antes dos atentados.


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