A força que constrói o futuro
Após mais de duas décadas de gestão da CDU na Câmara Municipal de Beja, o concelho não é mais o mesmo. O trabalho realizado pelo colectivo de eleitos comunistas não só consolidou a qualidade de vida das populações como escancarou portas e janelas para o futuro.
Na hora da passagem do testemunho e do rejuvenescimento da equipa da CDU, o Avante! juntou José Manuel Carreira Marques, actual presidente da Câmara Municipal de Beja, e Francisco Santos, cabeça de lista da CDU a uma autarquia onde a obra realizada e as ideias para o futuro caminham a passos seguros.
Numa conversa que fluiu confiante, Carreira Marques e Francisco Santos traçaram-nos o necessário balanço da obra concretizada, das ideias lançadas para os próximos quatro anos de mandato, e dos novos projectos para o concelho.
No apuramento, na prestação de contas à população, Carreira Marques sublinha que «não obstante várias dificuldades e constrangimentos como a enorme área geográfica ou as características rurais profundas do município, o saldo é muito positivo», até porque, explica, «foi possível realizar um conjunto de projectos em áreas que privilegiamos como fundamentais para o desenvolvimento integral das pessoas, fundamentalmente das pessoas. Na cultura, na preocupação acrescida com a cada vez melhor e mais qualificada capacidade de resposta ao nível das problemáticas sociais, na educação, no desporto e no desenvolvimento económico».
Áreas que assumiram maior peso e centralidade no orçamento camarário porque, desde cedo, os eleitos da CDU resolveram carências ainda não superadas em tantos outros concelhos do País pintados de rosa, laranja ou azul. Exemplo de tal facto é que «mesmo as nossas freguesias rurais têm há muito aquilo que é básico. Não temos problemas de arruamentos, de abastecimento de água, de esgotos e saneamento público, de tratamento de resíduos e de águas residuais, de recolha de lixo, de electrificação, de embelezamento dos espaços públicos, essas questões estão resolvidas», afirma o presidente da Câmara.
Se existe um segredo ou uma fórmula do sucesso e da acção da CDU no poder local, ele encontra-se na capacidade de deixar que sejam as populações a decidir aquilo que entendem ser o melhor para as respectivas freguesias e localidades. Neste âmbito, Beja tem sido um exemplo, garantem-nos o presidente e o candidato.
Recentemente foram apresentados um conjunto de planos estratégicos, discutidos com as populações e com os órgãos eleitos das freguesias, por forma a que sejam os próprios a dizer que perspectivas têm para os próximos anos.
«Elaborámos, para já, seis planos estratégicos nas principais freguesias, nas mais populosas, exactamente para se perceber se faz falta um jardim de infância, um parque para instalação de pequenas indústrias, um lar de terceira idade ou um centro cultural», explica Carreira Marques. «Esses equipamentos foram sendo discutidos com as pessoas e com os eleitos partindo de um levantamento muito rigoroso e exaustivo que fizemos, um levantamento social de todo o concelho, com a caracterização das pessoas, dos lugares, dos estilos de vida, das idades e das expectativas», continuou.
E a experiência de democracia participativa e de gestão partilhada com as populações, é para continuar?
A resposta surge de quem assume a responsabilidade de encabeçar um projecto rejuvenescido. Francisco Santos avança que «o contacto e a auscultação das pessoas é uma das ideias chaves até para a elaboração do nosso programa eleitoral, baseando-o na aproximação à população e às instituições do concelho. Até criámos um blog para facilitar a circulação de informação e como forma de obtermos um conjunto vasto e diversificado de opiniões».
Confiante no reforço da CDU, o candidato da Coligação afirma ainda que «quando ganharmos as eleições de Outubro próximo, como esperamos, pensamos utilizar o mesmo método dos orçamentos participativos», e acrescenta outra ideia forte: «temos que aproximar as aldeias e os lugares mais distantes, garantir o acesso à cidade, aos serviços e ao usufruto dos meios culturais, lúdicos e desportivos disponíveis».
Projectos com futuro
O actual presidente da autarquia é o primeiro a encontrar razões para que a nova equipa liderada por Francisco Santos continue e melhore o bom trabalho realizado até agora. «Hoje temos cinema, teatro e vários grupos e associações; temos música e um conservatório que, com fortíssima ajuda da Câmara, ensina mais de 400 alunos; temos zonas desportivas perfeitamente equipadas com ginásios; temos museus e ensino superior; temos o projecto de completar o estádio de formação e mais uma piscina coberta porque a actual já não chega para responder às milhares de pessoas de todas as idades que lá praticam várias actividades. Por tudo isto, penso que hoje vale a pena viver em Beja», conclui Carreira Marques.
Com os olhos no futuro de Beja, a gestão CDU tem ainda outras ambições.
Em algumas freguesias são necessárias salas polivalentes onde as populações possam realizar as suas próprias festas e iniciativas; para os antigos Moinhos de Santa Iria - um exemplo de arquitectura industrial do Séc. XIX – encontra-se projectado um plano de reconversão habitacional requalificando a área envolvente e, por fim, a nova biblioteca, um grande projecto que, asseguraram-nos, será um equipamento de excelência reconhecido tanto ao nível nacional como internacional.
«Caso não avance já este novo espaço, temos condições para reaproveitar melhor o existente», afirma Francisco Santos.
Situação semelhante aplica-se à Casa da Cultura, «muito voltada para a formação, com oficinas para jovens, mas cuja dimensão e capacidade de resposta já não é suficiente, pelo que temos um investimento a fazer para melhorar o seu funcionamento», disse o candidato.
«Em relação à recuperação do centro histórico, na medida das possibilidades da autarquia, gostávamos de manter viva a parte antiga da cidade , dar condições às pessoas que habitam essa zonas e, eventualmente, até repovoá-la. Nessa medida, gostávamos também de fazer um espaço integrado de comércio de rua que ajudasse a redinamizar os estabelecimentos tradicionais e a vida económica do centro da cidade, assim como pensamos apostar forte na habitação social ou a preços controlados como instrumento para fixar gente jovem numa cidade com tão grande qualidade de vida», destaca Francisco Santos de entre as propostas, aspirações e sonhos que, mais adiante, surgirão plasmados no programa da CDU para Beja.
Para já, ficam a certeza e o entusiasmo da lista da CDU, ideias que Francisco Santos realça com base sólida no «esforço e dedicação de tantos eleitos, de gerações inteiras e milhares de habitantes. O trabalho de qualidade que está à vista, desenvolvido desde há duas décadas, não se pode perder. Temos que reforçá-lo balançando-o para o futuro, mantendo um espírito de obra e criatividade de execução colectiva por forma a abrir novas e melhores perspectivas para as populações».
Centro histórico
A merecida requalificação
É sabido e está provado que as autarquias da CDU são garantia de qualidade, de trabalho, de honestidade e competência. Igualmente reconhecido é também o papel destas na requalificação urbana e na dinamização de estilos de vida saudáveis.
Carreira Marques esclareceu que a abordagem feita pela Câmara no âmbito do programa Polis foi no sentido de se associarem «um conjunto de outras intervenções que faziam parte de uma mesma lógica de reconversão urbana e valorização ambiental».
O Cine-Teatro Municipal Pax-Julia ou a Casa das Artes são exemplos de obras não financiadas pelo programa Polis, mas que nem por isso deixaram de merecer a devida intervenção da Câmara.
Mais difícil é a recuperação continuada do centro histórico. Apesar de tudo, a autarquia já tinha avançado com algumas acções de qualificação, mesmo não tendo «apoios de outras entidades, nem nacionais nem ao nível da UE», esclareceu Carreira Marques. Nesta matéria, o ainda presidente da Câmara deixa o repto: «as pessoas que habitam nessas zonas são normalmente idosos de baixos recursos, não faz sentido que se faça reabilitação do espaço público se depois os proprietários não tem condições para fazer o mesmo. Tem que haver um esforço conjugado com o Governo tendo em vista à reabilitação urbana, até porque há questões que nos ultrapassam, não só nas nossas competências, como na nossa capacidade de financiamento».
Investimento que agora dá frutos
Concelho respira saúde
Beja apresentava, há uns anos atrás, graves carências ao nível da prestação de cuidados de saúde, problema que se foi agravando com o envelhecimento e êxodo populacional das últimas décadas.
Hoje, fruto do esforço desenvolvido pela autarquia, as pessoas não necessitam de se deslocar a Beja para obterem os cuidados primários de saúde, existindo, praticamente em todas as freguesias, extensões do centro de saúde que asseguram uma cobertura mínima ao nível de infra-estruturas e de recursos humanos.
«Esta área foi sempre extremamente importante e não é por acaso que uma das nossas primeiras preocupações foram os problemas de saúde pública. As autarquias da região são altamente responsáveis pela queda dos valores da mortalidade infantil, que é hoje das mais baixas do mundo. Em parte deveu-se aos primeiros anos da Revolução, de 1974/75, com as campanhas de médicos na periferia, mas houve preocupação e investimento permanente das autarquias. Os resultados estão hoje à vista», afirma Carreira Marques.
Apesar de tudo, Francisco Santos não deixa de notar que «o Hospital deveria partir para uma segunda fase de desenvolvimento, até porque, para o futuro de Beja, dada a sua centralidade e a proximidade com a auto-estrada, com tudo o que implica ao nível da traumatologia, merecíamos ter uma unidade maior e com maior número de especialidades».
Atenção especial aos idosos e às crianças
O referido envelhecimento populacional não passou ao lado das prioridades da gestão CDU, nem se ficou – o que já não seria pouco – pela dotação de estruturas e recursos humanos de saúde para servir as populações.
Com as dificuldades de quem é mais idoso no centro das preocupações, a Câmara passou a realizar eventos como a Beja Sénior, mas como as barreiras quotidianas não se resolvem apenas com iniciativas deste género, a autarquia dinamizou, em praticamente todas as freguesias, o apoio domiciliário a esta população.
Também ao nível do ensino básico foram dados passos para acudir aos casos de maior urgência. «Percebemos que por trás de cada criança com carência alimentar ou com insucesso escolar, estava uma família em dificuldades» esclarece Carreira Marques. Neste sentido, continua o presidente, «hoje temos um Gabinete de Apoio Social (GAS) ligado à divisão socioeducativa da CM Beja, que não só tenta resolver como encaminhar os processos que exigem resolução.
Em tudo quanto fazemos o GAS tem uma palavra a dizer porque tem competência e conhecimento para transmitir preocupações e adiantar medidas centrais para a elaboração e execução dos projectos».
A democracia chega à cultura
Biblioteca sem paralelo
Exemplo claro da postura diferenciada que move os eleitos da CDU nas autarquias é o projecto para a nova Biblioteca Municipal.
Apesar de ainda não se encontrar concluído, o projecto de democratização do acesso à cultura não ficou parado, tendo sido implementados seis pólos descentralizados pelas freguesias rurais do concelho, isto sem contar com cerca de uma dezena de bibliotecas escolares que recebem apoio camarário.
«Uma parte do sucesso da ideia da biblioteca foi não termos ficado pela “casa mãe”. Criámos núcleos em consonância com a vontade das respectivas freguesias», esclarece Carreira Marques.
Igual esforço de proximidade foi feito através do «aproveitamento e recuperação das Casas do Povo», exemplifica o presidente que nos conta, com orgulho, «que o exemplo dado na cidade teve efeitos muito importantes no levar a cultura às populações, permitindo que as freguesias tenham semanas culturais próprias, casos de Baleizão, Salvada, Cabeça Gorda ou Beringel». É a marca da CDU na democratização do acesso à cultura.
Emprego e investimento são prioridades
Potencialidades para desenvolver
«Faltam políticas nacionais que proporcionem uma discriminação positiva relativamente a esta região». O diagnóstico de Carreira Marques aponta um dos muitos vectores que têm deixado o concelho de Beja longe dos índices de desenvolvimento produtivo e de fixação de postos de trabalho, apesar de investimentos avultados feitos pela Câmara no Parque de Feiras e Exposições ou na criação de zonas destinadas a acolher empresas, só para referir dois exemplos.
A utilização civil do Aeroporto, o Alqueva, ou o Porto de Sines, são eixos fundamentais para responder com acerto às potencialidades existentes, mas até agora, salvo medidas pontuais e quase sempre avulsas e confusas, o aproveitamento das energias e capacidades produtivas da região apaga-se nas promessas de vários Governos que vão passando.
«Quando falamos no Aeroporto não é para ver chegar e partir aviões. É preciso entender que os grandes projectos são indutores dos pequenos projectos. Se houver carga transportada irão fixar-se pequenas e médias empresas que alimentam o funcionamento daquela estrutura, permitindo a criação de emprego, a fixação de pessoas no concelho e criando uma base económica diversificada. Há quatro ou cinco anos atrás, foi anunciado com pompa e circunstância que o Alentejo era uma área prioritária de investimento. Eu gostava de ver um indivíduo que tenha recebido um incentivo, que demonstre que esta frase saiu do papel» afirma Carreira Marques.
A preocupação quanto a esta matéria mantém-se e reforça-se nas linhas de orientação da CDU para o próximo mandato, por isso, Francisco Santos revela que «a nossa aposta é o desenvolvimento económico e julgamos ser possível aumentar o papel da Câmara no sentido de ser o fermento dinamizador.
O Alqueva vai de facto mudar o Alentejo, mas só quando estiverem concluídos os adutores secundários, quando o regadio for uma realidade, quando as industrias agro-alimentares tiverem condições de subsistir.
Outro exemplo de um entrave a que tudo isto se concretize é que nenhuma unidade produtiva se fixa se não houver capacidade de escoamento dos produtos. Também por isso o Aeroporto é fundamental e tem forçosamente de começar a funcionar.
Para além disso, temos que ter ligações ferroviárias e rodoviárias muito melhores. O IP8 nunca passou das intenções e a actual linha ferroviária de ligação a Lisboa é absurda. Existem automotoras que têm cerca de meio século! O que reclamamos são ligações rápidas e diversificadas, até porque os investimentos não são muitos avultados e resolveriam problemas de desenvolvimento proporcionando o aproveitamento integral das estruturas existentes.
Temos que tornar estas questões visíveis, estruturadas, reivindicativas, juntando pessoas e instituições interessadas no desenvolvimento harmónico do País, da região, fixando pessoas, porque sem elas não existe nem dinâmica nem progresso».
No apuramento, na prestação de contas à população, Carreira Marques sublinha que «não obstante várias dificuldades e constrangimentos como a enorme área geográfica ou as características rurais profundas do município, o saldo é muito positivo», até porque, explica, «foi possível realizar um conjunto de projectos em áreas que privilegiamos como fundamentais para o desenvolvimento integral das pessoas, fundamentalmente das pessoas. Na cultura, na preocupação acrescida com a cada vez melhor e mais qualificada capacidade de resposta ao nível das problemáticas sociais, na educação, no desporto e no desenvolvimento económico».
Áreas que assumiram maior peso e centralidade no orçamento camarário porque, desde cedo, os eleitos da CDU resolveram carências ainda não superadas em tantos outros concelhos do País pintados de rosa, laranja ou azul. Exemplo de tal facto é que «mesmo as nossas freguesias rurais têm há muito aquilo que é básico. Não temos problemas de arruamentos, de abastecimento de água, de esgotos e saneamento público, de tratamento de resíduos e de águas residuais, de recolha de lixo, de electrificação, de embelezamento dos espaços públicos, essas questões estão resolvidas», afirma o presidente da Câmara.
Se existe um segredo ou uma fórmula do sucesso e da acção da CDU no poder local, ele encontra-se na capacidade de deixar que sejam as populações a decidir aquilo que entendem ser o melhor para as respectivas freguesias e localidades. Neste âmbito, Beja tem sido um exemplo, garantem-nos o presidente e o candidato.
Recentemente foram apresentados um conjunto de planos estratégicos, discutidos com as populações e com os órgãos eleitos das freguesias, por forma a que sejam os próprios a dizer que perspectivas têm para os próximos anos.
«Elaborámos, para já, seis planos estratégicos nas principais freguesias, nas mais populosas, exactamente para se perceber se faz falta um jardim de infância, um parque para instalação de pequenas indústrias, um lar de terceira idade ou um centro cultural», explica Carreira Marques. «Esses equipamentos foram sendo discutidos com as pessoas e com os eleitos partindo de um levantamento muito rigoroso e exaustivo que fizemos, um levantamento social de todo o concelho, com a caracterização das pessoas, dos lugares, dos estilos de vida, das idades e das expectativas», continuou.
E a experiência de democracia participativa e de gestão partilhada com as populações, é para continuar?
A resposta surge de quem assume a responsabilidade de encabeçar um projecto rejuvenescido. Francisco Santos avança que «o contacto e a auscultação das pessoas é uma das ideias chaves até para a elaboração do nosso programa eleitoral, baseando-o na aproximação à população e às instituições do concelho. Até criámos um blog para facilitar a circulação de informação e como forma de obtermos um conjunto vasto e diversificado de opiniões».
Confiante no reforço da CDU, o candidato da Coligação afirma ainda que «quando ganharmos as eleições de Outubro próximo, como esperamos, pensamos utilizar o mesmo método dos orçamentos participativos», e acrescenta outra ideia forte: «temos que aproximar as aldeias e os lugares mais distantes, garantir o acesso à cidade, aos serviços e ao usufruto dos meios culturais, lúdicos e desportivos disponíveis».
Projectos com futuro
O actual presidente da autarquia é o primeiro a encontrar razões para que a nova equipa liderada por Francisco Santos continue e melhore o bom trabalho realizado até agora. «Hoje temos cinema, teatro e vários grupos e associações; temos música e um conservatório que, com fortíssima ajuda da Câmara, ensina mais de 400 alunos; temos zonas desportivas perfeitamente equipadas com ginásios; temos museus e ensino superior; temos o projecto de completar o estádio de formação e mais uma piscina coberta porque a actual já não chega para responder às milhares de pessoas de todas as idades que lá praticam várias actividades. Por tudo isto, penso que hoje vale a pena viver em Beja», conclui Carreira Marques.
Com os olhos no futuro de Beja, a gestão CDU tem ainda outras ambições.
Em algumas freguesias são necessárias salas polivalentes onde as populações possam realizar as suas próprias festas e iniciativas; para os antigos Moinhos de Santa Iria - um exemplo de arquitectura industrial do Séc. XIX – encontra-se projectado um plano de reconversão habitacional requalificando a área envolvente e, por fim, a nova biblioteca, um grande projecto que, asseguraram-nos, será um equipamento de excelência reconhecido tanto ao nível nacional como internacional.
«Caso não avance já este novo espaço, temos condições para reaproveitar melhor o existente», afirma Francisco Santos.
Situação semelhante aplica-se à Casa da Cultura, «muito voltada para a formação, com oficinas para jovens, mas cuja dimensão e capacidade de resposta já não é suficiente, pelo que temos um investimento a fazer para melhorar o seu funcionamento», disse o candidato.
«Em relação à recuperação do centro histórico, na medida das possibilidades da autarquia, gostávamos de manter viva a parte antiga da cidade , dar condições às pessoas que habitam essa zonas e, eventualmente, até repovoá-la. Nessa medida, gostávamos também de fazer um espaço integrado de comércio de rua que ajudasse a redinamizar os estabelecimentos tradicionais e a vida económica do centro da cidade, assim como pensamos apostar forte na habitação social ou a preços controlados como instrumento para fixar gente jovem numa cidade com tão grande qualidade de vida», destaca Francisco Santos de entre as propostas, aspirações e sonhos que, mais adiante, surgirão plasmados no programa da CDU para Beja.
Para já, ficam a certeza e o entusiasmo da lista da CDU, ideias que Francisco Santos realça com base sólida no «esforço e dedicação de tantos eleitos, de gerações inteiras e milhares de habitantes. O trabalho de qualidade que está à vista, desenvolvido desde há duas décadas, não se pode perder. Temos que reforçá-lo balançando-o para o futuro, mantendo um espírito de obra e criatividade de execução colectiva por forma a abrir novas e melhores perspectivas para as populações».
Centro histórico
A merecida requalificação
É sabido e está provado que as autarquias da CDU são garantia de qualidade, de trabalho, de honestidade e competência. Igualmente reconhecido é também o papel destas na requalificação urbana e na dinamização de estilos de vida saudáveis.
Carreira Marques esclareceu que a abordagem feita pela Câmara no âmbito do programa Polis foi no sentido de se associarem «um conjunto de outras intervenções que faziam parte de uma mesma lógica de reconversão urbana e valorização ambiental».
O Cine-Teatro Municipal Pax-Julia ou a Casa das Artes são exemplos de obras não financiadas pelo programa Polis, mas que nem por isso deixaram de merecer a devida intervenção da Câmara.
Mais difícil é a recuperação continuada do centro histórico. Apesar de tudo, a autarquia já tinha avançado com algumas acções de qualificação, mesmo não tendo «apoios de outras entidades, nem nacionais nem ao nível da UE», esclareceu Carreira Marques. Nesta matéria, o ainda presidente da Câmara deixa o repto: «as pessoas que habitam nessas zonas são normalmente idosos de baixos recursos, não faz sentido que se faça reabilitação do espaço público se depois os proprietários não tem condições para fazer o mesmo. Tem que haver um esforço conjugado com o Governo tendo em vista à reabilitação urbana, até porque há questões que nos ultrapassam, não só nas nossas competências, como na nossa capacidade de financiamento».
Investimento que agora dá frutos
Concelho respira saúde
Beja apresentava, há uns anos atrás, graves carências ao nível da prestação de cuidados de saúde, problema que se foi agravando com o envelhecimento e êxodo populacional das últimas décadas.
Hoje, fruto do esforço desenvolvido pela autarquia, as pessoas não necessitam de se deslocar a Beja para obterem os cuidados primários de saúde, existindo, praticamente em todas as freguesias, extensões do centro de saúde que asseguram uma cobertura mínima ao nível de infra-estruturas e de recursos humanos.
«Esta área foi sempre extremamente importante e não é por acaso que uma das nossas primeiras preocupações foram os problemas de saúde pública. As autarquias da região são altamente responsáveis pela queda dos valores da mortalidade infantil, que é hoje das mais baixas do mundo. Em parte deveu-se aos primeiros anos da Revolução, de 1974/75, com as campanhas de médicos na periferia, mas houve preocupação e investimento permanente das autarquias. Os resultados estão hoje à vista», afirma Carreira Marques.
Apesar de tudo, Francisco Santos não deixa de notar que «o Hospital deveria partir para uma segunda fase de desenvolvimento, até porque, para o futuro de Beja, dada a sua centralidade e a proximidade com a auto-estrada, com tudo o que implica ao nível da traumatologia, merecíamos ter uma unidade maior e com maior número de especialidades».
Atenção especial aos idosos e às crianças
O referido envelhecimento populacional não passou ao lado das prioridades da gestão CDU, nem se ficou – o que já não seria pouco – pela dotação de estruturas e recursos humanos de saúde para servir as populações.
Com as dificuldades de quem é mais idoso no centro das preocupações, a Câmara passou a realizar eventos como a Beja Sénior, mas como as barreiras quotidianas não se resolvem apenas com iniciativas deste género, a autarquia dinamizou, em praticamente todas as freguesias, o apoio domiciliário a esta população.
Também ao nível do ensino básico foram dados passos para acudir aos casos de maior urgência. «Percebemos que por trás de cada criança com carência alimentar ou com insucesso escolar, estava uma família em dificuldades» esclarece Carreira Marques. Neste sentido, continua o presidente, «hoje temos um Gabinete de Apoio Social (GAS) ligado à divisão socioeducativa da CM Beja, que não só tenta resolver como encaminhar os processos que exigem resolução.
Em tudo quanto fazemos o GAS tem uma palavra a dizer porque tem competência e conhecimento para transmitir preocupações e adiantar medidas centrais para a elaboração e execução dos projectos».
A democracia chega à cultura
Biblioteca sem paralelo
Exemplo claro da postura diferenciada que move os eleitos da CDU nas autarquias é o projecto para a nova Biblioteca Municipal.
Apesar de ainda não se encontrar concluído, o projecto de democratização do acesso à cultura não ficou parado, tendo sido implementados seis pólos descentralizados pelas freguesias rurais do concelho, isto sem contar com cerca de uma dezena de bibliotecas escolares que recebem apoio camarário.
«Uma parte do sucesso da ideia da biblioteca foi não termos ficado pela “casa mãe”. Criámos núcleos em consonância com a vontade das respectivas freguesias», esclarece Carreira Marques.
Igual esforço de proximidade foi feito através do «aproveitamento e recuperação das Casas do Povo», exemplifica o presidente que nos conta, com orgulho, «que o exemplo dado na cidade teve efeitos muito importantes no levar a cultura às populações, permitindo que as freguesias tenham semanas culturais próprias, casos de Baleizão, Salvada, Cabeça Gorda ou Beringel». É a marca da CDU na democratização do acesso à cultura.
Emprego e investimento são prioridades
Potencialidades para desenvolver
«Faltam políticas nacionais que proporcionem uma discriminação positiva relativamente a esta região». O diagnóstico de Carreira Marques aponta um dos muitos vectores que têm deixado o concelho de Beja longe dos índices de desenvolvimento produtivo e de fixação de postos de trabalho, apesar de investimentos avultados feitos pela Câmara no Parque de Feiras e Exposições ou na criação de zonas destinadas a acolher empresas, só para referir dois exemplos.
A utilização civil do Aeroporto, o Alqueva, ou o Porto de Sines, são eixos fundamentais para responder com acerto às potencialidades existentes, mas até agora, salvo medidas pontuais e quase sempre avulsas e confusas, o aproveitamento das energias e capacidades produtivas da região apaga-se nas promessas de vários Governos que vão passando.
«Quando falamos no Aeroporto não é para ver chegar e partir aviões. É preciso entender que os grandes projectos são indutores dos pequenos projectos. Se houver carga transportada irão fixar-se pequenas e médias empresas que alimentam o funcionamento daquela estrutura, permitindo a criação de emprego, a fixação de pessoas no concelho e criando uma base económica diversificada. Há quatro ou cinco anos atrás, foi anunciado com pompa e circunstância que o Alentejo era uma área prioritária de investimento. Eu gostava de ver um indivíduo que tenha recebido um incentivo, que demonstre que esta frase saiu do papel» afirma Carreira Marques.
A preocupação quanto a esta matéria mantém-se e reforça-se nas linhas de orientação da CDU para o próximo mandato, por isso, Francisco Santos revela que «a nossa aposta é o desenvolvimento económico e julgamos ser possível aumentar o papel da Câmara no sentido de ser o fermento dinamizador.
O Alqueva vai de facto mudar o Alentejo, mas só quando estiverem concluídos os adutores secundários, quando o regadio for uma realidade, quando as industrias agro-alimentares tiverem condições de subsistir.
Outro exemplo de um entrave a que tudo isto se concretize é que nenhuma unidade produtiva se fixa se não houver capacidade de escoamento dos produtos. Também por isso o Aeroporto é fundamental e tem forçosamente de começar a funcionar.
Para além disso, temos que ter ligações ferroviárias e rodoviárias muito melhores. O IP8 nunca passou das intenções e a actual linha ferroviária de ligação a Lisboa é absurda. Existem automotoras que têm cerca de meio século! O que reclamamos são ligações rápidas e diversificadas, até porque os investimentos não são muitos avultados e resolveriam problemas de desenvolvimento proporcionando o aproveitamento integral das estruturas existentes.
Temos que tornar estas questões visíveis, estruturadas, reivindicativas, juntando pessoas e instituições interessadas no desenvolvimento harmónico do País, da região, fixando pessoas, porque sem elas não existe nem dinâmica nem progresso».