Campanha do PCP prossegue em Braga - I

É possível outro caminho!

No comício realizado no passado dia 8, em Braga, no âmbito da campanha «Basta de sacrifícios e desemprego, nova política, mais produção nacional», o secretário-geral do PCP voltou a rejeitar fazer do défice o principal problema do País, defendendo uma aposta na produção e crescimento económico.

O PS ofe­rece mais do mesmo aos tra­ba­lha­dores e ao povo

Foi em Braga, no passado dia 8, que o PCP realizou mais uma acção da sua campanha nacional «Basta de sacrifício e desemprego, nova política, mais produção nacional», que contou com a participação do secretário-geral comunista, Jerónimo de Sousa. Na sua intervenção, o dirigente comunista acusou o Governo do PS de estar a defraudar as justas expectativas de mudança que muitos trabalhadores portugueses depositaram, ao darem-lhe a maioria absoluta.
«Quando em princípio de Maio deste ano, o Governo do PS de José Sócrates aqui esteve, no distrito de Braga, inaugurando aquilo a que chamava “Governo Presente”, e aqui anunciou nesse célebre primeiro Conselho de Ministros fora de portas, a chamada nova base da política económica, renovando promessas de ajuda e intervenção na defesa da economia país e desta região, muitos portugueses alimentavam ainda a esperança numa mudança de rumo da política nacional», realçou Jerónimo de Sousa. Mudança, destacou, no sentido do «prometido crescimento económico para retirar o País da estagnação e promover e defender o emprego». Hoje essa esperança «esfuma-se à medida que o tempo corre. Como se esfuma o cumprimento das promessas eleitorais».
Passados apenas dois meses sobre essa acção do Governo, o distrito de Braga não só não viu quaisquer resultados dos prometidos planos de apoio como neste dois meses, «viu aumentar o desemprego, que não tarda atingirá os 15 por cento da população activa se não se impedir a avalanche de novos despedimentos e encerramentos de empresas que estão em curso».

Juras à parte, tudo pi­orou

Dois meses depois de «tão solenes juras», afirmou o secretário-geral do PCP, «não se vê o Governo a mexer uma palha face à gravidade e aos perigos que pairam sobre o nosso sector têxtil e de vestuário, para garantir com medidas concretas a defesa e modernização deste decisivo sector da economia nacional e regional». E acusou o executivo do PS de manter a mesma inactividade «perante o drama da deslocalização das empresas». Este problema, realçou, tem-se vindo a repetir «sem que o Governo tome medidas no plano interno e assuma qualquer iniciativa no domínio comunitário». Iniciativas essas que ponham fim ao «comportamento impune destes novos vampiros do século XXI, que sugam fundos comunitários e nacionais à procura de mão-de-obra barata, após o que debandam deixando atrás de si um rasto de desemprego, depressão e crises sociais», destacou o dirigente comunista.
Para Jerónimo de Sousa, as deslocalizações exigem outras respostas por parte de quem governa. Na opinião dos comunistas, há que impor uma «clara regulação e disciplina» nestes processos.

Uma cam­panha mo­bi­li­za­dora

Lembrando os contributos dados pelos comunistas no passado, no âmbito de uma iniciativa legislativa na Assembleia da República na definição de um conjunto de regras para um quadro nacional de intervenção nesta matéria e para a elaboração de medidas no âmbito comunitário, nomeadamente para a criação de um cadastro comunitário de empresas com comportamentos irregulares, que a anterior maioria recusou», o secretário-geral do PCP considerou estarem os comunistas hoje disponíveis para «retomar a discussão». Assim o «queira também o PS e o seu Governo para encontrar soluções para pôr travão aos graves problemas das deslocalizações de empresas», destacou.
Para Jerónimo de Sousa, o País «não pode continuar atado de pés e mãos em relação a esta matéria». O encerramento de empresas – disse – e os despedimentos colectivos por deslocalização ou a pretexto de reestruturações é uma «parte significativa do aumento do desemprego que está prestes a atingir o meio milhão de desempregados».
O dirigente comunista considerou que, face ao quadro que se vive, a acção nacional do PCP «Basta de sacrifícios e desemprego, nova política, mais produção nacional», reafirma a necessidade e a possibilidade de se encetar outro caminho. Possível com uma nova política que «aposte no crescimento e no desenvolvimento económico e na defesa da produção e aparelho produtivo nacional, na criação de emprego, no combate às deslocalizações, na valorização dos salários e das pensões, não só por um imperativo de justiça social, mas como factor dinamizador da actividade económica». Uma acção nacional também de esclarecimento e mobilização, que «apela à necessidade da luta e do protesto contra uma política injusta no plano social e que é incapaz de dar resposta aos grandes problemas e necessidades dos portugueses».

O drama con­tinua

Dois meses depois da reunião do Conselho de Ministros realizada no distrito de Braga, e das promessas daí saídas de combate ao desemprego e às deslocalizações, volta a pairar o espectro do desemprego. Para Jerónimo de Sousa, o novo Governo assiste inactivo à «dramática situação da Lear, com o despedimento dos seus 800 trabalhadores, em resultado da deslocalização da empresa para a Roménia, mas também com a dramática situação de outras empresas como os despedimentos na Vishay e a sua possibilidade de deslocalização de Famalicão para a Índia, ou do conjunto das empresas sub-contratadas pela Be­netton na zona do Basto, envolvendo 700 trabalhadores».
O secretário-geral comunista lembrou que esta empresa foi inaugurada em 1998 pelo então Ministro da Economia do governo do PS dirigido por António Guterres, Pina Moura, que a definiu como um grande investimento estratégico. Investimento este, denunciou Jerónimo de Sousa, que «não chegou a ficar cá dez anos». Este «grande investimento estratégico» deixa agora a Segurança Social com uma «responsabilidade social de mais de 2 milhões de contos e centenas de trabalhadores com doenças profissionais».
Para o dirigente do PCP, «bem pode o governo vir com o discurso dos sacrifícios para garantir a sustentabilidade da Segurança Social quando se deixam estes comportamentos na impunidade». A mesma impunidade que gozaram «enquanto cá estiveram e que transformou a Lear num espaço de trabalho desumano, com a imposição de grandes ritmos de trabalho e de repressão laboral e sindical e que na maior parte do tempo que aqui trabalhou, a grande maioria dos seus trabalhadores laborou numa situação de trabalho precário».


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