Dezenas de milhares na rua pelos direitos
A Avenida da Liberdade encheu-se, numa tarde de muito calor, com dezenas de milhares de trabalhadores que desfilaram até São Bento, numa imensa expressão de descontentamento e protesto perante as medidas com que o Governo quer castigar os funcionários públicos de todos os sectores.
Se o Governo persistir no ataque, a luta vai agudizar-se
Na sexta-feira, dia 17, foram excedidas as expectativas da Frente Comum de Sindicatos, como reconheceu o seu coordenador, Paulo Trindade. Para ontem, estava anunciada uma reunião da comissão coordenadora daquele estrutura. Representantes das cerca de três dezenas de organizações que a constituem e representam a maioria esmagadora dos trabalhadores do Estado iam fazer o balanço da jornada e definir novas acções de luta.
É que, mal o protesto terminara, já se ouvia o ministro do Trabalho, interpelado pelos jornalistas nas jornadas parlamentares do PS, declarar que, tal como «o direito à manifestação é livre», também o Governo «tem o direito de conduzir as políticas que considera mais adequadas».
Quer Paulo Trindade, quer Carvalho da Silva, nas intervenções que fizeram no largo frente à escadaria do Palácio de São Bento, salientaram que o Governo não poderia ficar indiferente à dimensão desta jornada, sob pena de os trabalhadores se verem obrigados a recorrer a formas de luta mais agravadas.
Um marco
A manifestação começou a subir a Avenida cerca das 15 horas. Na multidão sobressaíam, identificados com bandeiras, bonés, faixas ou cartazes, vindos de diversos distritos e também da Madeira, os trabalhadores da administração local (a estes juntaram-se Jerónimo de Sousa, Francisco Lopes e outros dirigentes do PCP), os professores, a Função Pública. Muitas mãos seguravam fotografias do primeiro-ministro, com uma legenda que também surgia nas palavras de ordem gritadas pelos manifestantes: «Mentiroso».
Na direcção da Rua de São Bento, o desfile passou no Largo do Rato. À vista da sede do PS, os assobios tornavam-se mais estridentes e as vozes gritavam mais alto.
Cerca das 17 horas, já com milhares de trabalhadores em São Bento, uma dirigente sindical pede, como depois havia de ser feito várias vezes, que os presentes se deslocassem mais para a esquerda, de modo a deixar espaço ao rio de gente que desaguava ali. E explica: «Esta é já a maior manifestação de sempre da Administração Pública, camaradas. A cauda da manifestação ainda não saiu da Avenida da Liberdade!»
O coordenador da Frente Comum iniciou por esta altura a sua intervenção. Criticou o ataque do Governo aos direitos conquistados pelos trabalhadores, condenou as medidas que vão corroer ainda mais o poder de compra dos salários e apontou algumas das alternativas que a Frente Comum sugere para a obtenção de receitas que compensem o previsto défice das contas públicas.
Sob fortes aplausos, lembrou Vasco Gonçalves, Álvaro Cunhal e Eugénio de Andrade. «Em nome da sua memória, dizemos “A luta continua!”».
Um quarto de hora depois, o secretário-geral da CGTP-IN notou que a luta coincidia com a passagem dos cem dias de Governo de Sócrates. Carvalho da Silva frisou que este «é um protesto justo e justamente fundamentado», a mostrar qual é o balanço que o povo português faz da governação do PS. Exigiu que o Governo pare com a retirada de direitos e enverede pelo caminho da negociação com os representantes dos trabalhadores.
Terminadas as intervenções sindicais, pouco antes das 18 horas, ainda várias centenas de trabalhadores estavam a dezenas de metros do largo. Cumpria-se uma jornada que representa um marco na resistência à ofensiva contra os funcionários e os serviços públicos.
É que, mal o protesto terminara, já se ouvia o ministro do Trabalho, interpelado pelos jornalistas nas jornadas parlamentares do PS, declarar que, tal como «o direito à manifestação é livre», também o Governo «tem o direito de conduzir as políticas que considera mais adequadas».
Quer Paulo Trindade, quer Carvalho da Silva, nas intervenções que fizeram no largo frente à escadaria do Palácio de São Bento, salientaram que o Governo não poderia ficar indiferente à dimensão desta jornada, sob pena de os trabalhadores se verem obrigados a recorrer a formas de luta mais agravadas.
Um marco
A manifestação começou a subir a Avenida cerca das 15 horas. Na multidão sobressaíam, identificados com bandeiras, bonés, faixas ou cartazes, vindos de diversos distritos e também da Madeira, os trabalhadores da administração local (a estes juntaram-se Jerónimo de Sousa, Francisco Lopes e outros dirigentes do PCP), os professores, a Função Pública. Muitas mãos seguravam fotografias do primeiro-ministro, com uma legenda que também surgia nas palavras de ordem gritadas pelos manifestantes: «Mentiroso».
Na direcção da Rua de São Bento, o desfile passou no Largo do Rato. À vista da sede do PS, os assobios tornavam-se mais estridentes e as vozes gritavam mais alto.
Cerca das 17 horas, já com milhares de trabalhadores em São Bento, uma dirigente sindical pede, como depois havia de ser feito várias vezes, que os presentes se deslocassem mais para a esquerda, de modo a deixar espaço ao rio de gente que desaguava ali. E explica: «Esta é já a maior manifestação de sempre da Administração Pública, camaradas. A cauda da manifestação ainda não saiu da Avenida da Liberdade!»
O coordenador da Frente Comum iniciou por esta altura a sua intervenção. Criticou o ataque do Governo aos direitos conquistados pelos trabalhadores, condenou as medidas que vão corroer ainda mais o poder de compra dos salários e apontou algumas das alternativas que a Frente Comum sugere para a obtenção de receitas que compensem o previsto défice das contas públicas.
Sob fortes aplausos, lembrou Vasco Gonçalves, Álvaro Cunhal e Eugénio de Andrade. «Em nome da sua memória, dizemos “A luta continua!”».
Um quarto de hora depois, o secretário-geral da CGTP-IN notou que a luta coincidia com a passagem dos cem dias de Governo de Sócrates. Carvalho da Silva frisou que este «é um protesto justo e justamente fundamentado», a mostrar qual é o balanço que o povo português faz da governação do PS. Exigiu que o Governo pare com a retirada de direitos e enverede pelo caminho da negociação com os representantes dos trabalhadores.
Terminadas as intervenções sindicais, pouco antes das 18 horas, ainda várias centenas de trabalhadores estavam a dezenas de metros do largo. Cumpria-se uma jornada que representa um marco na resistência à ofensiva contra os funcionários e os serviços públicos.