Atenção ao nuclear
O enorme arsenal nuclear dos EUA está hoje nas mãos de homens sem escrúpulos
«Se tivesse que caracterizar, numa única frase, as políticas nucleares dos EUA e da NATO, diria que são imorais, ilegais, desnecessárias do ponto de vista militar e muito, muito perigosas em termos dos riscos de um lançamento acidental ou não intencional, além de destrutivas para o regime de não-proliferação que tão bem nos tem servido». Esta caracterização, feita na Conferência da ONU sobre o Tratado de Não-Proliferação Nuclear, é do antigo Ministro da Defesa dos Estados Unidos durante a guerra do Vietname, Robert McNamara (Reuters, 24.5.05).
As posições do ex-falcão e antecessor de Rumsfeld são desenvolvidas num artigo do número de Maio/Junho da revista Foreign Policy. McNamara declara aí que muito pouco tempo após se tornar Ministro em 1961, chegou à conclusão que «o lançamento de armas [nucleares] contra um opositor com equipamento nuclear seria um suicídio; contra um inimigo não-nuclear seria militarmente desnecessário, moralmente repugnante e politicamente indefensável». Acrescenta que «embora acredite que os Presidentes Kennedy e Johnson partilhassem desta minha opinião, era impossível para qualquer um de nós fazer estas afirmações em público, porque estavam em total contradição com a política estabelecida da NATO». Sem chegar a condenar explicitamente o ataque nuclear dos Estados Unidos contra o inimigo não-nuclear japonês em 1945, McNamara chama-lhe uma «antevisão do Apocalipse» e confessa que «quase 100 por cento das vítimas de Hiroxima e Nagasaqui» eram civis.
Mas as declarações de McNamara contra a política nuclear dos EUA e da NATO não visam tanto o passado, quanto o presente e o futuro. Ele próprio torna isso claro, ao chamar o seu artigo Apocalypse Soon («o Apocalipse dentro em breve»), parafraseando o título do conhecido filme de Francis Ford Coppola. McNamara está preocupado com o que se está a passar nos corredores do poder em Washington. E escreve: «Para além de planear a instalação de grande número de armas nucleares estratégicas [...], o governo Bush está a projectar uma diversificada e dispendiosa série de programas para manter e modernizar as forças nucleares existentes e para iniciar o estudo de novos vectores de lançamento, bem como novas ogivas para todas as plataformas de lançamento. [...] O programa nuclear do governo Bush, bem como a sua recusa em ratificar o CTBT [Tratado Global de Proibição de Ensaios Nucleares] serão encaradas por muitas nações, e com boa razão, como o equivalente a uma retirada dos EUA do Tratado [de Não Proliferação Nuclear]. O que se está a dizer às nações não-nucleares é que “nós, que já temos a mais poderosa força militar convencional do mundo, pretendemos possuir armas nucleares para todo o sempre, mas vocês, que enfrentam opositores potenciais bem armados, nunca serão autorizados a possuir sequer uma arma nuclear”». McNamara prevê que, a manter-se a actual política nuclear dos EUA, haverá quase seguramente uma «proliferação substancial das armas nucleares».
Não estando já a comprometer a sua carreira profissional e política, McNamara pode agora dizer algo que está «em total contradição com a política estabelecida da NATO». É de louvar que o tenha feito, e importa não subestimar as suas declarações. Até os homens do sistema têm medo. E não é caso para menos: o enorme arsenal nuclear dos EUA está hoje nas mãos de homens sem escrúpulos, dispostos a matar e mentir a fim de alcançar os seus desígnios de hegemonia mundial e lucros sem fim.
São alertas a reter, numa altura em que os dirigentes da União Europeia pretendem introduzir o respeito pelas «obrigações decorrentes» e os «compromissos assumidos» com a NATO no novo Tratado dito «constitucional» (Artigo I-41), ao mesmo tempo que pretendem obrigar os Estados membros «a melhorar progressivamente as suas capacidades militares». É mais uma razão de peso para que os portugueses juntem o seu «Não!» ao de outros povos europeus, contra uma UE militarizada e subordinada aos senhores da guerra.
As posições do ex-falcão e antecessor de Rumsfeld são desenvolvidas num artigo do número de Maio/Junho da revista Foreign Policy. McNamara declara aí que muito pouco tempo após se tornar Ministro em 1961, chegou à conclusão que «o lançamento de armas [nucleares] contra um opositor com equipamento nuclear seria um suicídio; contra um inimigo não-nuclear seria militarmente desnecessário, moralmente repugnante e politicamente indefensável». Acrescenta que «embora acredite que os Presidentes Kennedy e Johnson partilhassem desta minha opinião, era impossível para qualquer um de nós fazer estas afirmações em público, porque estavam em total contradição com a política estabelecida da NATO». Sem chegar a condenar explicitamente o ataque nuclear dos Estados Unidos contra o inimigo não-nuclear japonês em 1945, McNamara chama-lhe uma «antevisão do Apocalipse» e confessa que «quase 100 por cento das vítimas de Hiroxima e Nagasaqui» eram civis.
Mas as declarações de McNamara contra a política nuclear dos EUA e da NATO não visam tanto o passado, quanto o presente e o futuro. Ele próprio torna isso claro, ao chamar o seu artigo Apocalypse Soon («o Apocalipse dentro em breve»), parafraseando o título do conhecido filme de Francis Ford Coppola. McNamara está preocupado com o que se está a passar nos corredores do poder em Washington. E escreve: «Para além de planear a instalação de grande número de armas nucleares estratégicas [...], o governo Bush está a projectar uma diversificada e dispendiosa série de programas para manter e modernizar as forças nucleares existentes e para iniciar o estudo de novos vectores de lançamento, bem como novas ogivas para todas as plataformas de lançamento. [...] O programa nuclear do governo Bush, bem como a sua recusa em ratificar o CTBT [Tratado Global de Proibição de Ensaios Nucleares] serão encaradas por muitas nações, e com boa razão, como o equivalente a uma retirada dos EUA do Tratado [de Não Proliferação Nuclear]. O que se está a dizer às nações não-nucleares é que “nós, que já temos a mais poderosa força militar convencional do mundo, pretendemos possuir armas nucleares para todo o sempre, mas vocês, que enfrentam opositores potenciais bem armados, nunca serão autorizados a possuir sequer uma arma nuclear”». McNamara prevê que, a manter-se a actual política nuclear dos EUA, haverá quase seguramente uma «proliferação substancial das armas nucleares».
Não estando já a comprometer a sua carreira profissional e política, McNamara pode agora dizer algo que está «em total contradição com a política estabelecida da NATO». É de louvar que o tenha feito, e importa não subestimar as suas declarações. Até os homens do sistema têm medo. E não é caso para menos: o enorme arsenal nuclear dos EUA está hoje nas mãos de homens sem escrúpulos, dispostos a matar e mentir a fim de alcançar os seus desígnios de hegemonia mundial e lucros sem fim.
São alertas a reter, numa altura em que os dirigentes da União Europeia pretendem introduzir o respeito pelas «obrigações decorrentes» e os «compromissos assumidos» com a NATO no novo Tratado dito «constitucional» (Artigo I-41), ao mesmo tempo que pretendem obrigar os Estados membros «a melhorar progressivamente as suas capacidades militares». É mais uma razão de peso para que os portugueses juntem o seu «Não!» ao de outros povos europeus, contra uma UE militarizada e subordinada aos senhores da guerra.