Chávez ameaçado
«Continuam de pé os planos para que me matem. Eu sempre me encomendo a Deus, e por outro lado estamos a trabalhar intensamente para que não me matem, mas há gente realmente empenhada em matar-me.»
Estas palavras foram pronunciadas pelo presidente Chávez numa intervenção recente e revelam o momento perigoso por que passa o processo político venezuelano, como consequência do intervencionismo descarado de Washington nos assuntos internos do país.
Mas Chávez lançou também um apelo ao povo. «Se eu for assassinado, disse, não percam a calma. Aprofundem a revolução (…) Se isso chegar a suceder, demonstrem ao mundo que o problema aqui não é Chávez, que aqui há um povo disposto a ser livre!»
A verdade é que a estratégia de Bush é muito simples. Convencido de que não há a mais mínima hipótese de derrota eleitoral do movimento bolivariano nem na consulta presidencial de 2006 – e muito menos nas legislativas deste ano – acaricia a ideia do magnicídio como forma de criar o caos no país e ter assim uma desculpa para justificar uma intervenção internacional na Venezuela, ao estilo das que já vimos no Afeganistão, no Haiti ou no Iraque. É uma aposta sumamente arriscada, mas já vimos que o
fundamentalismo de Bush leva a situações como a que estamos a ver nesse últimos país, onde mais de 100 mil soldados são insuficientes para o controlar.
É claro que a oposição mais reaccionária, que domina a grande maioria do poder mediático, continua a minimizar estas denúncias, e afirma que são manobras para distrair a atenção do público. Ninguém pensa matar Chávez, dizem, como se fosse a primeira vez que o Washington opta por esse recurso; como se não tivesse existido recentemente um Plano Condor – contra os revolucionários latino-americanos – e, mais atrás, um outro chamado Fénix, que visava eliminar os da Ásia.
Dois exemplos
Entretanto, enquanto Chávez revela que «voltam a aparecer rumores e, mais do que rumores, informações e evidências de novos planos contra a Venezuela este mesmo ano, voltam a chegar informações muito precisas de tentativas de magnicídios, (…) de planos para pôr uma bomba em qualquer lugar ou para acabar com o Presidente com uma arma com mira telescópica» não é difícil encontrar provas crescentes do que se prepara.
Na imprensa de Caracas aparecem anúncios e artigos que apontam claramente na direcção da eliminação física de Chávez. Vejamos dois exemplos que se podem conferir na Internet.
No jornal El Nacional de 6 de Novembro do ano passado aparece um estranho obituário assinado pela ONG «Viva Venezuela Libre!». Trata-se de uma homenagem – claramente fora de tempo – ao coronel Claus Schenk von Stauffenberg, o mesmo que tentou matar Hitler com uma bomba e foi posteriormente fuzilado. A ONG afirma que, a não ter falhado, o atentado teria «poupado a vida de milhões de soldados e civis dos países em pugna e evitado mais sofrimentos ao grande povo alemão», e termina o anúncio com três frases de autores famosos. Uma delas, de Cícero, esclarece que «A mais bela das acções é matar o tirano». As outras duas vão pelo mesmo caminho. A
finalidade do recordatório fúnebre é óbvia: identificar Chávez como «o tirano» e justificar o seu assassinato. O facto do fuzilamento do coronel do Afrika Corps ter sido num 20 de Julho e de o In Memoriam sair meses depois do aniversário do acontecimento, não é prova de descuido dos seus «admiradores» mas sim da sua necessidade de, aqui e agora, publicarem as tais frases finais às quais fazemos referência.
Mais recentemente, o mesmo jornal, uma das cabeças mais visíveis da conspiração mediática e da campanha de sabotagem contra a indústria petrolífera, publicou um artigo com ares de estudo jurídico sobre «magnicídio e tiranicídio». Misturando, numa salada intragável os nomes de Plutarco, Tomás de Aquino, Teofrasto, Séneca, Quintiliano, Salibury, Lutero, Milton e Rousseau, extraindo as frases destes do seu respectivo contexto histórico e legal, pretende-se chegar, pela boca de outro autor, a
esta conclusão: «Quando o governante usurpa o poder ou, quando eleito, rege a vida pública de maneira tirânica, é lícito o seu assassínio por um simples cidadão, directamente ou valendo-se do engano, com o menor distúrbio possível». De novo, satanizar Chávez para que, mesmo tendo sido eleito, justificar o seu sacrifício.
Mas o cinismo criminoso vai mais longe e o articulista dá-se ares de revolucionário para rematar o arrazoado desta maneira: «Só escritores reaccionários se opuseram a este direito dos povos (o de assassinarem os seus governantes, NA) como aquele clérigo de Virgínia (EUA), Jonathan Boucher, que disse: ‘O direito à revolução é uma doutrina condenável derivada de Lúcifer, o pai de todas as rebeliões’.»
Pode alguém ter dúvidas de que se está criar um clima propício ao magnicídio?
Estas palavras foram pronunciadas pelo presidente Chávez numa intervenção recente e revelam o momento perigoso por que passa o processo político venezuelano, como consequência do intervencionismo descarado de Washington nos assuntos internos do país.
Mas Chávez lançou também um apelo ao povo. «Se eu for assassinado, disse, não percam a calma. Aprofundem a revolução (…) Se isso chegar a suceder, demonstrem ao mundo que o problema aqui não é Chávez, que aqui há um povo disposto a ser livre!»
A verdade é que a estratégia de Bush é muito simples. Convencido de que não há a mais mínima hipótese de derrota eleitoral do movimento bolivariano nem na consulta presidencial de 2006 – e muito menos nas legislativas deste ano – acaricia a ideia do magnicídio como forma de criar o caos no país e ter assim uma desculpa para justificar uma intervenção internacional na Venezuela, ao estilo das que já vimos no Afeganistão, no Haiti ou no Iraque. É uma aposta sumamente arriscada, mas já vimos que o
fundamentalismo de Bush leva a situações como a que estamos a ver nesse últimos país, onde mais de 100 mil soldados são insuficientes para o controlar.
É claro que a oposição mais reaccionária, que domina a grande maioria do poder mediático, continua a minimizar estas denúncias, e afirma que são manobras para distrair a atenção do público. Ninguém pensa matar Chávez, dizem, como se fosse a primeira vez que o Washington opta por esse recurso; como se não tivesse existido recentemente um Plano Condor – contra os revolucionários latino-americanos – e, mais atrás, um outro chamado Fénix, que visava eliminar os da Ásia.
Dois exemplos
Entretanto, enquanto Chávez revela que «voltam a aparecer rumores e, mais do que rumores, informações e evidências de novos planos contra a Venezuela este mesmo ano, voltam a chegar informações muito precisas de tentativas de magnicídios, (…) de planos para pôr uma bomba em qualquer lugar ou para acabar com o Presidente com uma arma com mira telescópica» não é difícil encontrar provas crescentes do que se prepara.
Na imprensa de Caracas aparecem anúncios e artigos que apontam claramente na direcção da eliminação física de Chávez. Vejamos dois exemplos que se podem conferir na Internet.
No jornal El Nacional de 6 de Novembro do ano passado aparece um estranho obituário assinado pela ONG «Viva Venezuela Libre!». Trata-se de uma homenagem – claramente fora de tempo – ao coronel Claus Schenk von Stauffenberg, o mesmo que tentou matar Hitler com uma bomba e foi posteriormente fuzilado. A ONG afirma que, a não ter falhado, o atentado teria «poupado a vida de milhões de soldados e civis dos países em pugna e evitado mais sofrimentos ao grande povo alemão», e termina o anúncio com três frases de autores famosos. Uma delas, de Cícero, esclarece que «A mais bela das acções é matar o tirano». As outras duas vão pelo mesmo caminho. A
finalidade do recordatório fúnebre é óbvia: identificar Chávez como «o tirano» e justificar o seu assassinato. O facto do fuzilamento do coronel do Afrika Corps ter sido num 20 de Julho e de o In Memoriam sair meses depois do aniversário do acontecimento, não é prova de descuido dos seus «admiradores» mas sim da sua necessidade de, aqui e agora, publicarem as tais frases finais às quais fazemos referência.
Mais recentemente, o mesmo jornal, uma das cabeças mais visíveis da conspiração mediática e da campanha de sabotagem contra a indústria petrolífera, publicou um artigo com ares de estudo jurídico sobre «magnicídio e tiranicídio». Misturando, numa salada intragável os nomes de Plutarco, Tomás de Aquino, Teofrasto, Séneca, Quintiliano, Salibury, Lutero, Milton e Rousseau, extraindo as frases destes do seu respectivo contexto histórico e legal, pretende-se chegar, pela boca de outro autor, a
esta conclusão: «Quando o governante usurpa o poder ou, quando eleito, rege a vida pública de maneira tirânica, é lícito o seu assassínio por um simples cidadão, directamente ou valendo-se do engano, com o menor distúrbio possível». De novo, satanizar Chávez para que, mesmo tendo sido eleito, justificar o seu sacrifício.
Mas o cinismo criminoso vai mais longe e o articulista dá-se ares de revolucionário para rematar o arrazoado desta maneira: «Só escritores reaccionários se opuseram a este direito dos povos (o de assassinarem os seus governantes, NA) como aquele clérigo de Virgínia (EUA), Jonathan Boucher, que disse: ‘O direito à revolução é uma doutrina condenável derivada de Lúcifer, o pai de todas as rebeliões’.»
Pode alguém ter dúvidas de que se está criar um clima propício ao magnicídio?