Passar à acção
A defesa da indústria nacional, a garantia do emprego, a preservação da contratação colectiva e a luta por melhores salários serão acompanhadas do esforço para continuar a aumentar a sindicalização e reforçar a organização dos trabalhadores.
Foi um congresso «vivo, de unidade e de coesão»
Desde já, a Federação Intersindical da Metalurgia, Metalomecânica, Minas, Química, Farmacêutica, Petróleo e Gás vai empenhar-se na mobilização dos trabalhadores para a jornada de luta que a CGTP-IN decidiu realizar no dia 28 de Junho.
A síntese dos trabalhos da reunião magna da Fequimetal, que decorreu sexta-feira, dia 20, na Sociedade Euterpe Alhandrense, foi apresentada na intervenção de encerramento de João Silva, coordenador da Direcção Nacional da federação e membro da Comissão Executiva da CGTP-IN. Neste 2.º Congresso participaram cerca de 300 dirigentes e delegados, em representação dos sindicatos que integram esta grande estrutura sectorial da Inter, bem como de uma dezena de representantes de organizações congéneres de Espanha, França, Bélgica, Itália e Alemanha.
Como é referido no Relatório de Actividades, os onze sindicatos da Fequimetal têm 81 073 associados, que elegeram 1 069 delegados sindicais e 452 dirigentes (destes, 51 desempenham funções de direcção a tempo permanente). Desde o 1.º Congresso, em Junho de 1999, sindicalizaram-se quase 30 mil trabalhadores, compensando assim as saídas normais e as que resultaram da destruição de postos de trabalho (em 200 empresas, foram contabilizados dez mil empregos destruídos).
João Silva valorizou a realização do congresso, que foi «vivo, de unidade e de coesão» e constituiu uma afirmação da «identidade de princípios de classe e de caminhos para a luta», por parte do colectivo que constitui a Fequimetal. Aquele dirigente destacou ainda a participação de jovens, reflectida numa mais forte presença na direcção ali eleita, enaltecendo de seguida «os camaradas que ficarão para sempre ligados à luta no nosso sector e souberam compreender a importância da renovação de quadros», a propósito de dezena e meia de dirigentes que não foram agora reeleitos.
«Apesar dos obstáculos que o capital colocou no nosso caminho, não só resistimos, como mantemos uma organização sólida», congratulara-se o dirigente, na intervenção de abertura.
A federação, verificando a quebra na produção industrial e a quase destruição de sectores estratégicos, como a metalomecânica pesada, a siderurgia e a indústria farmacêutica, acusa sucessivos governos de terem submetido as suas políticas aos interesses do grande capital nacional e das multinacionais, sem possuírem vontade política nem visão estratégica para uma efectiva reestruturação industrial. Tal como sucedeu na Petrogal (refinaria de Leça da Palmeira), nas Pirites Alentejanas (Aljustrel) e na Bombardier (ex-Sorefame), foram os trabalhadores que lutaram pela viabilização e modernização e pela garantia dos direitos sociais.
Mudar pela luta
Do Governo PS, a Fequimetal reclama o cumprimento das promessas eleitorais, em particular as que têm a ver com a criação de 150 mil postos de trabalho, o chamado choque tecnológico (entendido como modernização do País e valorização dos trabalhadores), a revogação das normas gravosas do Código do Trabalho, a defesa da contratação colectiva, a política salarial e as políticas sociais em geral. Isto, como ressalvou João Silva, «sem abandonarmos a convicção de que só a acção colectiva dos trabalhadores pode levar a mudanças de fundo».
Para a indústria, o Programa de Acção aprovado no congresso defende uma política integrada, que deve contemplar linhas fundamentais para os sectores do âmbito sindical da federação, como o aproveitamento integrado e racional dos recursos mineiros, a reactivação da indústria siderúrgica, o usufruto da capacidade instalada na indústria naval, a estabilidade da indústria automóvel, o desenvolvimento das indústrias químicas e do sector dos adubos, o investimento nas refinarias, a valorização da indústria farmacêutica nacional e uma nova política do medicamento.
Além do Programa de Acção, o congresso – ao fim de quatro dezenas de intervenções – aprovou uma resolução com reivindicações e objectivos para a acção imediata, uma moção pela paz e contra a guerra, e uma resolução sobre a rejeição da proposta de Tratado constitucional da Comissão Europeia. A Direcção Nacional foi eleita com 273 votos favoráveis e 6 brancos.
Multinacionais ao ataque
A Fequimetal intervém num dos três sectores que vão ser determinantes, nos próximos tempos, para a situação dos trabalhadores, mas também da economia nacional, frisou Carvalho da Silva.
O secretário-geral da CGTP-IN interveio no final da manhã, depois de acompanhar essa primeira parte do congresso, alertando que os sectores onde há uma mais forte presença de capital estrangeiro são também aqueles que, do ponto de vista económico, são mais atacados (ficando até ameaçada a sua subsistência no País) e aqueles onde é mais forte a ofensiva contra os trabalhadores: o sector automóvel, a indústria têxtil e a fabricação de material eléctrico e electrónico.
Manuel Carvalho da Silva começou por expressar aos congressistas «gratidão», pois ao promoverem a luta em defesa dos interesses dos trabalhadores dos seus sectores, interesses que são também os dos trabalhadores portugueses. Destacou os casos da Bombardier, na Amadora, e da Opel, na Azambuja.
Sobre o dia de luta, que a central agendou para 28 de Junho, apontou a necessidade de forte participação nas acções descentralizadas como forma de reclamar do Governo mudanças profundas, para responder à ofensiva do poder económico e financeiro, e como forma de «criar esperança nos trabalhadores», alargando a expressão do justo protesto de quem mais sofre com aquela ofensiva.
Ao comparar as justificações apresentadas em defesa do Código do Trabalho com o resultado concreto da sua aprovação, Carvalho da Silva denunciou que ele «não trouxe nada de moderno», apenas veio flexibilizar e desregulamentar as relações de trabalho, fragilizando ainda mais a situação dos trabalhadores perante o patronato. Manter a caducidade dos contratos colectivos, como ela está no Código, será como «oferecer o ouro ao bandido», pelo que é necessário exigir a sua revisão, também através da discussão pública do projecto-lei do PCP sobre contratação colectiva, apelou.
A síntese dos trabalhos da reunião magna da Fequimetal, que decorreu sexta-feira, dia 20, na Sociedade Euterpe Alhandrense, foi apresentada na intervenção de encerramento de João Silva, coordenador da Direcção Nacional da federação e membro da Comissão Executiva da CGTP-IN. Neste 2.º Congresso participaram cerca de 300 dirigentes e delegados, em representação dos sindicatos que integram esta grande estrutura sectorial da Inter, bem como de uma dezena de representantes de organizações congéneres de Espanha, França, Bélgica, Itália e Alemanha.
Como é referido no Relatório de Actividades, os onze sindicatos da Fequimetal têm 81 073 associados, que elegeram 1 069 delegados sindicais e 452 dirigentes (destes, 51 desempenham funções de direcção a tempo permanente). Desde o 1.º Congresso, em Junho de 1999, sindicalizaram-se quase 30 mil trabalhadores, compensando assim as saídas normais e as que resultaram da destruição de postos de trabalho (em 200 empresas, foram contabilizados dez mil empregos destruídos).
João Silva valorizou a realização do congresso, que foi «vivo, de unidade e de coesão» e constituiu uma afirmação da «identidade de princípios de classe e de caminhos para a luta», por parte do colectivo que constitui a Fequimetal. Aquele dirigente destacou ainda a participação de jovens, reflectida numa mais forte presença na direcção ali eleita, enaltecendo de seguida «os camaradas que ficarão para sempre ligados à luta no nosso sector e souberam compreender a importância da renovação de quadros», a propósito de dezena e meia de dirigentes que não foram agora reeleitos.
«Apesar dos obstáculos que o capital colocou no nosso caminho, não só resistimos, como mantemos uma organização sólida», congratulara-se o dirigente, na intervenção de abertura.
A federação, verificando a quebra na produção industrial e a quase destruição de sectores estratégicos, como a metalomecânica pesada, a siderurgia e a indústria farmacêutica, acusa sucessivos governos de terem submetido as suas políticas aos interesses do grande capital nacional e das multinacionais, sem possuírem vontade política nem visão estratégica para uma efectiva reestruturação industrial. Tal como sucedeu na Petrogal (refinaria de Leça da Palmeira), nas Pirites Alentejanas (Aljustrel) e na Bombardier (ex-Sorefame), foram os trabalhadores que lutaram pela viabilização e modernização e pela garantia dos direitos sociais.
Mudar pela luta
Do Governo PS, a Fequimetal reclama o cumprimento das promessas eleitorais, em particular as que têm a ver com a criação de 150 mil postos de trabalho, o chamado choque tecnológico (entendido como modernização do País e valorização dos trabalhadores), a revogação das normas gravosas do Código do Trabalho, a defesa da contratação colectiva, a política salarial e as políticas sociais em geral. Isto, como ressalvou João Silva, «sem abandonarmos a convicção de que só a acção colectiva dos trabalhadores pode levar a mudanças de fundo».
Para a indústria, o Programa de Acção aprovado no congresso defende uma política integrada, que deve contemplar linhas fundamentais para os sectores do âmbito sindical da federação, como o aproveitamento integrado e racional dos recursos mineiros, a reactivação da indústria siderúrgica, o usufruto da capacidade instalada na indústria naval, a estabilidade da indústria automóvel, o desenvolvimento das indústrias químicas e do sector dos adubos, o investimento nas refinarias, a valorização da indústria farmacêutica nacional e uma nova política do medicamento.
Além do Programa de Acção, o congresso – ao fim de quatro dezenas de intervenções – aprovou uma resolução com reivindicações e objectivos para a acção imediata, uma moção pela paz e contra a guerra, e uma resolução sobre a rejeição da proposta de Tratado constitucional da Comissão Europeia. A Direcção Nacional foi eleita com 273 votos favoráveis e 6 brancos.
Multinacionais ao ataque
A Fequimetal intervém num dos três sectores que vão ser determinantes, nos próximos tempos, para a situação dos trabalhadores, mas também da economia nacional, frisou Carvalho da Silva.
O secretário-geral da CGTP-IN interveio no final da manhã, depois de acompanhar essa primeira parte do congresso, alertando que os sectores onde há uma mais forte presença de capital estrangeiro são também aqueles que, do ponto de vista económico, são mais atacados (ficando até ameaçada a sua subsistência no País) e aqueles onde é mais forte a ofensiva contra os trabalhadores: o sector automóvel, a indústria têxtil e a fabricação de material eléctrico e electrónico.
Manuel Carvalho da Silva começou por expressar aos congressistas «gratidão», pois ao promoverem a luta em defesa dos interesses dos trabalhadores dos seus sectores, interesses que são também os dos trabalhadores portugueses. Destacou os casos da Bombardier, na Amadora, e da Opel, na Azambuja.
Sobre o dia de luta, que a central agendou para 28 de Junho, apontou a necessidade de forte participação nas acções descentralizadas como forma de reclamar do Governo mudanças profundas, para responder à ofensiva do poder económico e financeiro, e como forma de «criar esperança nos trabalhadores», alargando a expressão do justo protesto de quem mais sofre com aquela ofensiva.
Ao comparar as justificações apresentadas em defesa do Código do Trabalho com o resultado concreto da sua aprovação, Carvalho da Silva denunciou que ele «não trouxe nada de moderno», apenas veio flexibilizar e desregulamentar as relações de trabalho, fragilizando ainda mais a situação dos trabalhadores perante o patronato. Manter a caducidade dos contratos colectivos, como ela está no Código, será como «oferecer o ouro ao bandido», pelo que é necessário exigir a sua revisão, também através da discussão pública do projecto-lei do PCP sobre contratação colectiva, apelou.