Marcha pela Reforma Agrária
Pela reforma agrária e contra a política económica de Lula, cerca de 13 mil trabalhadores sem terra marcham desde 2 de Maio rumo a Brasília.
«A política económica, no essencial, é idêntica à dos governos anteriores»
Homens, mulheres e crianças de 23 dos 27 estados brasileiros partiram esta segunda-feira do estádio «Serra Dourada», em Goiania, propondo-se percorrer em 15 dias a distância de 200 quilómetros que os separa de Brasília, onde esperam conseguir fazer ouvir as suas reivindicações.
A iniciativa, promovida pelo Movimento dos Sem Terra (MST) e por outros movimentos agrupados na Via Campesina, está organizada de forma a permitir um percurso diário de 15 quilómetros, durante a manhã, seguido de acampamento onde se realizarão conferências e debates. Segundo o dirigente do MST, João Pedro Stédile, em declarações à Prensa Latina, se outros resultados não alcançar, a acção contribuirá pelo menos para que os 12 722 inscritos possam aprender alguma coisa.
Na semana passada, num encontro com os correspondentes estrangeiros no Rio de Janeiro, Stédile fez questão de sublinhar que a marcha não é contra o governo brasileiro, mas sim pela reforma agrária e pela mudança da política económica que vem sendo seguida no país.
Na opinião do dirigente do MST, há três factores que contribuem para a morosidade das mudanças: a organização do Estado que favorece os mais ricos; o forte poder do agronegócio; e a política económica, que no essencial é idêntica à dos governos anteriores.
O objectivo da marcha é exigir ao governo do presidente Lula que cumpra o seu compromisso de levar a cabo uma reforma agrária que dê resposta aos problemas dos Sem Terra brasileiros, bem como apresentar uma série de medidas que mudem a política económica do país.
Medidas estruturantes
Entre outros aspectos, o Movimento manifesta-se contra a adesão do Brasil à Área de Livre Comércio das Américas (ALCA); pela rejeição das regras da Organização Mundial de Comércio (OMC) que prejudicam o país; e a favor de uma auditoria à dívida externa, como previsto na Constituição, bem como a renegociação do seu valor, que se considera ter sido já pago várias vezes.
Outras reivindicações respeitam à defesa da Amazónia e da sua biodiversidade contra os interesses predadores das transnacionais, impedir o processo de privatização da água e impor uma moratória ao uso de sementes geneticamente modificadas até se conhecerem os seus efeitos para a saúde e o meio ambiente.
A carta reivindicativa dos Sem Terra passa igualmente pela aplicação de sanções exemplares aos latifundiários que recorrem à violência contra os trabalhadores, pela aprovação de uma lei de expropriação das propriedades onde se explora o trabalho escravo, e o julgamento deste tipo de crimes a nível federal. O Movimento exige ainda a marcação imediata das terras indígenas, como previsto na lei fundamental do país.
A Marcha deve chegar a Brasília a 16 de Maio, estando previstas para o dia seguinte manifestações junto ao que os organizadores da iniciativa consideram os três centros de poder no Brasil: o Congresso, o Ministério da Economia e a embaixada dos EUA. Nestes três locais, os manifestantes farão ouvir igualmente o seu repúdio pela política de guerra e violação dos direitos humanos levada a cabo pela administração Bush, bem como exigir a sua saída do Iraque, a exemplo do que defendem em relação às tropas brasileiras destacadas no Haiti.
É preciso mudar de política>
«Fizemos um acordo com o governo de Lula em Novembro de 2003, em que este se comprometeu a assentar 430 000 famílias nos três anos de mandato que ainda lhe restavam. E o governo comprometia-se a dar prioridade às famílias dos acampamentos.
«Passou quase ano e meio e até agora o governo não honrou o seu compromisso e só assentou menos de 60 000 famílias. Faltam 20 meses de mandato e 370 000 famílias por assentar. O governo não está a aplicar o plano nacional de reforma agrária, e ainda se dá ao desplante de anunciar cortes no orçamento para pagar interesses da dívida interna aos banqueiros.
(...) «Sabemos que a realização da reforma agrária não é apenas uma questão da vontade política ou de compromisso pessoal do presidente. Depende da política económica. Depende um projecto de desenvolvimento.
«Vamos então marchar, para ir a Brasília e dizer ao governo que mude a sua política económica, se quer viabilizar a reforma agrária e resolver os problemas do povo».
João Pedro Stedile, MST
A iniciativa, promovida pelo Movimento dos Sem Terra (MST) e por outros movimentos agrupados na Via Campesina, está organizada de forma a permitir um percurso diário de 15 quilómetros, durante a manhã, seguido de acampamento onde se realizarão conferências e debates. Segundo o dirigente do MST, João Pedro Stédile, em declarações à Prensa Latina, se outros resultados não alcançar, a acção contribuirá pelo menos para que os 12 722 inscritos possam aprender alguma coisa.
Na semana passada, num encontro com os correspondentes estrangeiros no Rio de Janeiro, Stédile fez questão de sublinhar que a marcha não é contra o governo brasileiro, mas sim pela reforma agrária e pela mudança da política económica que vem sendo seguida no país.
Na opinião do dirigente do MST, há três factores que contribuem para a morosidade das mudanças: a organização do Estado que favorece os mais ricos; o forte poder do agronegócio; e a política económica, que no essencial é idêntica à dos governos anteriores.
O objectivo da marcha é exigir ao governo do presidente Lula que cumpra o seu compromisso de levar a cabo uma reforma agrária que dê resposta aos problemas dos Sem Terra brasileiros, bem como apresentar uma série de medidas que mudem a política económica do país.
Medidas estruturantes
Entre outros aspectos, o Movimento manifesta-se contra a adesão do Brasil à Área de Livre Comércio das Américas (ALCA); pela rejeição das regras da Organização Mundial de Comércio (OMC) que prejudicam o país; e a favor de uma auditoria à dívida externa, como previsto na Constituição, bem como a renegociação do seu valor, que se considera ter sido já pago várias vezes.
Outras reivindicações respeitam à defesa da Amazónia e da sua biodiversidade contra os interesses predadores das transnacionais, impedir o processo de privatização da água e impor uma moratória ao uso de sementes geneticamente modificadas até se conhecerem os seus efeitos para a saúde e o meio ambiente.
A carta reivindicativa dos Sem Terra passa igualmente pela aplicação de sanções exemplares aos latifundiários que recorrem à violência contra os trabalhadores, pela aprovação de uma lei de expropriação das propriedades onde se explora o trabalho escravo, e o julgamento deste tipo de crimes a nível federal. O Movimento exige ainda a marcação imediata das terras indígenas, como previsto na lei fundamental do país.
A Marcha deve chegar a Brasília a 16 de Maio, estando previstas para o dia seguinte manifestações junto ao que os organizadores da iniciativa consideram os três centros de poder no Brasil: o Congresso, o Ministério da Economia e a embaixada dos EUA. Nestes três locais, os manifestantes farão ouvir igualmente o seu repúdio pela política de guerra e violação dos direitos humanos levada a cabo pela administração Bush, bem como exigir a sua saída do Iraque, a exemplo do que defendem em relação às tropas brasileiras destacadas no Haiti.
É preciso mudar de política>
«Fizemos um acordo com o governo de Lula em Novembro de 2003, em que este se comprometeu a assentar 430 000 famílias nos três anos de mandato que ainda lhe restavam. E o governo comprometia-se a dar prioridade às famílias dos acampamentos.
«Passou quase ano e meio e até agora o governo não honrou o seu compromisso e só assentou menos de 60 000 famílias. Faltam 20 meses de mandato e 370 000 famílias por assentar. O governo não está a aplicar o plano nacional de reforma agrária, e ainda se dá ao desplante de anunciar cortes no orçamento para pagar interesses da dívida interna aos banqueiros.
(...) «Sabemos que a realização da reforma agrária não é apenas uma questão da vontade política ou de compromisso pessoal do presidente. Depende da política económica. Depende um projecto de desenvolvimento.
«Vamos então marchar, para ir a Brasília e dizer ao governo que mude a sua política económica, se quer viabilizar a reforma agrária e resolver os problemas do povo».
João Pedro Stedile, MST