Parque Mayer sai muito caro!
Quando os lisboetas acordarem do torpor e do equívoco em que o PSD, o PP, o PS e o BE os querem deixar, será tarde. Mas aí vão descobrir como a Cidade foi enganada. A reabilitação do Parque Mayer, como ela foi concebida, sai cara. Os teatros que ali talvez venham a surgir devem ser dos mais caros do mundo, tudo somado. Talvez venham a surgir, dizemos, porque pode não haver dinheiro para os construir…
O Parque devia ser recuperado com base em raciocínios e decisões políticas completamente diferentes e até contrárias: poupando verbas à CML e dando menos lucros aos privados. Tudo o que os privados estão a lucrar, lucram-no em prejuízo da câmara! Basta dizer que os privados lucraram já, com o Parque, o seguinte: um casino, uma venda especulativa do mesmo Parque à própria autarquia, um terreno super-valioso vendido ao desbarato em Entrecampos, onde estava a Feira Popular, a possibilidade de construírem em altura nesse espaço, voltando a lucrar de forma exponencial. É muito. E de mais. E, como o negócio foi entre a CML e os privados donos do Parque, então cada euro que uma parte ganha é exactamente o que a outra parte perde. Simples como a água. Os eleitos comunistas têm deixado bem, clara esta posição do Partido sobre esta matéria e a sua fundamentação.
Avaliação por comissão
Na sua declaração de voto na Assembleia Municipal, o PCP não podia ser mais claro: «É incontestável que, em termos de mercado, os terrenos de Entrecampos são muito mais valiosos». E, mais adiante: «O PCP sempre defendeu que o Parque Mayer, pela sua importância como espaço cultural, devia ser reabilitado. Mas não a qualquer preço e muito menos visando tirar deste projecto, fundamentalmente, dividendos políticos».
«O PCP entende, pois que a permuta só devia concretizar-se após a elaboração de planos de pormenor do quarteirão do Parque, e do plano de alinhamento de cérceas da Avenida da República – como foi deliberado pela Assembleia Municipal em Março de 2004. O PCP entende ainda que a permuta deve ter em conta a área edificável definida pelo Plano de Pormenor do Parque Mayer, e que o preço do metro quadrado de área edificável dos terrenos a permutar seja fixado por uma comissão independente».
PS ajudou o PSD
António Abreu, por exemplo, tem falado repetidamente de um fato feito à medida dos interesses dos privados, aludindo ao facto central de que todo este negócio está a ser efectuado sem qualquer base em planos de pormenor, o que desde logo é ilegal.
Martinho Baptista, na Assembleia Municipal, deixou clara a viragem de posição do PS da noite para o dia, quando na sessão da CML deixou cair a sua própria proposta e aderiu à proposta do PSD (a mesma que o BE acabaria por aprovar também na Assembleia Municipal). Esses planos de pormenor, aliás, a CML tinha deliberado em Março de 2004 fazê-los, por proposta do PCP. Mas não foram feitos. E, sem esses planos, não sabemos qual o real valor dos terrenos. Mas o próprio PS, na proposta que apresentara em 1 de Fevereiro deste ano, fala por duas vezes de que os planos são indispensáveis. Disse na altura este camarada que «o PS apresentou duas propostas e, a troco de quase nada, deixou-as cair».
Feliciano David, também da Assembleia Municipal, deixou claro que «só partindo-se destas avaliações grosseiras (sem planos) e de pressupostos errados, foi possível valorizar, para efeitos de permuta, os 50 mil metros quadrados do Parque Mayer pelo mesmo valor dos 61 mil metros quadrados de Entrecampos».
Má troca para a Câmara
O deputado municipal do PCP Silva Dias disse inclusive que, neste negócio, a CML está a trocar «carne do lombo» (o terreno municipal de Entrecampos onde estava a Feira Popular) por «um saco de ossos» (o Parque Mayer, propriedade de privados, em termos de construção de valor lucrativo).
«No caso do Parque Mayer», disse Silva Dias, «temos um alto património cultural e, tudo indica, reduzidas potencialidades de aumento de património edificado lucrativo; no caso na Feira Popular, essas potencialidades são elevadíssimas».
Mais ainda, e citando outro arquitecto, Silva Dias sublinha também que «os terrenos da Feira Popular são um quarteirão perfeito: quatro frentes de 70 metros» para as mais importantes avenidas de Lisboa; o Parque Mayer é, deste ponto de vista, «um buraco nas traseiras da Avenida da Liberdade», com uma frente de 12 metros para a Travessa do Salitre e outra de 10 metros para a Rua da Alegria».
Trata-se, para estes estudiosos, de «uma troca absurda», pois «não há comparação possível».
Mas não o entenderam assim o PSD e o CDS que fizeram a proposta da troca, nem o PS e o BE que a aprovaram.
Nota:
Na última crónica, referimos por lapso que «as obras das piscinas ainda nem sequer começaram». Já começaram. E, a propósito de piscinas, cabe afirmar que o PCP deixa desde já claro que não aceita a demolição da Piscina Olímpica de 50 metros dos Olivais.
O Parque devia ser recuperado com base em raciocínios e decisões políticas completamente diferentes e até contrárias: poupando verbas à CML e dando menos lucros aos privados. Tudo o que os privados estão a lucrar, lucram-no em prejuízo da câmara! Basta dizer que os privados lucraram já, com o Parque, o seguinte: um casino, uma venda especulativa do mesmo Parque à própria autarquia, um terreno super-valioso vendido ao desbarato em Entrecampos, onde estava a Feira Popular, a possibilidade de construírem em altura nesse espaço, voltando a lucrar de forma exponencial. É muito. E de mais. E, como o negócio foi entre a CML e os privados donos do Parque, então cada euro que uma parte ganha é exactamente o que a outra parte perde. Simples como a água. Os eleitos comunistas têm deixado bem, clara esta posição do Partido sobre esta matéria e a sua fundamentação.
Avaliação por comissão
Na sua declaração de voto na Assembleia Municipal, o PCP não podia ser mais claro: «É incontestável que, em termos de mercado, os terrenos de Entrecampos são muito mais valiosos». E, mais adiante: «O PCP sempre defendeu que o Parque Mayer, pela sua importância como espaço cultural, devia ser reabilitado. Mas não a qualquer preço e muito menos visando tirar deste projecto, fundamentalmente, dividendos políticos».
«O PCP entende, pois que a permuta só devia concretizar-se após a elaboração de planos de pormenor do quarteirão do Parque, e do plano de alinhamento de cérceas da Avenida da República – como foi deliberado pela Assembleia Municipal em Março de 2004. O PCP entende ainda que a permuta deve ter em conta a área edificável definida pelo Plano de Pormenor do Parque Mayer, e que o preço do metro quadrado de área edificável dos terrenos a permutar seja fixado por uma comissão independente».
PS ajudou o PSD
António Abreu, por exemplo, tem falado repetidamente de um fato feito à medida dos interesses dos privados, aludindo ao facto central de que todo este negócio está a ser efectuado sem qualquer base em planos de pormenor, o que desde logo é ilegal.
Martinho Baptista, na Assembleia Municipal, deixou clara a viragem de posição do PS da noite para o dia, quando na sessão da CML deixou cair a sua própria proposta e aderiu à proposta do PSD (a mesma que o BE acabaria por aprovar também na Assembleia Municipal). Esses planos de pormenor, aliás, a CML tinha deliberado em Março de 2004 fazê-los, por proposta do PCP. Mas não foram feitos. E, sem esses planos, não sabemos qual o real valor dos terrenos. Mas o próprio PS, na proposta que apresentara em 1 de Fevereiro deste ano, fala por duas vezes de que os planos são indispensáveis. Disse na altura este camarada que «o PS apresentou duas propostas e, a troco de quase nada, deixou-as cair».
Feliciano David, também da Assembleia Municipal, deixou claro que «só partindo-se destas avaliações grosseiras (sem planos) e de pressupostos errados, foi possível valorizar, para efeitos de permuta, os 50 mil metros quadrados do Parque Mayer pelo mesmo valor dos 61 mil metros quadrados de Entrecampos».
Má troca para a Câmara
O deputado municipal do PCP Silva Dias disse inclusive que, neste negócio, a CML está a trocar «carne do lombo» (o terreno municipal de Entrecampos onde estava a Feira Popular) por «um saco de ossos» (o Parque Mayer, propriedade de privados, em termos de construção de valor lucrativo).
«No caso do Parque Mayer», disse Silva Dias, «temos um alto património cultural e, tudo indica, reduzidas potencialidades de aumento de património edificado lucrativo; no caso na Feira Popular, essas potencialidades são elevadíssimas».
Mais ainda, e citando outro arquitecto, Silva Dias sublinha também que «os terrenos da Feira Popular são um quarteirão perfeito: quatro frentes de 70 metros» para as mais importantes avenidas de Lisboa; o Parque Mayer é, deste ponto de vista, «um buraco nas traseiras da Avenida da Liberdade», com uma frente de 12 metros para a Travessa do Salitre e outra de 10 metros para a Rua da Alegria».
Trata-se, para estes estudiosos, de «uma troca absurda», pois «não há comparação possível».
Mas não o entenderam assim o PSD e o CDS que fizeram a proposta da troca, nem o PS e o BE que a aprovaram.
Nota:
Na última crónica, referimos por lapso que «as obras das piscinas ainda nem sequer começaram». Já começaram. E, a propósito de piscinas, cabe afirmar que o PCP deixa desde já claro que não aceita a demolição da Piscina Olímpica de 50 metros dos Olivais.