A "Grande Mentira" de Bush
George W. Bush é conhecido pela guerra contra o povo iraquiano. Nos EUA, o seu plano para mudar a Segurança Social é uma declaração de guerra ao povo trabalhador dos EUA.
A Segurança Social é o programa governamental mais popular. Actualmente, 47 dos 290 milhões de cidadãos norte-americanos recebe um cheque mensal da Segurança Social. Cerca de 37 milhões de pessoas são pensionistas e outros 10 milhões são trabalhadores incapacitados ou dependentes.
A administração Roosevelt introduziu este modesto programa durante a grande depressão dos anos 30 como concessão às lutas da classe trabalhadora.
Antes de 1960, cerca de 40 por cento dos idosos viviam na pobreza. Depois de algumas melhorias no sistema de benefícios da Segurança Social, este número desceu para 10 por cento. As pensões da Segurança Social asseguraram condições de vida dignas para milhões de reformados.
Este programa desenrola-se de forma muito mais eficiente que qualquer seguro privado ou programa de investimento. As despesas administrativas são apenas um por cento dos custos totais.
Empregados e trabalhadores, pagam ambos uma taxa de 6,2 por cento dos primeiros 86 mil dólares de rendimento para o fundo da Segurança Social. Esta taxa é regressiva, mas os benefícios pagam proporcionalmente melhor aos trabalhadores com rendimentos mais baixos. Os proveitos proporcionam um estilo de vida modesto, mas é melhor do que estar votado à pobreza mais abjecta.
Pode parecer impossível que a administração Bush desmembre um programa que efectua pagamentos a centenas de milhares de pessoas. Mesmo assim, Bush prepara-se para selar o ataque à Segurança Social do mesmo modo que vendeu a guerra no Iraque. Usando a Grande Mentira!
Na Segurança Social, a Grande Mentira é que o sistema entrará em colapso caso não venha a ser rapidamente «reformado» e privatizado. Os economistas de direita opuseram-se à Segurança Social desde o seu início, e o actual grupo de grandes especialistas económicos juntou-se para promover em uníssono a Grande Mentira.
Evidentemente, é possível que venha a surgir um colapso total da economia capitalista. Existe um largo e crescente défice no orçamento federal, fruto dos cortes fiscais que Bush efectuou em proveito dos ricos e das astronómicas despesas militares. A administração finge que estes problemas não existem.
De qualquer modo, para criar uma atmosfera de crise, os peritos do governo usam a severidade, exagerando estimativas anunciam que a Segurança Social estará a dever 10 milhares de milhão de dólares e, por isso, necessita de medidas de urgência. Avaliações mais honestas da situação indicam que o programa garante pagamentos, nas actuais condições, pelo menos até ao ano de 2042.
A solução proposta por Bush para contrabalançar a tendência de falência do sistema é proporcionar a sua privatização. Isto é, os jovens trabalhadores que passem a integrar o programa de Segurança Social disponibilizarão uma parte do seu dinheiro para investimentos em acções. O rendimento disponível na idade de reforma ficará, assim, dependente do sucesso dos investimentos realizados. Se o mercado de acções bater no fundo, as pessoas não terão o suficiente para viver.
Na Grã-Bretanha, um esquema idêntico resultou numa queda drástica das pensões pagas pelo governo.
As mulheres serão especialmente afectadas por estas alterações, uma vez que recebem menos pelo trabalho que realizam e recorrentemente abandonam as carreiras profissionais para se ocuparem em exclusivo da família.
O gang de Bush ataca a Segurança Social por ganância pessoal e para impor a sua ideologia. Tem profundo raiva aos programas sociais que visam esbater o fosso entre ricos e pobres. Os seus amigos da alta finança pretendem recolher dividendos através do dinheiro potencialmente investido.
Uma coligação representando os grandes monopólios incluindo a Boeing, a Pfizer e a Fidelity Investments, planeiam investir «significativamente mais» que cinco milhões de dólares para promoverem o plano de privatização de Bush através da divulgação da sua Grande Mentira.
No outro lado da luta de classes, duas grandes organizações de massas iniciaram uma campanha de defesa da Segurança Social. Uma delas, a Federação Americana do Trabalho-Congresso de Organizações Industriais (AFL-CIO, na sigla inglesa), representa 13 milhões de trabalhadores organizados e muitos reformados.
O presidente da AFL-CIO, John Sweeney, criticou a Associação das Industrias de Seguros pelo seu apoio ao projecto de privatização da Segurança Social chamando a atenção para «o ligeiro interesse das empresas financeiras em aumentarem as suas taxas de rendimentos».
A outra organização de massas que está na luta é a associação Americana de Pessoas Reformadas (AARP, na sigla inglesa), que recentemente efectuou uma campanha contra a política de Bush.
Ambos os grupos limitaram os seus esforços na educação e nos lobbies. Ainda assim, a defesa da Segurança Social apresenta um potencial tremendo na unificação da classe trabalhadora. A questão está em saber se o trabalho organizado será capaz de fazer chegar a luta às fábricas e aos escritórios e trazê-la para as ruas com vista a impedir o ataque de Bush.