Teerão adverte Washington

Ataque ao Irão seria «um erro monumental»

Uma agressão dos EUA ao Irão seria um «erro estratégico monumental», advertiu esta segunda-feira a república islâmica, que garante ser capaz de se defender.

«Os britânicos dizem-se partidários de uma solução pacífica»

O ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano considera que não há «nada de novo» nas recentes ameaças dos EUA ao Irão no contexto da chamada guerra ao terrorismo, já que «de tempos a tempos os Estados Unidos lançam uma guerra psicológica» contra o país.
«Não acreditamos que seja provável um ataque, salvo se alguém quiser cometer
um erro estratégico monumental», afirmou à imprensa o porta-voz diplomático iraniano, Hamid Reza Assefi, citado pela Lusa. Mas se tal se verificar, garantiu Assefi, o país é «suficientemente forte e tem capacidade para se defender».
A possibilidade de uma acção militar contra o regime de Teerão voltou a ser posta na agenda norte-americana pelo próprio presidente George W. Bush, na semana passada. Em entrevista à televisão norte-americana NBC, o presidente Bush admitiu o recurso à força caso o Irão persista em não prestar informações sobre o seu programa nuclear, embora o Pentágono se tenha apressado a esclarecer que não tem qualquer plano para atacar o Iraque.
A reacção iraniana não se fez esperar, com o ministro da Defesa, citado pela agência Mehr, a garantir que o Irão tem «força necessária para impedir um ataque de qualquer país, porque
carecem de informação exacta sobre a nossa capacidade militar».
O Irão, que sempre negou que as suas instalações nucleares estejam a ser utilizadas para produzir armas nucleares, exclui qualquer contacto directo com Washington enquanto a administração Bush persistir na sua «linguagem ameaçadora».
Segundo afirmou na segunda-feira à imprensa o porta-voz governamental Adbullah Ramazanzadeh, «se alguém empregar uma linguagem ameaçadora, terá resposta no mesmo tom. Mas, se cessarem as ameaças e houver, sem condições prévias, vontade de dialogar de igual para igual, estudaremos a possibilidade de negociar com outro governo».

Reticência britânica

Entretanto, a «questão iraniana» está a preocupar o fiel aliado dos EUA no outro lado do Atlântico. De acordo com um relatório citado pelo Sunday Times, o ministro dos Negócios Estrangeiros britânico, Jack Straw, exclui qualquer acção militar contra o Irão e defende uma «solução negociada» para impedir Teerão de produzir armas nucleares.
Segundo o jornal, o documento de 200 páginas foi entregue na semana passada na Câmara
dos Comuns de forma discreta, de forma a evitar um incidente com a Casa Branca. Os britânicos dizem-se partidários de uma solução pacífica, de parceria com a França e Alemanha, considerada do «interesse do Irão e da comunidade internacional», e recordam o direito de Teerão a desenvolver e utilizar tecnologia nuclear para fins pacíficos.
Afirmando que Londres não estará disponível para acompanhar os EUA noutra guerra no Médio Oriente, o Sunday Times avança que a posição britânica vai ser reiterada no encontro, agendado para Fevereiro, entre o primeiro-ministro Tony Blair e o presidente Bush.
Desvalorizando as afirmações do jornal, Jack Straw garantiu no início da semana que também os EUA defendem a via diplomática para a resolução da «questão nuclear» iraniana. Falando à BBC em Washington após um encontro com Condoleezza Rice, o ministro da Defesa britânico afirmou que a opção militar não foi abordada com a sucessora de Colin Powell. A dificuldade está, segundo Straw, em garantir que a capacidade nuclear do Irão será «inteiramente para fins pacíficas e que não reste qualquer intenção, qualquer possibilidade de que elas sirvam (para desenvolver) armas nucleares».


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