CDU prepara campanha pela positiva

Não há justiça social sem tocar em privilégios

Mais votos e mais deputados da CDU serão sempre um factor de mudança na política nacional, afirmou Jerónimo de Sousa em várias sessões de apresentação de candidatos às eleições legislativas de 20 de Fevereiro.

É preciso confirmar, nas urnas, a derrota da direita e das suas políticas

Confirmar nas urnas a derrota da direita é um dos objectivos dos comunistas para as eleições legislativas de 20 de Fevereiro. Embora acredite que a «direita vai sofrer uma derrota eleitoral correspondente ao seu descrédito e isolamento social em consequência da sua desastrosa política, que tanto compromete o PSD e o CDS/PP», Jerónimo de Sousa quer que nestas eleições essa derrota seja confirmada. Este objectivo foi reafirmado em várias intervenções do secretário-geral do PCP, proferidas em iniciativas de apresentação de candidatos, nomeadamente em Setúbal e Aveiro.
Na opinião do dirigente comunista, não são necessárias sondagens para confiar na derrota dos partidos da direita. Basta, afirma, saber o que «sentem e pensam centenas de milhares de desempregados, os trabalhadores prejudicados nos seus salários e nos seus direitos, os estudantes e suas famílias atingidas pelo aumento das propinas e falta de saúde dos portugueses», entre muitas outras pessoas, de vários outros sectores.
Estranhamente silenciosas mantêm-se aquelas «cem famílias que, juntas, dispõem de mais de 20 mil milhões de euros de fortuna pessoal», lembrou Jerónimo de Sousa. Estas fortunas, foram, na sua maioria, «amassadas» nas privatizações, nas operações especulativas e imobiliárias, bem como nos benefícios e isenções fiscais. E entregues, «de bandeja», pelos sucessivos governos que, acusa, «mudam, se matizam no discurso, na forma e em tal ou tal política social, mas que mantêm sempre a contradição insanável de não tocar nos poderosos enquanto exigem sacrifícios à maioria dos portugueses».
Em Setúbal, o secretário-geral comunista reafirmou serem o PCP e a CDU as únicas forças que, de forma clara, consideram que «enquanto não se tocar nos privilégios do grande capital, enquanto não se puser fim às privatizações e não se fizer uma mais justa repartição da riqueza nacional, não haverá mais justiça social, nem desenvolvimento económico».

Virar a página da política de direita

Para os comunistas, não basta derrotar eleitoralmente os partidos da coligação do Governo. É fundamental derrotar as políticas de direita. Daí que, ao contrário dos que reclamam o «voto útil» para formar governo que governe sossegadamente, mesmo que governe ao arrepio do trabalhador, da cidadã ou do cidadão votantes», o PCP e a CDU vão para esta batalha «apelando ao voto com utilidade na política a realizar, nos deputados que, depois de eleitos, estão em condições de prestar contas, honrar compromissos». Como afirmou o dirigente do PCP, mais votos e mais deputados na CDU «são o factor novo de mudança, que pesará sempre à esquerda, mas que pesará mais para uma verdadeira política alternativa e uma alternativa política».
Relativamente ao PS, o dirigente comunista destaca que este partido, «sempre que deixa de estar coberto pelo manto diáfano da “modernidade”, da justa crítica à desgraçada governação da direita», revela quais os seus verdadeiros objectivos. E aí revela-se a sua verdadeira face, sempre «que surge um dirigente, um ex-ministro a falar de economia, do que se pretende da Saúde, da Administração Pública, dos serviços públicos, faltando apenas falar sobre o pacote laboral, as propinas, a Segurança Social». Da parte do PCP, afirmou o secretário-geral em Setúbal e Aveiro, a campanha será feita «pela positiva, com propostas para resolver os problemas». Reafirmando que os comunistas estão dispostos a «examinar soluções políticas e governativas depois das eleições», o secretário-geral voltou a deixar claro que «aquilo que se impõe é um virar de página, encetar um outro rumo na política nacional, diferente da que vem sendo seguida nos últimos 28 anos».

Cada um é como é…

Falando perante centenas de comunistas e independentes que compareceram à apresentação do primeiro candidato da lista da CDU ao círculo eleitoral do distrito de Setúbal , Jerónimo de Sousa não deixou de comentar as declarações do cabeça de lista do BE pelo distrito, Fernando Rosas. O secretário-geral do PCP denunciou a afirmação do candidato do BE, segundo a qual o BE iria viabilizar o orçamento rectificativo dum governo do PS. Afirmou também o candidato do BE, lembrou Jerónimo de Sousa, que se recusarão a votar a favor de qualquer moção de rejeição que seja apresentada ao programa de um governo PS, «jurando a pés juntos que não vai atacar o PS ou pedir-lhes para entrar no governo».
«Vejam lá como as coisas são!», destacou o dirigente comunista. «Que o Bloco se disponibilize a votar a favor duma coisa que não existe e independentemente do seu conteúdo e das soluções orçamentais», afirmou Jerónimo de Sousa, «enfim, cada qual é como cada um».
O que o BE deveria fazer, afirmou Jerónimo de Sousa em Setúbal, era um «acto de contrição (devido à moção de rejeição do programa do governo PS de 1999) se quer descansar o PS e pôr-se a jeito, independentemente das políticas que o PS quer realizar».
«Também para descansar o Bloco e o PS», Jerónimo de Sousa reafirmou que o primeiro objectivo eleitoral dos comunistas é derrotar a direita, deixá-la em minoria, para «evitar o prosseguimento e a acentuação da sua dolorosa e desastrosa política, pôr termo à ofensiva que resultou em mais desemprego, em mais privatizações, em menos direitos sociais e piores salários, em mais pobreza e mais atraso do País».




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