Aparelho produtivo ameaçado

Marcha pelo emprego

Ameaçados pelo desemprego, os trabalhadores da ex-Sorefame, da Prosegur, da Cometna e da MB Pereira da Costa decidiram protestar, ontem, de São Bento a Belém.

As­siste-se á sis­te­má­tica des­truição de postos de tra­balho

A União dos Sindicatos de Lisboa convocou esta marcha de protesto, com início frente à residência oficial de Santana Lopes, pelas 10 horas da manhã, seguindo depois para residência oficial do Presidente da República, para exigir o cumprimento dos compromissos assumidos perante os trabalhadores destas empresas.
Na Bombardier, ex-Sorefame, os mais de quarenta trabalhadores que recusaram a rescisão por «mútuo acordo», viram ambos os órgãos de soberania – Governo e PR – afirmarem, por várias vezes, tudo estarem a fazer para garantir os postos de trabalho, mas, até agora, foram apenas promessas vãs.
A última foi o protocolo entre a Bombardier, a CP, a EMEF, a Câmara da Amadora e a Apiparques, que garantiria a construção, nas instalações da Bombardier, de 25 locomotivas destinadas ao Metro do Porto: «Embora tenham garantido que o arranque da empreitada iniciar-se-ia em Setembro, o protocolo não foi ainda sequer acordado pelas partes», lembrou ao Avante!, o dirigente sindical, António Tremoço.
Perante esta situação, os trabalhadores estiveram duas semanas inteiras acampados, em vigília, à porta do Ministério dos Transportes.
No dia 19, uma delegação sindical foi recebida por um responsável do Governo, que se comprometeu a realizar um encontro com todas as partes, o mais tardar, na próxima segunda-feira, com vista a desbloquear a situação.
Os trabalhadores decidiram então levantar a vigília, «embora estejamos decididos a regressar à mesma forma de luta, caso as partes não cumpram o que assumiram», afirmou o mesmo dirigente.

O pro­to­colo

Após uma intensa luta que contou com a solidariedade activa da população da Amadora e da Comissão Concelhia do PCP, o Governo propôs o protocolo.
No entanto, o acordo parece estar impregnado de incertezas quanto ao futuro dos trabalhadores, motivo que leva as ORT´s a considerarem urgente a negociação.
Segundo a agência Lusa, que teve acesso ao documento, o protocolo é omisso quanto à reintegração de trabalhadores, além de a Bombardier manter o direito de decidir, sozinha, se vende ou arrenda todo ou parte do terreno na Venda Nova, a qualquer dos outorgantes ou a qualquer outra parte, em qualquer fase, antes ou após a reconversão.
Ainda segundo a Lusa, a CP comprometia-se a apoiar a EMEF na instalação de uma unidade de produção de material circulante para a rede férrea, e a EMEF, por seu lado, desenvolveria a produção, sem poder disponibilizar a unidade a qualquer concorrente da Bombardier.

Co­metna: e as in­dem­ni­za­ções?

Sessenta operários da maior fundição do País receberam cartas do administrador judicial, no fim de Outubro, anunciando que estariam desvinculados da empresa, a partir do primeiro dia deste mês, medida que foi aprovada na reunião de credores, no âmbito do plano de recuperação.
A CT considerou o procedimento ilegal, e solicitou a intervenção da Inspecção-Geral do Trabalho, uma vez que não foram pagas as indemnizações aos trabalhadores a despedir.
À semelhança do processo na MB Pereira da Costa, procura-se um investidor que pretenda garantir a continuidade da empresa de Famões, Odivelas.
Segundo as ORT’s, a destruição da Cometna deve-se, essencialmente, à intenção dos accionistas de realizar negócios imobiliários com os terrenos dados como garantia ao Millenium BCP, de Jardim Gonçalves.

Ter­ro­rismo na Pro­segur

Os dezassete trabalhadores da secção de transporte de valores, em Torres Novas, continuam a lutar contra o comportamento que classificam de «terrorista» por parte da multinacional espanhola de segurança.
A empresa passou a pagar o trabalho aos fins-de-semana como se fossem dias úteis, tendo levado a uma redução dos salários em cerca de 30 por cento, e os trabalhadores de Torres Novas recusaram a imposição. Ao constatar que apenas em Torres Novas é que os trabalhadores assumiram a luta, a administração encerrou a unidade e despediu todos os que recusaram a medida, numa atitude classificada pelo STAD/CGTP-IN, de «terrorista». Sobravam motivos, por isso, para a sua participação na marcha de ontem.


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