Sistema feito à medida
A vitória eleitoral do republicano George W. Bush e dos seus apoiantes de extrema-direita deixa apenas e só uma opção de escolha à classe trabalhadora e às forças progressistas nos EUA: Mobilizarem-se para a luta contra a guerra e todo o programa apresentado por George W. Bush.
Bush obteve uma vitória tangencial sobre John Kerry, mas como o Partido Republicano conquistou alguns lugares mais no Senado e na Câmara dos Representantes, ele reclama que tal lhe confere um mandato para prosseguir o seu programa, o que se traduz em mais ataques contra o povo iraquiano; mais cortes fiscais em favor dos ricos e das companhias nos EUA; no prosseguimento da privatização da segurança social; na nomeação de juizes reaccionários para o Supremo Tribunal; na possibilidade de retroceder no direito das mulheres em interromperem a gravidez em condições de segurança.
Não restam dúvidas de que a imensa maioria da população mundial teria gostado de ver Bush e a sua administração desaparecer do mapa da história. Muitos consideram-no, bem como aos seus colaboradores, criminosos de guerra. Teria sido um sinal de progresso político da parte do povo americano a sua rejeição e das suas políticas.
Outra coisa, porém, é questionar se a vitória de Kerry reflectiria efectivas mudanças, nomeadamente no âmbito das políticas externas.
Se Kerry tivesse sido eleito, enfrentaria a mesma crise que actualmente assola a administração Bush; uma crescente resistência no Iraque, onde prometeu que se manteria; a mesma crise orçamental e da balança de pagamentos; o mesmo nível de desemprego. Comandaria a mesma máquina de guerra.
Também para Bush, a vitória eleitoral não concorre para resolver problemas práticos como a resistência no Iraque ou a luta dos trabalhadores pela manutenção do sistema público de Segurança Social. Por outro lado, as mulheres e os seus aliados vão continuar a lutar pela manutenção dos direitos sexuais e reprodutivos.
Perspectiva histórica
A vitória de Bush pode ser um mau sinal, mas a história demonstra que nem todos os maus sinais resultam em desastre.
Consideremos as eleições de 1968. O democrata Lyndon Johnson incrementou a escalada de violência no Vietname, depois demitiu-se. O seu vice-presidente, Hubert Humphrey, enfrentou o anticomunista republicano Richard Nixon e o outsider da direita racista do Alabama, George Wallace.
Nixon ganhou por pouco o Colégio Eleitoral, com 44 por cento dos votos populares contra 43 por cento de Humphrey e 13 por cento do fascista Wallace, isto é, 57 por cento dos votos foram em candidatos que defendiam políticas reaccionárias. Um mau sinal.
Anos de grandes lutas se seguiram e Nixon viu-se obrigado a retirar as tropas do Vietname e a fazer concessões no campo dos direitos cívicos da população afro-americana e das mulheres. O direito à interrupção voluntária da gravidez foi mesmo conquistado enquanto Nixon esteve no poder.
Ataque a Fallujah
A situação agora é diferente de então, mas Bush enfrenta igualmente resistência em território norte-americano.
Assim que Kerry admitiu publicamente a derrota, grupos de activistas antiguerra, estudantes universitários e de escolas secundárias lançaram-se nas ruas, um pouco por todo o país, para protestar contra as eleições e a continuação da guerra.
Quando as tropas norte-americanas iniciaram o criminoso ataque contra Fallujah, a oito de Novembro, todas as grandes coligações antiguerra mobilizaram os seus apoiantes, pelo que, no que à guerra diz respeito, a batalha «caseira» só agora começou.
Limitações das eleições americanas
De acordo com a visão marxista, as eleições são limitadas para aferir o nível de maturidade política da classe trabalhadora. As eleições presidenciais americanas são mesmo muito piores do que isso, pois estão quase completamente sob controlo da classe capitalista no poder e os seus dois partidos, Republicano e Democrata.
As eleições americanas são fortemente direccionadas para aqueles que têm maiores condições financeiras e um grande aparato eleitoral. Os grandes capitalistas detêm os média e compram os seus candidatos. O custo total das eleições foi estimado em 4 mil milhões de dólares. Com preços destes não existe praticamente nenhuma oportunidade para uma clara e independente transmissão das posições da classe trabalhadora nos meios de comunicação de massas durante o período eleitoral.
A maioria dos norte-americanos apenas acede a duas hipóteses: Republicanos ou Democratas. Muitos activistas republicanos são empresários. Muitos activistas do partido democrata são sindicalistas ou membros de associações comunitárias. Em ambos os partidos a cúpula dirigente serve o capital e, nos últimos seis anos, ambas alternaram no poder e ordenaram bombardeamentos e invasões contra países estrangeiros.
Bush e Kerry
Nestas eleições, Bush era o candidato conhecido pela proclamada «guerra ao terrorismo»; pelas guerras reais contra o Afeganistão e Iraque; pelo seu renascido ferver religioso e pelos grossos cortes nas taxas de impostos sobre as grandes fortunas e os magros cortes em favor dos rendimentos do trabalho.
Kerry fica conhecido por passar toda a campanha a tentar convencer a classe dominante de que era capaz de gerir estas duas guerras de forma mais eficiente.
As pessoas acreditavam que Kerry teria mais dificuldade do que Bush em partir para a guerra, embora não tenha afirmado nada durante a campanha que sustentasse a crença de muitos dos que o apoiaram. Ao invés, ameaçou o Irão, a Coreia do Norte e criticou severamente os líderes da Venezuela e de Cuba.
Quem votou em Bush?
Bush venceu a votação nas urnas e, por uma margem escassa, também o Colégio Eleitoral. Não foi nenhuma vitória esmagadora, mas uma diferença de 3,5 milhões de votos num total de 120 milhões.
Existem ainda evidentes irregularidades e possíveis fraudes, especialmente nos estados do Ohio e da Florida. Os mapas que mostram Estados «vermelhos» para Bush e «azuis» para Kerry exageram o impacto visual dos resultados, como se Bush tivesse ganho todos os grandes e populosos estados norte-americanos.
Na maior parte do país, Bush ganhou nas áreas rurais e nos subúrbios residenciais citadinos, enquanto Kerry ganhou quase todas as grandes cidades, tais como Boston, Nova Iorque, Filadélfia, Baltimore, Washington, Detroit, Cleveland, Minneapolis, Los Angeles, São Francisco, Portland e Seattle.
Nos estados ganhos por Bush, Kerry ganhou também as cidades de Atlanta, Miami, Nova Orleães, Memphis, Albuquerque e Denver.
Ainda de acordo com os resultados definitivos, Kerry venceu Bush, três para dois, junto das famílias sindicalizadas; cinco para quatro junto da metade empobrecida da população e dos jovens; oito para um junto dos afro-americanos.
Cerca de dez milhões de imigrantes que trabalham nas grandes cidades não puderam votar. Outros cinco milhões de ex-prisioneiros, na sua maioria de raízes latinas ou africanas, também perderam o direito de voto, mas podem desempenhar um papel social importante na luta.
Combate social, lutas entre trabalhadores e patronato, lutas pelo fim da ocupação do Iraque e contra as guerras imperialistas, é o que nos espera nos anos que se seguem.
As regras da votação
Em 2000, Al Gore perdeu a votação popular para Bush por escassas centenas de votos. Ainda assim, Bush venceu as eleições depois de ter «roubado» no escrutínio da Florida, o que lhe possibilitou vencer o Colégio Eleitoral, um sistema obscuro que torna a decisão popular indirecta e dá peso às votações rurais e a estados menos populosos em detrimento dos restantes.
Desta vez, votou muito mais gente. Depois dos votos provisórios terem sido contados, Bush granjeou cerca de 59 milhões, enquanto Kerry ficou pelos 55,5 milhões, ou seja, uma diferença de 3,5 milhões.
No Colégio Eleitoral, Bush voltou a vencer por pouco, obtendo 286 grandes eleitores contra 252 de Kerry, incluindo já os resultados tangenciais do Ohio, Novo México e Iowa, que, no total, representaram os 29 votos suficientes para a sua reeleição. Muitos foram os que levantaram dúvidas sobre a validade de votações realizadas nestes três estados e na Florida.
Mobilizar os eleitores
Os republicanos usaram os seus fundos e a máquina partidária para iniciar a mobilização eleitoral assim que venceram o sufrágio de 2000. Concentraram forças especialmente junto das populações suburbanas e dos cristãos evangelistas, estes últimos em torno da proibição da interrupção voluntária da gravidez.
Nos meses que antecederam as eleições, os militantes do partido Democrata, particularmente os activistas sindicais, mobilizaram-se para registar novos votantes e convencer as pessoas a votarem, sobretudo os jovens, e a comunidade afro-americana, os quais se aproximam mais de Kerry do que de Bush. Cerca de 100 mil activistas antiguerra e muitos mais progressistas de esquerda voluntariaram-se para um trabalho que durou semanas com o intuito de derrotar Bush.
Ambos os partidos acrescentaram milhões de votantes. Os republicanos organizaram ainda os novos registados para impedirem os afro-americanos e os novos cidadãos de irem votar.
Na Pensilvânia, o mandatário regional da campanha Bush-Cheney 2004, John Perzel, revelou nos média que «Kerry precisa de alcançar alguns dos nossos eleitores. É importante impedir que tal aconteça». Ainda de acordo com o Washington Post, «No Ohio, apoiantes de Bush tentaram anular 35 mil votantes e preparavam-se para interpor processos sobre outros oito mil no dia das eleições. Um juiz teve que impedir tais esforços.»
A máquina republicana estava melhor organizada e mobilizou mais votos, o que resultou numa vitória política da extrema-direita.
Votação fraudulenta
A par destas tentativas de supressão de votantes, houve evidências de fraude eleitoral, especialmente no Ohio e na Florida, o que ocorreu de duas formas principais.
As secções de voto eram tendencialmente com menores condições nas zonas pobres e nas vizinhanças de bairros onde residem afro-americanos. Isto significa que as filas para votar demoravam, nestas circunstâncias, várias horas, como serve de exemplo a cidade de Cleveland onde o voto era maioritariamente anti-Bush.
Por outro lado, um dado novo surgiu nestas eleições. Havia mais votos por computador e contagem de votos por scanners de leitura óptica, o que permite manipulações sem deixar rasto que pudesse ser investigado posteriormente.
Em Columbus e Ohio, por exemplo, descobriu-se que um mecanismo de contagem electrónica acrescentou quase quatro mil votos para Bush, quando apenas 638 pessoas haviam votado. Na Florida, assistiu-se a uma súbita descida dos resultados dos democratas em relação aos votantes registados como democratas, mas tal só sucedeu em secções de contagem que usaram instrumentos de leitura óptica.
Não restam dúvidas de que a imensa maioria da população mundial teria gostado de ver Bush e a sua administração desaparecer do mapa da história. Muitos consideram-no, bem como aos seus colaboradores, criminosos de guerra. Teria sido um sinal de progresso político da parte do povo americano a sua rejeição e das suas políticas.
Outra coisa, porém, é questionar se a vitória de Kerry reflectiria efectivas mudanças, nomeadamente no âmbito das políticas externas.
Se Kerry tivesse sido eleito, enfrentaria a mesma crise que actualmente assola a administração Bush; uma crescente resistência no Iraque, onde prometeu que se manteria; a mesma crise orçamental e da balança de pagamentos; o mesmo nível de desemprego. Comandaria a mesma máquina de guerra.
Também para Bush, a vitória eleitoral não concorre para resolver problemas práticos como a resistência no Iraque ou a luta dos trabalhadores pela manutenção do sistema público de Segurança Social. Por outro lado, as mulheres e os seus aliados vão continuar a lutar pela manutenção dos direitos sexuais e reprodutivos.
Perspectiva histórica
A vitória de Bush pode ser um mau sinal, mas a história demonstra que nem todos os maus sinais resultam em desastre.
Consideremos as eleições de 1968. O democrata Lyndon Johnson incrementou a escalada de violência no Vietname, depois demitiu-se. O seu vice-presidente, Hubert Humphrey, enfrentou o anticomunista republicano Richard Nixon e o outsider da direita racista do Alabama, George Wallace.
Nixon ganhou por pouco o Colégio Eleitoral, com 44 por cento dos votos populares contra 43 por cento de Humphrey e 13 por cento do fascista Wallace, isto é, 57 por cento dos votos foram em candidatos que defendiam políticas reaccionárias. Um mau sinal.
Anos de grandes lutas se seguiram e Nixon viu-se obrigado a retirar as tropas do Vietname e a fazer concessões no campo dos direitos cívicos da população afro-americana e das mulheres. O direito à interrupção voluntária da gravidez foi mesmo conquistado enquanto Nixon esteve no poder.
Ataque a Fallujah
A situação agora é diferente de então, mas Bush enfrenta igualmente resistência em território norte-americano.
Assim que Kerry admitiu publicamente a derrota, grupos de activistas antiguerra, estudantes universitários e de escolas secundárias lançaram-se nas ruas, um pouco por todo o país, para protestar contra as eleições e a continuação da guerra.
Quando as tropas norte-americanas iniciaram o criminoso ataque contra Fallujah, a oito de Novembro, todas as grandes coligações antiguerra mobilizaram os seus apoiantes, pelo que, no que à guerra diz respeito, a batalha «caseira» só agora começou.
Limitações das eleições americanas
De acordo com a visão marxista, as eleições são limitadas para aferir o nível de maturidade política da classe trabalhadora. As eleições presidenciais americanas são mesmo muito piores do que isso, pois estão quase completamente sob controlo da classe capitalista no poder e os seus dois partidos, Republicano e Democrata.
As eleições americanas são fortemente direccionadas para aqueles que têm maiores condições financeiras e um grande aparato eleitoral. Os grandes capitalistas detêm os média e compram os seus candidatos. O custo total das eleições foi estimado em 4 mil milhões de dólares. Com preços destes não existe praticamente nenhuma oportunidade para uma clara e independente transmissão das posições da classe trabalhadora nos meios de comunicação de massas durante o período eleitoral.
A maioria dos norte-americanos apenas acede a duas hipóteses: Republicanos ou Democratas. Muitos activistas republicanos são empresários. Muitos activistas do partido democrata são sindicalistas ou membros de associações comunitárias. Em ambos os partidos a cúpula dirigente serve o capital e, nos últimos seis anos, ambas alternaram no poder e ordenaram bombardeamentos e invasões contra países estrangeiros.
Bush e Kerry
Nestas eleições, Bush era o candidato conhecido pela proclamada «guerra ao terrorismo»; pelas guerras reais contra o Afeganistão e Iraque; pelo seu renascido ferver religioso e pelos grossos cortes nas taxas de impostos sobre as grandes fortunas e os magros cortes em favor dos rendimentos do trabalho.
Kerry fica conhecido por passar toda a campanha a tentar convencer a classe dominante de que era capaz de gerir estas duas guerras de forma mais eficiente.
As pessoas acreditavam que Kerry teria mais dificuldade do que Bush em partir para a guerra, embora não tenha afirmado nada durante a campanha que sustentasse a crença de muitos dos que o apoiaram. Ao invés, ameaçou o Irão, a Coreia do Norte e criticou severamente os líderes da Venezuela e de Cuba.
Quem votou em Bush?
Bush venceu a votação nas urnas e, por uma margem escassa, também o Colégio Eleitoral. Não foi nenhuma vitória esmagadora, mas uma diferença de 3,5 milhões de votos num total de 120 milhões.
Existem ainda evidentes irregularidades e possíveis fraudes, especialmente nos estados do Ohio e da Florida. Os mapas que mostram Estados «vermelhos» para Bush e «azuis» para Kerry exageram o impacto visual dos resultados, como se Bush tivesse ganho todos os grandes e populosos estados norte-americanos.
Na maior parte do país, Bush ganhou nas áreas rurais e nos subúrbios residenciais citadinos, enquanto Kerry ganhou quase todas as grandes cidades, tais como Boston, Nova Iorque, Filadélfia, Baltimore, Washington, Detroit, Cleveland, Minneapolis, Los Angeles, São Francisco, Portland e Seattle.
Nos estados ganhos por Bush, Kerry ganhou também as cidades de Atlanta, Miami, Nova Orleães, Memphis, Albuquerque e Denver.
Ainda de acordo com os resultados definitivos, Kerry venceu Bush, três para dois, junto das famílias sindicalizadas; cinco para quatro junto da metade empobrecida da população e dos jovens; oito para um junto dos afro-americanos.
Cerca de dez milhões de imigrantes que trabalham nas grandes cidades não puderam votar. Outros cinco milhões de ex-prisioneiros, na sua maioria de raízes latinas ou africanas, também perderam o direito de voto, mas podem desempenhar um papel social importante na luta.
Combate social, lutas entre trabalhadores e patronato, lutas pelo fim da ocupação do Iraque e contra as guerras imperialistas, é o que nos espera nos anos que se seguem.
As regras da votação
Em 2000, Al Gore perdeu a votação popular para Bush por escassas centenas de votos. Ainda assim, Bush venceu as eleições depois de ter «roubado» no escrutínio da Florida, o que lhe possibilitou vencer o Colégio Eleitoral, um sistema obscuro que torna a decisão popular indirecta e dá peso às votações rurais e a estados menos populosos em detrimento dos restantes.
Desta vez, votou muito mais gente. Depois dos votos provisórios terem sido contados, Bush granjeou cerca de 59 milhões, enquanto Kerry ficou pelos 55,5 milhões, ou seja, uma diferença de 3,5 milhões.
No Colégio Eleitoral, Bush voltou a vencer por pouco, obtendo 286 grandes eleitores contra 252 de Kerry, incluindo já os resultados tangenciais do Ohio, Novo México e Iowa, que, no total, representaram os 29 votos suficientes para a sua reeleição. Muitos foram os que levantaram dúvidas sobre a validade de votações realizadas nestes três estados e na Florida.
Mobilizar os eleitores
Os republicanos usaram os seus fundos e a máquina partidária para iniciar a mobilização eleitoral assim que venceram o sufrágio de 2000. Concentraram forças especialmente junto das populações suburbanas e dos cristãos evangelistas, estes últimos em torno da proibição da interrupção voluntária da gravidez.
Nos meses que antecederam as eleições, os militantes do partido Democrata, particularmente os activistas sindicais, mobilizaram-se para registar novos votantes e convencer as pessoas a votarem, sobretudo os jovens, e a comunidade afro-americana, os quais se aproximam mais de Kerry do que de Bush. Cerca de 100 mil activistas antiguerra e muitos mais progressistas de esquerda voluntariaram-se para um trabalho que durou semanas com o intuito de derrotar Bush.
Ambos os partidos acrescentaram milhões de votantes. Os republicanos organizaram ainda os novos registados para impedirem os afro-americanos e os novos cidadãos de irem votar.
Na Pensilvânia, o mandatário regional da campanha Bush-Cheney 2004, John Perzel, revelou nos média que «Kerry precisa de alcançar alguns dos nossos eleitores. É importante impedir que tal aconteça». Ainda de acordo com o Washington Post, «No Ohio, apoiantes de Bush tentaram anular 35 mil votantes e preparavam-se para interpor processos sobre outros oito mil no dia das eleições. Um juiz teve que impedir tais esforços.»
A máquina republicana estava melhor organizada e mobilizou mais votos, o que resultou numa vitória política da extrema-direita.
Votação fraudulenta
A par destas tentativas de supressão de votantes, houve evidências de fraude eleitoral, especialmente no Ohio e na Florida, o que ocorreu de duas formas principais.
As secções de voto eram tendencialmente com menores condições nas zonas pobres e nas vizinhanças de bairros onde residem afro-americanos. Isto significa que as filas para votar demoravam, nestas circunstâncias, várias horas, como serve de exemplo a cidade de Cleveland onde o voto era maioritariamente anti-Bush.
Por outro lado, um dado novo surgiu nestas eleições. Havia mais votos por computador e contagem de votos por scanners de leitura óptica, o que permite manipulações sem deixar rasto que pudesse ser investigado posteriormente.
Em Columbus e Ohio, por exemplo, descobriu-se que um mecanismo de contagem electrónica acrescentou quase quatro mil votos para Bush, quando apenas 638 pessoas haviam votado. Na Florida, assistiu-se a uma súbita descida dos resultados dos democratas em relação aos votantes registados como democratas, mas tal só sucedeu em secções de contagem que usaram instrumentos de leitura óptica.