A «Mocidade Portuguesa» e o Desporto
A realização dos últimos Jogos Olímpicos (JOs) deu azo, aliás, como vai costumando dar todos os quatro anos, a múltiplos debates – infelizmente debates demasiado fugazes – na sociedade (arrisco, nas sociedades) acerca do Desporto no nosso país (em muitos países) e, indo mais além, acerca de como está a «saúde» da sociedade, a avaliar pelo que a missão olímpica (as missões olímpicas) conseguiu (conseguiram) em resultados nos JOs, no caso vertente, este ano em Atenas. E tal, ao arrepio do que sucedera com o EURO 2004 mais percepcionada nas vertentes sacrificial e de celebração simbólica de identidades nacionais.
Numa dessas ocasiões, em que se procurava estabelecer um índice de comparação das performances para «países comparáveis» – para o caso andava-se à volta da quantidade de títulos olímpicos, de medalhas totais, de classificações até oitavo (última classificação com direito a diploma olímpico; este total a ser considerado pouco interessante porque tudo o que não são medalhas já não teria uma valia por aí além, que rico caixote do lixo!), sei lá, em função da dimensão populacional ou do desenvolvimento, etc.
E, no ver das pessoas participantes dessa discussão, o nosso caso aparecia logo desfavorecido em diversas comparações com países da Europa «desenvolvidos», com populações menores ou da mesma ordem de grandeza do que a nossa –, como se o nosso desenvolvimento fosse o mesmo desses países. Com a Espanha e sobretudo com a Grécia a angústia crescia a níveis tremendos, se bem que para esta última havia sempre os argumentos dos treinadores que vieram da extinta RDA, mais as suas artes de doping… tal como da comunicação social se vai aprendendo. E quando se chegava à comparação com os «pobres e atrasados países» da ex-área socialista do centro e Leste europeus (de há uns tempos a esta parte já se acrescenta a designação «centro» à «degradante» Leste para os mais «civilizados», isto é, checos, eslovenos, húngaros, polacos), em particular as antigas repúblicas da ex-União Soviética, então aqui é que a porca torcia por completo o rabo (dos «cubanos» que até já «ajudam» a Espanha a subir na tabela, já nem isso se mencionava).
Havia mesmo quem aventasse a ideia de que «nesses» países se tratava com carinho o Desporto, pelas razões que se sabe, mas com o carinho suficiente – massificação (no meu tempo de praticante de esgrimista, existiriam na União Soviética muitas dezenas de milhar de esgrimistas com licença passada pela Federação Internacional de Esgrima; em Portugal? algumas, poucas, dezenas), estrutura, meios, etc –, um cuidadoso carinho que ainda hoje dá para se verem os resultados (nota do autor destas linhas: À excepção da zona correspondente à antiga RDA, onde parece ter acontecido uma desarticulação quase total - seria tudo conseguido na base quase exclusiva do tal doping? Neste caso, foi o próprio bebé do banho que teve ser deitado fora com a água suja ainda tépida?)
Sim, tal como acontecia em Portugal antigamente – isto é, traduz o autor do texto, no tempo de antes do 25 de Abril –, esta questão do «carinho» por parte do regime – como dizia este meu interlocutor. Porque a «Mocidade Portuguesa» cuidava do Desporto Escolar e, com a sua destruição, da «Mocidade Portuguesa», lá foi o bebé com a água do banho – a metáfora aplicada do outro lado da trincheira! E o Desporto Escolar nada tinha de ideológico. Mas o que é isto, estamos a brincar ou quê? Quê, significando que ou meu interlocutor queria fazer de mim tolo, ou pretendia que eu simulasse, aceitando, a minha toleima, ou, ainda, que, a acreditar piamente no que dizia, lhe faltava, por completo a lucidez.
Porque, a que conduziu a tal «Mocidade Portuguesa» mais o «seu» Desporto Escolar, mais a mais este tendo como alvo naquele tempo uma população escolar pró diminuto? Será que os resultados desportivos de então eram não só melhores que os de hoje, para já nem sequer os pretender comparar com os dos países do «Leste» – União Soviética, RDA, Jugoslávia, Hungria, Checoslováquia, Polónia, Bulgária, Roménia? Claro, eu fiquei de bico completamente fechado, como de uso faço em tais situações de enormidade. Na verdade, é fraqueza entre ovelhas, ouvindo-lhes os balidos, pôr-se um a rugir.
Isto tudo, claro está, sem ter eu a mínima dúvida sobre a necessidade de progredir imenso na área do Desporto Escolar, nem sequer pretender desmerecer os esforços de tantos profissionais da Educação Física que, em tão ingratas e péssimas condições, deram, nesses tempos, o melhor de si mesmos.
Numa dessas ocasiões, em que se procurava estabelecer um índice de comparação das performances para «países comparáveis» – para o caso andava-se à volta da quantidade de títulos olímpicos, de medalhas totais, de classificações até oitavo (última classificação com direito a diploma olímpico; este total a ser considerado pouco interessante porque tudo o que não são medalhas já não teria uma valia por aí além, que rico caixote do lixo!), sei lá, em função da dimensão populacional ou do desenvolvimento, etc.
E, no ver das pessoas participantes dessa discussão, o nosso caso aparecia logo desfavorecido em diversas comparações com países da Europa «desenvolvidos», com populações menores ou da mesma ordem de grandeza do que a nossa –, como se o nosso desenvolvimento fosse o mesmo desses países. Com a Espanha e sobretudo com a Grécia a angústia crescia a níveis tremendos, se bem que para esta última havia sempre os argumentos dos treinadores que vieram da extinta RDA, mais as suas artes de doping… tal como da comunicação social se vai aprendendo. E quando se chegava à comparação com os «pobres e atrasados países» da ex-área socialista do centro e Leste europeus (de há uns tempos a esta parte já se acrescenta a designação «centro» à «degradante» Leste para os mais «civilizados», isto é, checos, eslovenos, húngaros, polacos), em particular as antigas repúblicas da ex-União Soviética, então aqui é que a porca torcia por completo o rabo (dos «cubanos» que até já «ajudam» a Espanha a subir na tabela, já nem isso se mencionava).
Havia mesmo quem aventasse a ideia de que «nesses» países se tratava com carinho o Desporto, pelas razões que se sabe, mas com o carinho suficiente – massificação (no meu tempo de praticante de esgrimista, existiriam na União Soviética muitas dezenas de milhar de esgrimistas com licença passada pela Federação Internacional de Esgrima; em Portugal? algumas, poucas, dezenas), estrutura, meios, etc –, um cuidadoso carinho que ainda hoje dá para se verem os resultados (nota do autor destas linhas: À excepção da zona correspondente à antiga RDA, onde parece ter acontecido uma desarticulação quase total - seria tudo conseguido na base quase exclusiva do tal doping? Neste caso, foi o próprio bebé do banho que teve ser deitado fora com a água suja ainda tépida?)
Sim, tal como acontecia em Portugal antigamente – isto é, traduz o autor do texto, no tempo de antes do 25 de Abril –, esta questão do «carinho» por parte do regime – como dizia este meu interlocutor. Porque a «Mocidade Portuguesa» cuidava do Desporto Escolar e, com a sua destruição, da «Mocidade Portuguesa», lá foi o bebé com a água do banho – a metáfora aplicada do outro lado da trincheira! E o Desporto Escolar nada tinha de ideológico. Mas o que é isto, estamos a brincar ou quê? Quê, significando que ou meu interlocutor queria fazer de mim tolo, ou pretendia que eu simulasse, aceitando, a minha toleima, ou, ainda, que, a acreditar piamente no que dizia, lhe faltava, por completo a lucidez.
Porque, a que conduziu a tal «Mocidade Portuguesa» mais o «seu» Desporto Escolar, mais a mais este tendo como alvo naquele tempo uma população escolar pró diminuto? Será que os resultados desportivos de então eram não só melhores que os de hoje, para já nem sequer os pretender comparar com os dos países do «Leste» – União Soviética, RDA, Jugoslávia, Hungria, Checoslováquia, Polónia, Bulgária, Roménia? Claro, eu fiquei de bico completamente fechado, como de uso faço em tais situações de enormidade. Na verdade, é fraqueza entre ovelhas, ouvindo-lhes os balidos, pôr-se um a rugir.
Isto tudo, claro está, sem ter eu a mínima dúvida sobre a necessidade de progredir imenso na área do Desporto Escolar, nem sequer pretender desmerecer os esforços de tantos profissionais da Educação Física que, em tão ingratas e péssimas condições, deram, nesses tempos, o melhor de si mesmos.