Nunca mais!
Estávamos no fim da Segunda Grande Guerra Mundial. O Japão não queria render-se. Assim, às 8h15 do dia 6 de Agosto de 1945, por ordem do Presidente Truman, um militar americano deixava cair sobre a cidade japonesa de Hiroshima uma bomba atómica que, em 20 segundos, arrasava totalmente a cidade. Foi este talvez o dia em que pela primeira vez os EUA pensaram que poderiam sair impunes de qualquer crime que cometessem contra a humanidade. Três dias depois, quando repetiram a carnificina sobre a cidade de Nagasaki, com as mesmas consequências, convenceram-se e o seu objectivo tinha sido conseguido: o Japão rendera-se e a guerra terminara.
Pouco importou o que acontecera em Hiroshima e Nagasaki, onde, entre as pessoas que morreram de imediato ou ao longo de meses e anos vítimas de lesões provocadas pela explosão atómica, contam-se mais de 400 mil, sendo que milhões de outras continuaram a sofrer doenças até então desconhecidas, causadas pelas radiações nucleares.
Porém, a bomba atómica fez, então, tremer o mundo com a sua eficácia. Daí para a frente nada seria igual: a partir desses inenarráveis dias, a bomba atómica, muito diferente das armas convencionais, punha em perigo a própria existência da humanidade. Hiroshima e Nagasaki tinham sido o primeiro teste.
Hoje, em todo o mundo se assinalam estes terríveis dias, com propósitos declarados, verdadeiros ou não, de que os mesmos não voltem a repetir-se. O certo é que a realidade não traduz esses propósitos.
Ainda que sem recurso à bomba atómica, os EUA e os seus serventuários continuaram a permitir-se atacar e invadir países, matar e destruir, sempre que os seus interesses estavam em jogo. E os efeitos das novas as armas que usam - veja-se o urânio empobrecido -, não sendo os mesmos da bomba atómica, prosseguem igualmente a sua sanha destruidora muito para além da sua utilização.
A 11 de Setembro de 2001, pela primeira vez, os EUA conheceram na pele os efeitos das suas malfeitorias, sentindo, também pela primeira vez, que, afinal não eram intocáveis. O ataque às Twin Towers, perpetrado por meia dúzia de terroristas, de que o principal cabecilha havia sido instruído pelos próprios Estados Unidos, matava, nesse dia, mais de três mil pessoas indefesas.
No rescaldo desse terrível acontecimento, o presidente dos EUA, George W. Bush, em vez de tirar dele os devidos ensinamentos, aproveitou para capitalizar o descontentamento dos americanos e, a pretexto da necessária retaliação, iniciar a guerra contra o Iraque - concebida dois anos antes, ainda as Twin Towers estavam no seu lugar. Eram de novo os interesses económicos dos Estados Unidos a falar mais alto.
Não sei se «Fahrenheit 9/11», de Michael Moore, há pouco estreado em Portugal, é ou não um bom filme, se é ou não demagógico, como os críticos discutem entre si. Não o vi. Sei que bom ou mau, demagógico ou não, não consegue traduzir o rasto de destruição, de morte, de infelicidade, de atraso e até de desconfiança que estas guerras têm deixado atrás de si.
Sei que lembrar Hiroshima e Nagasaki, a guerra do Vietnam, a guerra das Malvinas, a guerra do Golfo, a guerra do Afeganistão, a guerra do Iraque é não esquecer o seu horror. Apenas para que, lutando contra os interesses que lhe estão por trás, se possa impedir que voltem a repetir-se.
Pouco importou o que acontecera em Hiroshima e Nagasaki, onde, entre as pessoas que morreram de imediato ou ao longo de meses e anos vítimas de lesões provocadas pela explosão atómica, contam-se mais de 400 mil, sendo que milhões de outras continuaram a sofrer doenças até então desconhecidas, causadas pelas radiações nucleares.
Porém, a bomba atómica fez, então, tremer o mundo com a sua eficácia. Daí para a frente nada seria igual: a partir desses inenarráveis dias, a bomba atómica, muito diferente das armas convencionais, punha em perigo a própria existência da humanidade. Hiroshima e Nagasaki tinham sido o primeiro teste.
Hoje, em todo o mundo se assinalam estes terríveis dias, com propósitos declarados, verdadeiros ou não, de que os mesmos não voltem a repetir-se. O certo é que a realidade não traduz esses propósitos.
Ainda que sem recurso à bomba atómica, os EUA e os seus serventuários continuaram a permitir-se atacar e invadir países, matar e destruir, sempre que os seus interesses estavam em jogo. E os efeitos das novas as armas que usam - veja-se o urânio empobrecido -, não sendo os mesmos da bomba atómica, prosseguem igualmente a sua sanha destruidora muito para além da sua utilização.
A 11 de Setembro de 2001, pela primeira vez, os EUA conheceram na pele os efeitos das suas malfeitorias, sentindo, também pela primeira vez, que, afinal não eram intocáveis. O ataque às Twin Towers, perpetrado por meia dúzia de terroristas, de que o principal cabecilha havia sido instruído pelos próprios Estados Unidos, matava, nesse dia, mais de três mil pessoas indefesas.
No rescaldo desse terrível acontecimento, o presidente dos EUA, George W. Bush, em vez de tirar dele os devidos ensinamentos, aproveitou para capitalizar o descontentamento dos americanos e, a pretexto da necessária retaliação, iniciar a guerra contra o Iraque - concebida dois anos antes, ainda as Twin Towers estavam no seu lugar. Eram de novo os interesses económicos dos Estados Unidos a falar mais alto.
Não sei se «Fahrenheit 9/11», de Michael Moore, há pouco estreado em Portugal, é ou não um bom filme, se é ou não demagógico, como os críticos discutem entre si. Não o vi. Sei que bom ou mau, demagógico ou não, não consegue traduzir o rasto de destruição, de morte, de infelicidade, de atraso e até de desconfiança que estas guerras têm deixado atrás de si.
Sei que lembrar Hiroshima e Nagasaki, a guerra do Vietnam, a guerra das Malvinas, a guerra do Golfo, a guerra do Afeganistão, a guerra do Iraque é não esquecer o seu horror. Apenas para que, lutando contra os interesses que lhe estão por trás, se possa impedir que voltem a repetir-se.
• MF