Voto de protesto
As eleições para o Parlamento Europeu, que decorreram entre quinta-feira e domingo, 10 e 13, deram um claro sinal descontentamento com as políticas anti-sociais prosseguidas pela generalidade dos governos da UE.
O descontentamento atinge governos conservadores e social-democratas
Marcadas mais uma vez por uma abstenção média recorde (54,5 por cento contra 50,2 em 1999), os resultados das eleições europeias traduzem a crescente contestação contra as orientações neoliberais seguidas quer nos antigos Quinze, quer nos novos dez estados aderentes à União Europeia.
Salvo raras excepções, que apenas confirmam a regra, os grandes derrotados foram os partidos que suportam os governos, independentemente de se situarem à direita ou de evocarem a inspiração social-democrata.
Na Grã-Bretanha, Alemanha e Polónia os sociais-democratas sofreram derrotas históricas, enquanto que a direita conservadora era fortemente penalizada na França de Chirac ou na Itália de Berlusconi.
Ao mesmo tempo, a extrema-direita populista, vestindo um discurso anti-europeu, registou nítidos avanços nalguns países, com destaque para a Grã-Bretanha e Polónia. Exigindo a saída do Reino Unido da União Europeia, o UKIP (Partido para a Independência do Reino Unido) mais que duplicou a sua votação (16,8% contra 6,5% em1999), obtendo 13 mandatos e posicionando-se com a terceira força política no país, muito à custa dos conservadores que apesar de terem ganho o escrutínio, sofrem uma queda de seis pontos percentuais em comparação com 1999.
Na Polónia onde, tal como na Eslováquia, se registou uma taxa de abstenção próxima dos 80 por cento, a coligação governante social-democrata SLD baixou para quinta força política, recolhendo apenas 9,5 por cento dos votos e elegendo cinco deputados. Quatro partidos de direita, PO, LPR PiS e SO, respectivamente, com 23,5 por cento e 14 deputados; 16,4 e 10 deputados; 12,5 e sete deputados; e 11,6 por cento e sete deputados tomaram a dianteira no sufrágio, propondo-se reforçar os grupos mais à direita do Parlamento Europeu.
Na Alemanha, os cristãos-democratas (CDU-CSU) venceram claramente as eleições com 44,5 por cento e 49 lugares, deixando para trás o SPD de Schroeder, que apenas obteve 21,5 por cento dos votos e 23 lugares.
A derrota de Berlusconi
Em Itália, os resultados representaram uma derrota para Sílvio Berlusconi, que fez questão de encabeçar as listas nas cinco circunscrições eleitorais, fixando em 25 por cento o objectivo da Forza Itália. Acabou por não chegar aos 21 por cento, elegendo 17 deputados, ultrapassado pela coligação centro-esquerda (Uniti nell’Ullivo) apoiada pelo actual presidente da Comissão Europeia, Romano Prodi, que chegou aos 31,1 por cento, conquistando 27 lugares.
De igual forma, a direita governante na França sofreu um forte revés no domingo, tendo o partido de Jacques Chirac e de Jean- Pierre Raffarin, a UMP, recolhido somente 16,6 por cento dos votos e 17 lugares, muito atrás dos 28,9 e 31 lugares conseguidos pelos socialistas franceses que passam a ter a maior representação nacional no Grupo do Partido Socialista Europeu.
Salvo raras excepções, que apenas confirmam a regra, os grandes derrotados foram os partidos que suportam os governos, independentemente de se situarem à direita ou de evocarem a inspiração social-democrata.
Na Grã-Bretanha, Alemanha e Polónia os sociais-democratas sofreram derrotas históricas, enquanto que a direita conservadora era fortemente penalizada na França de Chirac ou na Itália de Berlusconi.
Ao mesmo tempo, a extrema-direita populista, vestindo um discurso anti-europeu, registou nítidos avanços nalguns países, com destaque para a Grã-Bretanha e Polónia. Exigindo a saída do Reino Unido da União Europeia, o UKIP (Partido para a Independência do Reino Unido) mais que duplicou a sua votação (16,8% contra 6,5% em1999), obtendo 13 mandatos e posicionando-se com a terceira força política no país, muito à custa dos conservadores que apesar de terem ganho o escrutínio, sofrem uma queda de seis pontos percentuais em comparação com 1999.
Na Polónia onde, tal como na Eslováquia, se registou uma taxa de abstenção próxima dos 80 por cento, a coligação governante social-democrata SLD baixou para quinta força política, recolhendo apenas 9,5 por cento dos votos e elegendo cinco deputados. Quatro partidos de direita, PO, LPR PiS e SO, respectivamente, com 23,5 por cento e 14 deputados; 16,4 e 10 deputados; 12,5 e sete deputados; e 11,6 por cento e sete deputados tomaram a dianteira no sufrágio, propondo-se reforçar os grupos mais à direita do Parlamento Europeu.
Na Alemanha, os cristãos-democratas (CDU-CSU) venceram claramente as eleições com 44,5 por cento e 49 lugares, deixando para trás o SPD de Schroeder, que apenas obteve 21,5 por cento dos votos e 23 lugares.
A derrota de Berlusconi
Em Itália, os resultados representaram uma derrota para Sílvio Berlusconi, que fez questão de encabeçar as listas nas cinco circunscrições eleitorais, fixando em 25 por cento o objectivo da Forza Itália. Acabou por não chegar aos 21 por cento, elegendo 17 deputados, ultrapassado pela coligação centro-esquerda (Uniti nell’Ullivo) apoiada pelo actual presidente da Comissão Europeia, Romano Prodi, que chegou aos 31,1 por cento, conquistando 27 lugares.
De igual forma, a direita governante na França sofreu um forte revés no domingo, tendo o partido de Jacques Chirac e de Jean- Pierre Raffarin, a UMP, recolhido somente 16,6 por cento dos votos e 17 lugares, muito atrás dos 28,9 e 31 lugares conseguidos pelos socialistas franceses que passam a ter a maior representação nacional no Grupo do Partido Socialista Europeu.