VOTAR EM CONSCIÊNCIA

«Lá como cá, os deputados da CDU ocupam o primeiro lugar na defesa dos interesses nacionais»

A cerca de três semanas das eleições, a intervenção na campanha para o Parlamento Europeu apresenta-se como a tarefa principal e prioritária para todos os activistas da CDU – tarefa a exigir a mais ampla mobilização de forças, esforços e capacidades de modo a fazer chegar ao maior número de pessoas a demonstração da necessidade do voto na CDU.
Por razões óbvias, a tarefa da CDU é mais difícil do que a de qualquer outra força concorrente às eleições. Com efeito, e como é hábito, a generalidade da comunicação social dominante faz da CDU um alvo preferencial: ora pelo silenciamento das suas iniciativas; ora pela menorização dessas iniciativas; ora pela hiper-valorização de outras forças em detrimento da CDU; ora – e sempre! – pelo anti-comunismo visceral que habita as linhas editoriais dos média dominantes. Por outro lado, as disponibilidades financeiras da CDU estão muito aquém das disponibilidades já reveladas pelas outras forças políticas: basta olhar para a quantidade desses enormes placards que de há várias semanas a esta parte levam a todo o País a propaganda da coligação da direita-extrema direita, ou do PS, ou do Bloco de Esquerda.
Estas maiores dificuldades da CDU colocam exigências especiais em matéria de intervenção militante, exigências que não constituem novidade para os activistas da CDU e às quais irão responder com a determinação que lhes é característica – sabendo que os votos que dependerem exclusivamente dessa intervenção militante, esses serão votos ganhos, e sabendo, por isso, que cada voto obtido pela CDU será um voto conquistado pelo trabalho, pela perseverança, pelo esforço, pela capacidade de fazer chegar a mais e mais pessoas a demonstração clara de que é votando na CDU que melhor defendem os seus próprios interesses – como a realidade dos factos confirma, todos os dias, aqui em Portugal como no Parlamento Europeu.

Olhando para o conjunto dos partidos de oposição, não é difícil demonstrar a singularidade do PCP em matéria de luta pela defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo e do País. Basta observar o dia a dia da intervenção dos comunistas: a persistência na luta contra a política de direita nas suas múltiplas manifestações; a pertinente denúncia das consequências negativas, por vezes desastrosas, dessa política para a maioria do povo; a defesa intransigente e constante dos interesses dessa maioria de portugueses e portuguesas; a apresentação de uma política ou de políticas alternativas à política de direita e a persistência na luta por uma alternativa de esquerda – basta observar esta actividade e compará-la com a de outros partidos. A actividade real e concreta, sublinhe-se, e não a actividade para eleitorado ver, servida com abundantes doses de política espectáculo, nuns casos para dar uma imagem de esquerda radical a posições que nem de esquerda superficial são, como acontece com o Bloco de Esquerda – partido que, sabe-se bem porquê, goza de todos os favores de todos os órgãos da comunicação social dominante; noutros casos, como sempre acontece com o PS, para mascarar de oposição à política do Governo, aquilo que não é mais do que oposição ao Governo – Governo que o PS quer (e esse é o seu maior objectivo) substituir por um governo seu, que dê continuidade à política levada a cabo pelo governo do PSD, ao fim e ao cabo a política de direita comum aos dois.
Assim sendo, votar no PS pensando que, assim, se está a condenar a política do Governo Barroso/Portas e a abrir caminho para uma alternativa à actual situação, é pura ilusão – pura e perigosa ilusão. Por um lado, porque a política defendida e praticada pelo PS, ao longo dos anos (ora na oposição ora no Governo), é, no essencial, a mesma que o PSD (ora na oposição ora no Governo) tem defendido e praticado, ao longo dos anos. Por outro lado, porque nestas eleições do que se trata é, tão somente, de eleger deputados portugueses para o Parlamento Europeu.

Assim sendo – em princípio e como é óbvio... – será do interesse dos eleitores eleger quem os represente condignamente, dar o seu voto a quem, seguramente, o irá utilizar no interesse de quem vota – o que exige uma criteriosa avaliação da quantidade e da qualidade do trabalho desenvolvido por cada um e por todos os deputados dos diversos partidos. Quem seguir esse caminho de análise – e este é um convite e, ao mesmo tempo, um desafio que aqui se deixa a todos os eleitores – verificará que lá, como cá, em Portugal como no Parlamento Europeu, o PS e os partidos da direita sempre se têm entendido em relação às questões mais essenciais e que os desacordos que têm necessidade de exibir não passam de fogo de vista, com o qual pretendem fazer crer aos eleitores que são alternativa um ao outro. Acresce que, em vários casos, os euro-deputados do PS ou do PSD não passam de uma espécie nova e privilegiada de emigrantes: estão, querem estar e gostam de estar no Parlamento Europeu para descansar da política nacional; para, bem postos e bem pagos, repousarem eles lá sabem de que cansaços; e, naturalmente, para levantarem o braço e votarem – regra geral mal, regra geral contra os interesses nacionais e sempre dando continuidade, lá fora, à política de direita que, cá dentro, vão praticando em alternância.
Quanto aos deputados da CDU, o eleitor verificará que, lá como cá, eles ocupam o primeiro lugar na defesa dos interesses nacionais – após o que ficará em condições de votar em consciência.