Reflexões a partir da «festa» deste alargamento
Pretendeu-se que a semana começada no 1. de Maio de 2004 fosse de grande festa na «Europa», ou seja, na União Europeia.
Embora sábado, foi a data escolhida para começar a semana de consumação do alargamento da UE a mais 10 Estados-membros passando a um total de 25, com mais 3 (Bulgária, Roménia e Turquia) na calha.
Como há 6 anos, foi a 1 de Maio que se consumou a União Económica e Monetária, isto, é a moeda única e o Banco Central Europeu, para 11 (com a Grécia passaram depois a 12) dos 15 Estados-membros que foram até este 1.º de Maio.
Mero acaso a escolha da data? Talvez… Apenas deixo ficar a dúvida para que não se diga que tenho a mania da perseguição e que vejo intenções onde as não há. Só tenho dúvidas…
De qualquer modo, esta festa não me pareceu tão grande como se pretendia. E, sempre com as cautelas e reservas para que não se diga que tenho as tais manias, teria tido alguns aspectos revanchistas. Para o que a escolha da data de 1 de Maio não seria – talvez… – indiferente.
Estou onde estou porque tenho e mantenho da História uma perspectiva de luta de classes.
E, nessa perspectiva, não posso fazer de conta, por mais isolado que fique, que ignoro o significado classista que se quis dar às comemorações do alargamento que trouxe, ao «clube europeu», oito Estados europeus que tinham feito parte do CAME – integração económica dos países socialistas –, criado antes do Tratado de Roma.
No Parlamento Europeu, onde a tarefa de deputado em que estou me levou a assistir a algumas cerimónias, a «festa» foi a demonstração de que este processo de integração, tal como se tem concretizado, é, desde o começo, uma opção de classe, ou melhor: é a adaptação classista a processos objectivos resultantes da dinâmica das forças produtivas, na relação de forças sociais existente.
Tem sido, em muito dos seus passos decisivos, «inspirado» pelas organizações empresariais e patronais, como foi o caso da moeda única, da «estratégia de Lisboa», deste alargamento ora em festejos.
Tem sido um processo marcado pelos interesses de classe, sob o paradigma (como eles dizem…) da economia de mercado, ou seja, do capitalismo, como eu quero dizer.
Mas foi uma festa triste! Faltou-lhe alegria, sinceridade. Houve pouca convicção no serviço pós-venda e manutenção do mercado das ilusões.
Na verdade, os problemas são muitos e o futuro não se apresenta risonho. Pareceu-me ver, nas circunstâncias, uma aparente e pomposa satisfação feita de encenações folclóricas, de flores e bandeiras, simbolicamente assentes sobre bases feitas nos estaleiros polacos onde o chamado sindicato Solidariedade protagonizou uma das primeiras e mais apoiadas batalhas de subversão contra o caminho que esse país e outros faziam diferente dos caminhos do tal eufemístico paradigma, diferente do capitalismo, caminho para uma outra sociedade que não esta que vivemos e sofremos, que sofrem os trabalhadores, que sofrem os excluídos, que sofrem os pobres.
Não faltaram discursos claramente de classe, claramente revanchistas.
Lech Valesa foi convidado para acompanhar a instalação das bases para as bandeiras e fê-lo com um discurso recordatório do seu papel na «libertação». No plenário, os grupos de direita não se pouparam nas referências à sua visão de liberdade e de democracia, que fica à porta das empresas e do social, e se traduz em votações periódicas escoradas em desinformação e com abstenção crescente. Mas também no discurso do porta-voz do grupo socialista não faltaram paralelismos entre fascismo e comunismo, nas referências às ditaduras e às libertações, em que incluiu uma palavra sobre os 30 anos da «revolução dos cravos».
Nesses discursos, grupos houve que quiseram que a sua mensagem fosse lida ou dita por novos membros e, num grupo, a inexperiência do polaco escolhido tê-lo-á levado longe de mais, com um agradecimento muito reconhecido a Tatcher e a Reagan. Na verdade, o paradigma da economia de mercado terá tido estes impulsionadores, na viragem da década de 70 para 80, mas não ficaram como imagens muito recomendáveis. Como Bush e o Iraque não o serão daqui a pouco tempo, e começam a já não o ser! É que o tal paradigma leva ao imperialismo em linha directa.
No entanto, importa dizer que não chegámos ao fim da História, como não chegámos à Europa unida e de paz.
O mundo e a Europa, os países, os povos, continuam socialmente divididos. Por classes. Há os que exploram e os que são explorados, divisão de onde nascem as diferenças e as discriminações, onde as desigualdades e as injustiças têm as raízes e o alimento.
Para que o mundo seja outro, para que outro seja o caminho da Europa, para que seja outro o caminho de Portugal, lutamos em todas as frentes e a da União Europeia já tem enorme relevância, que cresce a olhos vistos.
As eleições para o Parlamento Europeu, a 13 de Junho são uma batalha de enorme importância para todos, e também para o Partido que somos.
Tenhamo-lo bem presente.
Embora sábado, foi a data escolhida para começar a semana de consumação do alargamento da UE a mais 10 Estados-membros passando a um total de 25, com mais 3 (Bulgária, Roménia e Turquia) na calha.
Como há 6 anos, foi a 1 de Maio que se consumou a União Económica e Monetária, isto, é a moeda única e o Banco Central Europeu, para 11 (com a Grécia passaram depois a 12) dos 15 Estados-membros que foram até este 1.º de Maio.
Mero acaso a escolha da data? Talvez… Apenas deixo ficar a dúvida para que não se diga que tenho a mania da perseguição e que vejo intenções onde as não há. Só tenho dúvidas…
De qualquer modo, esta festa não me pareceu tão grande como se pretendia. E, sempre com as cautelas e reservas para que não se diga que tenho as tais manias, teria tido alguns aspectos revanchistas. Para o que a escolha da data de 1 de Maio não seria – talvez… – indiferente.
Estou onde estou porque tenho e mantenho da História uma perspectiva de luta de classes.
E, nessa perspectiva, não posso fazer de conta, por mais isolado que fique, que ignoro o significado classista que se quis dar às comemorações do alargamento que trouxe, ao «clube europeu», oito Estados europeus que tinham feito parte do CAME – integração económica dos países socialistas –, criado antes do Tratado de Roma.
No Parlamento Europeu, onde a tarefa de deputado em que estou me levou a assistir a algumas cerimónias, a «festa» foi a demonstração de que este processo de integração, tal como se tem concretizado, é, desde o começo, uma opção de classe, ou melhor: é a adaptação classista a processos objectivos resultantes da dinâmica das forças produtivas, na relação de forças sociais existente.
Tem sido, em muito dos seus passos decisivos, «inspirado» pelas organizações empresariais e patronais, como foi o caso da moeda única, da «estratégia de Lisboa», deste alargamento ora em festejos.
Tem sido um processo marcado pelos interesses de classe, sob o paradigma (como eles dizem…) da economia de mercado, ou seja, do capitalismo, como eu quero dizer.
Mas foi uma festa triste! Faltou-lhe alegria, sinceridade. Houve pouca convicção no serviço pós-venda e manutenção do mercado das ilusões.
Na verdade, os problemas são muitos e o futuro não se apresenta risonho. Pareceu-me ver, nas circunstâncias, uma aparente e pomposa satisfação feita de encenações folclóricas, de flores e bandeiras, simbolicamente assentes sobre bases feitas nos estaleiros polacos onde o chamado sindicato Solidariedade protagonizou uma das primeiras e mais apoiadas batalhas de subversão contra o caminho que esse país e outros faziam diferente dos caminhos do tal eufemístico paradigma, diferente do capitalismo, caminho para uma outra sociedade que não esta que vivemos e sofremos, que sofrem os trabalhadores, que sofrem os excluídos, que sofrem os pobres.
Não faltaram discursos claramente de classe, claramente revanchistas.
Lech Valesa foi convidado para acompanhar a instalação das bases para as bandeiras e fê-lo com um discurso recordatório do seu papel na «libertação». No plenário, os grupos de direita não se pouparam nas referências à sua visão de liberdade e de democracia, que fica à porta das empresas e do social, e se traduz em votações periódicas escoradas em desinformação e com abstenção crescente. Mas também no discurso do porta-voz do grupo socialista não faltaram paralelismos entre fascismo e comunismo, nas referências às ditaduras e às libertações, em que incluiu uma palavra sobre os 30 anos da «revolução dos cravos».
Nesses discursos, grupos houve que quiseram que a sua mensagem fosse lida ou dita por novos membros e, num grupo, a inexperiência do polaco escolhido tê-lo-á levado longe de mais, com um agradecimento muito reconhecido a Tatcher e a Reagan. Na verdade, o paradigma da economia de mercado terá tido estes impulsionadores, na viragem da década de 70 para 80, mas não ficaram como imagens muito recomendáveis. Como Bush e o Iraque não o serão daqui a pouco tempo, e começam a já não o ser! É que o tal paradigma leva ao imperialismo em linha directa.
No entanto, importa dizer que não chegámos ao fim da História, como não chegámos à Europa unida e de paz.
O mundo e a Europa, os países, os povos, continuam socialmente divididos. Por classes. Há os que exploram e os que são explorados, divisão de onde nascem as diferenças e as discriminações, onde as desigualdades e as injustiças têm as raízes e o alimento.
Para que o mundo seja outro, para que outro seja o caminho da Europa, para que seja outro o caminho de Portugal, lutamos em todas as frentes e a da União Europeia já tem enorme relevância, que cresce a olhos vistos.
As eleições para o Parlamento Europeu, a 13 de Junho são uma batalha de enorme importância para todos, e também para o Partido que somos.
Tenhamo-lo bem presente.