Governos não defenderam Portugal

Cada vez mais periférico

Ao não se baterem pelos interesses nacionais, os partidos que se têm sucedido no governo serão responsáveis pelas consequências para o País decorrentes do alargamento, afirma o PCP.
«Portugal torna-se muito mais periférico, o que, só por si, tem custos acrescidos», afirmou Agostinho Lopes, da Comissão Política, na conferência de imprensa dada no passado dia 29, referindo-se ao alargamento da União Europeia. O dirigente comunista considera completamente inaceitável que este processo tenha sido aceite sem uma «avaliação global de todas as consequências, para Portugal, e sem que tenham sido previstos programas que minimizassem os mais que certos impactos negativos, como o PCP propôs». Todos os estudos conhecidos (nenhum oficial) sobre a matéria dão Portugal como o principal, senão o único, perdedor entre os actuais estados-membros com este processo.
Agostinho Lopes acusou o Governo de ter – «na continuidade da intervenção e posição dos governos PS/António Guterres» – abordado este tema tão importante para Portugal, para a União Europeia e para os novos países, «com uma inacreditável ligeireza e desvalorização e com uma comprometedora negligência da necessária defesa dos interesses nacionais».
Para o membro da Comissão Política, os governos não fizeram o «necessário esclarecimento dos portugueses» e reduziram ao mínimo o envolvimento da Assembleia da República no acompanhamento deste processo. Foi, aliás, o Grupo Parlamentar do PCP que tomou a iniciativa de solicitar um debate de urgência sobre o problema, para lá da intervenção própria no Parlamento Europeu.
Assim, os comunistas responsabilizam aqueles partidos (face às suas posições à frente de governos e através dos seus deputados europeus) pelos problemas decorrentes para Portugal do alargamento, sem que tivessem «acautelado minimamente os interesses do País». Isto, afirma o dirigente do PCP, «não é contraditório nem conflituoso com os interesses e a vontade dos países que agora aderem à União Europeia». Da parte do PCP, realça, a luta pela avaliação dos impactos do alargamento e a tomada de medidas que possam colmatar as consequências negativas para Portugal e para os novos membros continua. Em Portugal e no Parlamento Europeu.

Deixar de ser pobre

A deputada Ilda Figueiredo, por seu lado, afirma que as consequências que já se fazem sentir no País – destruição acelerada da estrutura produtiva, da indústria tradicional, da agricultura e das pescas, bem como o «escandaloso agravamento do desemprego e das difíceis condições de vida das famílias» – deveriam ter servido para justificar uma posição reivindicativa do Governo português.
Mas isso não aconteceu, lamenta a primeira candidata da lista da CDU às eleições de 13 Junho. Na sua opinião, a Comissão Europeia, o Conselho e o Governo português vêem o alargamento «apenas como o cumprimento de um compromisso político de que não podem fugir». Contraditoriamente, deram toda a atenção à possível expansão dos mercados.
Para Ilda Figueiredo, só o simples facto de os países que entraram terem rendimentos médios inferiores a metade da média comunitária, ditará o «enriquecimento estatístico de Portugal». O que significa que o País poderá perder possibilidades de acesso a apoios comunitários em relação ao que actualmente sucede. Mas também os objectivos e formas de atribuição dos fundos mudam, lembra a deputada. De acordo com a proposta, Portugal perde, à partida, cerca de 10 por cento dos apoios.


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Alargar à medida dos poderosos

Desde o passado sábado que a União Europeia conta com mais dez países. Para o PCP, este alargamento prejudica Portugal e os novos estados-membros, que foram alvo de chantagens e intromissões e que aderem à UE em condições desfavoráveis. Quem ganha são os de sempre, os poderosos dos países mais ricos.

Maio grande e firme

Já seria assinalável o grande número de pessoas que, em Lisboa, como no Porto e em mais cerca de 60 localidades, esteve nas manifestações, nos desfiles, nos comícios e nas festas da CGTP-IN. Mas tem que se salientar igualmente a firmeza e a determinação trazidas para as ruas, no 1.º de Maio, por muitos daqueles que, no dia-a-dia, travam duras batalhas nas empresas e serviços, em condições agravadas por uma política que é violentamente desfavorável aos trabalhadores por conta de outrem.