«Não deixem que os falsos patriotas vos intimidem»
«Façam-se ouvir. Apesar de tudo, este ainda é o nosso país» - exorta Michael Moore, vencedor do Oscar para o melhor documentário, numa carta ao povo americano.
O cineasta norte-americano Michael Moore continua a agitar as consciências dos seus compatriotas, desta feita com uma carta aberta à opinião pública do seu país que está a ter assinalável repercussão à escala internacional.
«Parece que a administração Bush terá êxito na colonização do Iraque. Isto é uma fantochada que pagaremos nos próximos anos. Não valeu a vida de um único soldado norte-americano, sem mencionar os milhares de iraquianos mortos. Para eles vão os meus sentimentos de pesar e as minhas preces». Assim começa a corajosa carta de Moore, cujas preocupações estão agora viradas para o futuro.
«O que mais me preocupa agora - afirma o cineasta - é que todos vós, a maioria dos norte-americanos que desde o primeiro momento não apoiaram esta guerra, se calem ou se deixem intimidar pelo que vos será vendido como uma grande vitória militar. Agora, mais do que nunca, as vozes da paz e da verdade devem fazer-se ouvir. Recebi uma quantidade de cartas de pessoas que sentem um profundo desespero e pensam que as suas vozes foram abafadas pelos tambores e pelas bombas do falso patriotismo. Alguns temem uma vingança nos seus locais de trabalho, escolas ou bairros porque defenderam a paz em voz alta. Disseram-lhes repetidamente que não é “apropriado” protestar uma vez que o país está em guerra e que agora o seu único dever é “apoiar as tropas”».
Moore recorda a propósito a sua experiência. «Quando Bowling for Columbine foi anunciado como vencedor do Oscar para o melhor documentário, o público pôs-se de pé. Foi um grande momento, que sempre guardarei. Estavam parados e a aplaudir um filme que afirma que os norte-americanos são pessoas violentas que usam os seus arsenais para se matarem uns aos outros e para os usar contra muitos países do mundo. Estavam a aplaudir um filme que mostra George W. Bush a usar falsos medos para assustar as pessoas e as levar a fazer o que ele quer. No dia seguinte - e desde há duas semanas -, os eruditos de direita e os fazedores de opinião da rádio começaram a pedir a minha cabeça. Mas em que é que isso me afectou? Conseguiram “silenciar-me”?»
O realizador responde à sua própria pergunta com dados sobre o sucesso do filme, bem como o continuado êxito do seu livro Homens brancos estúpidos.
Este é o nosso país
Com o seu exemplo, explica Moore, o cineasta quer combater a mensagem que os norte-americanos ouvem todos os dias: «que se expressarmos a nossa opinião política, vamos lamentá-lo. Que de algum modo vamos ser afectados, designadamente em termos financeiros. Que podemos perder o emprego. Ou que talvez não nos contratem. Que vamos perder os amigos, etc., etc., etc..»
Contrariando esta ideia, Moore cita ainda o exemplo da banda de música country Dixie Chicks, cuja vocalista disse ter vergonha de que Bush seja tão texano como ela, e que viu as suas vendas aumentarem em flecha apesar de, paradoxalmente, certa imprensa persistir em desacreditar o grupo. Para esses media, diz Moore, «não há nada mais importante do que calar as vozes dos dissidentes e dos que se atrevem a colocar questões. E que melhor forma do que derrubar um par de artistas famosos com um conjunto de mentiras, para que o João ou a Joana receba a mensagem bem clara: “uau, se podem fazer isso às Dixie Chicks ou ao Michael Moore, o que é que não me farão a mim?”. Por outras palavras, calem-se, caramba. E isso, amigos, é o fio condutor do filme que me deu o Oscar: como os que estão no poder usam o medo para manipular o público para que façam o que lhes dizem.»
A mensagem final de Moore não podia ser mais clara:
«Não deixem que os falsos patriotas os intimidem fixando a agenda ou o debate. Não se deixem iludir pelas sondagens que mostram que 70 por cento está a favor da guerra. Lembrem-se que esses norte-americanos questionados são os mesmos cujos filhos (ou os filhos do vizinho) foram enviados para o Iraque. (...) Para a maioria de nós este não é o tempo de acreditar num país pacífico e calado. Façam-se ouvir. Apesar do que já lhe fizeram, este ainda é o nosso país».
«Parece que a administração Bush terá êxito na colonização do Iraque. Isto é uma fantochada que pagaremos nos próximos anos. Não valeu a vida de um único soldado norte-americano, sem mencionar os milhares de iraquianos mortos. Para eles vão os meus sentimentos de pesar e as minhas preces». Assim começa a corajosa carta de Moore, cujas preocupações estão agora viradas para o futuro.
«O que mais me preocupa agora - afirma o cineasta - é que todos vós, a maioria dos norte-americanos que desde o primeiro momento não apoiaram esta guerra, se calem ou se deixem intimidar pelo que vos será vendido como uma grande vitória militar. Agora, mais do que nunca, as vozes da paz e da verdade devem fazer-se ouvir. Recebi uma quantidade de cartas de pessoas que sentem um profundo desespero e pensam que as suas vozes foram abafadas pelos tambores e pelas bombas do falso patriotismo. Alguns temem uma vingança nos seus locais de trabalho, escolas ou bairros porque defenderam a paz em voz alta. Disseram-lhes repetidamente que não é “apropriado” protestar uma vez que o país está em guerra e que agora o seu único dever é “apoiar as tropas”».
Moore recorda a propósito a sua experiência. «Quando Bowling for Columbine foi anunciado como vencedor do Oscar para o melhor documentário, o público pôs-se de pé. Foi um grande momento, que sempre guardarei. Estavam parados e a aplaudir um filme que afirma que os norte-americanos são pessoas violentas que usam os seus arsenais para se matarem uns aos outros e para os usar contra muitos países do mundo. Estavam a aplaudir um filme que mostra George W. Bush a usar falsos medos para assustar as pessoas e as levar a fazer o que ele quer. No dia seguinte - e desde há duas semanas -, os eruditos de direita e os fazedores de opinião da rádio começaram a pedir a minha cabeça. Mas em que é que isso me afectou? Conseguiram “silenciar-me”?»
O realizador responde à sua própria pergunta com dados sobre o sucesso do filme, bem como o continuado êxito do seu livro Homens brancos estúpidos.
Este é o nosso país
Com o seu exemplo, explica Moore, o cineasta quer combater a mensagem que os norte-americanos ouvem todos os dias: «que se expressarmos a nossa opinião política, vamos lamentá-lo. Que de algum modo vamos ser afectados, designadamente em termos financeiros. Que podemos perder o emprego. Ou que talvez não nos contratem. Que vamos perder os amigos, etc., etc., etc..»
Contrariando esta ideia, Moore cita ainda o exemplo da banda de música country Dixie Chicks, cuja vocalista disse ter vergonha de que Bush seja tão texano como ela, e que viu as suas vendas aumentarem em flecha apesar de, paradoxalmente, certa imprensa persistir em desacreditar o grupo. Para esses media, diz Moore, «não há nada mais importante do que calar as vozes dos dissidentes e dos que se atrevem a colocar questões. E que melhor forma do que derrubar um par de artistas famosos com um conjunto de mentiras, para que o João ou a Joana receba a mensagem bem clara: “uau, se podem fazer isso às Dixie Chicks ou ao Michael Moore, o que é que não me farão a mim?”. Por outras palavras, calem-se, caramba. E isso, amigos, é o fio condutor do filme que me deu o Oscar: como os que estão no poder usam o medo para manipular o público para que façam o que lhes dizem.»
A mensagem final de Moore não podia ser mais clara:
«Não deixem que os falsos patriotas os intimidem fixando a agenda ou o debate. Não se deixem iludir pelas sondagens que mostram que 70 por cento está a favor da guerra. Lembrem-se que esses norte-americanos questionados são os mesmos cujos filhos (ou os filhos do vizinho) foram enviados para o Iraque. (...) Para a maioria de nós este não é o tempo de acreditar num país pacífico e calado. Façam-se ouvir. Apesar do que já lhe fizeram, este ainda é o nosso país».