14 mil estudantes do secundário em greve
A Delegação das Associações de Estudantes faz um balanço positivo dos protestos que se verificaram em centenas de localidades portuguesas, na quinta-feira.
Os jovens não estão esclarecidos sobre a sexualidade
Cerca de 14 mil estudantes do ensino básico e secundário fizeram greve e participaram em acções de protesto na quinta-feira passada, contra a reforma curricular, a nota mínima de 9,5 valores nos exames nacionais para entrar no ensino superior e a Lei de Bases da Educação. Os estudantes exigem ainda a aplicação da educação sexual e a melhoria das condições das escolas.
Ricardo Rodrigues, membro da Delegação Nacional das Associações de Estudantes do Ensino Básico e Secundário, faz um balanço positivo do dia de luta. «Foi a primeira luta nacional neste ano lectivo. Em algumas localidades a adesão foi melhor, conforme a preparação da luta, como o Porto, Setúbal, Braga e Coimbra. Nesta luta mostrámos claramente que não queremos esta reforma curricular», comenta.
A Delegação Nacional não obteve nenhuma resposta do Ministério da Educação. «Esta indiferença mostra que o Governo não se interessa pela opinião dos estudantes. Depois da Marcha da Educação, o ministro David Justino disse que toda a gente tem direito de se manifestar, mas que aquilo não o afectava...»
O dirigente associativo considera que, em geral, os estudantes estão informados sobre as reivindicações da Delegação Nacional e que participaram conscientemente na jornada de luta: «Conseguimos que os estudantes saíssem para a rua, não por sair, mas por conhecerem a gravidade destes atentados à educação.» Ricardo Rodrigues valoriza o apoio e a compreensão de professores, nomeadamente daqueles que não marcaram testes para quinta-feira por saberem que havia greve.
Ainda a fazer o balanço da luta de dia 19, a Delegação Nacional não põe de lado a possibilidade de promover novos protestos. «Nós entendemos a luta como um processo contínuo. O processo de consciencialização há-de continuar. Conforme a necessidade de luta e a realidade das escolas, a luta não vai parar», explica Ricardo Rodrigues.
Sexo é tabu
Uma das reivindicações dos estudantes é a aplicação da educação sexual nas escolas. Ricardo Rodrigues considera que os jovens não estão esclarecidos sobre a sexualidade e aponta para os dados sobre o nosso país para provar as suas afirmações: «Basta olhar para as estatísticas para ver que Portugal é o segundo país da União Europeia com mais mães adolescentes e com o maior número de jovens infectados com doenças sexualmente transmissíveis.»
A assinatura de um protocolo para a preparação da educação sexual com o Movimento de Defesa da Vida «é gozar com os estudantes, é não ter em conta as necessidades reais do País, pois essa associação defende a abstenção sexual nos jovens e é contra o uso de contraceptivos. A educação sexual tem de acabar com tabus e preconceitos relacionados com as matérias da sexualidade», defende.
JCP apoia luta
A Organização do Ensino Secundário da JCP saudou as «dezenas de milhar de estudantes que protestaram contra as políticas educativas deste Governo reaccionário e de direita», numa nota à imprensa.
Os jovens comunistas consideram que as políticas do executivo têm como «objectivo primordial uma gradual elitização do ensino, tentando castrar direitos da escola de Abril aos jovens portugueses», sublinhando que a revisão curricular contém «graves atentados à escola para todos» e que deve ser imediatamente suspensa.
A JCP compromete-se a esclarecer cada vez mais os estudantes e a denunciar as ofensivas do Governo.
Números por região
Beja 250
Braga 1500
Bragança 300
Castelo Branco 600
Coimbra 1000
Évora 300
Faro 880
Leiria 100
Lisboa 600
Porto 5000
Santarém 170
Setúbal 2100
Viana do Castelo 140
Viseu 400
Litoral Alentejano 350
Total 13690
Ricardo Rodrigues, membro da Delegação Nacional das Associações de Estudantes do Ensino Básico e Secundário, faz um balanço positivo do dia de luta. «Foi a primeira luta nacional neste ano lectivo. Em algumas localidades a adesão foi melhor, conforme a preparação da luta, como o Porto, Setúbal, Braga e Coimbra. Nesta luta mostrámos claramente que não queremos esta reforma curricular», comenta.
A Delegação Nacional não obteve nenhuma resposta do Ministério da Educação. «Esta indiferença mostra que o Governo não se interessa pela opinião dos estudantes. Depois da Marcha da Educação, o ministro David Justino disse que toda a gente tem direito de se manifestar, mas que aquilo não o afectava...»
O dirigente associativo considera que, em geral, os estudantes estão informados sobre as reivindicações da Delegação Nacional e que participaram conscientemente na jornada de luta: «Conseguimos que os estudantes saíssem para a rua, não por sair, mas por conhecerem a gravidade destes atentados à educação.» Ricardo Rodrigues valoriza o apoio e a compreensão de professores, nomeadamente daqueles que não marcaram testes para quinta-feira por saberem que havia greve.
Ainda a fazer o balanço da luta de dia 19, a Delegação Nacional não põe de lado a possibilidade de promover novos protestos. «Nós entendemos a luta como um processo contínuo. O processo de consciencialização há-de continuar. Conforme a necessidade de luta e a realidade das escolas, a luta não vai parar», explica Ricardo Rodrigues.
Sexo é tabu
Uma das reivindicações dos estudantes é a aplicação da educação sexual nas escolas. Ricardo Rodrigues considera que os jovens não estão esclarecidos sobre a sexualidade e aponta para os dados sobre o nosso país para provar as suas afirmações: «Basta olhar para as estatísticas para ver que Portugal é o segundo país da União Europeia com mais mães adolescentes e com o maior número de jovens infectados com doenças sexualmente transmissíveis.»
A assinatura de um protocolo para a preparação da educação sexual com o Movimento de Defesa da Vida «é gozar com os estudantes, é não ter em conta as necessidades reais do País, pois essa associação defende a abstenção sexual nos jovens e é contra o uso de contraceptivos. A educação sexual tem de acabar com tabus e preconceitos relacionados com as matérias da sexualidade», defende.
JCP apoia luta
A Organização do Ensino Secundário da JCP saudou as «dezenas de milhar de estudantes que protestaram contra as políticas educativas deste Governo reaccionário e de direita», numa nota à imprensa.
Os jovens comunistas consideram que as políticas do executivo têm como «objectivo primordial uma gradual elitização do ensino, tentando castrar direitos da escola de Abril aos jovens portugueses», sublinhando que a revisão curricular contém «graves atentados à escola para todos» e que deve ser imediatamente suspensa.
A JCP compromete-se a esclarecer cada vez mais os estudantes e a denunciar as ofensivas do Governo.
Números por região
Beja 250
Braga 1500
Bragança 300
Castelo Branco 600
Coimbra 1000
Évora 300
Faro 880
Leiria 100
Lisboa 600
Porto 5000
Santarém 170
Setúbal 2100
Viana do Castelo 140
Viseu 400
Litoral Alentejano 350
Total 13690