Contestação sobe de tom
Um ano depois da sua chegada ao poder, o presidente do Equador, Lucio Gutiérrez, é acusado de traição pelas forças sociais que o elegeram.
Os protestos populares subiram de tom a semana passada
A palavra de ordem é agora a de «Fora Gutierrez», como ficou bem explícito na «Assembleia dos Trabalhadores e Povos do Equador», realizada a 14 de Janeiro, com a participação da poderosa Conaie (Confederação de Nacionalidades Indígenas do Equador).
Acusando o presidente de «traição», a Assembleia aprovou um «programa de governo para um Novo Equador», e decidiu «continuar com a mobilização progressiva de todos os sectores sociais» para atingir o seu objectivo.
O Equador, que nos últimos cinco anos conheceu quatro governos, é historicamente considerado como um país explosivo. Na opinião de muitos observadores, a situação que hoje se vive está à beira da erupção.
As manifestações contra a política do governo sucedem-se, bem como as exigências de destituição do presidente. Os protestos populares subiram de tom a semana passada, reclamando a declaração de inconstitucionalidade da Lei de Serviço Civil e Carreira Administrativa, aprovada no ano passado, que elimina os direitos de contratação colectiva e congela os salários dos trabalhadores.
A crise geral vivida no país faz-se sentir até nas prisões, onde o governo impôs o estado de emergência para tentar pôr cobro aos sucessivos motins, auto-mutilações e mesmo casos de crucificação de presos.
A dolarização do Equador e um novo acordo com o FMI (assinado 25 dias depois de Gutiérrez ter tomado posse) em nada contribuíram para a melhoria das condições de vida da maioria da população. A situação tende entretanto a agravar-se com a pretensão de Gutiérrez de assinar um tratado de livre comércio com os EUA, que ameaça acabar de destruir o aparelho produtivo nacional, para além de representar um apoio à estratégia alternativa norte-americana para salvar as negociações da ALCA.
Dupla traição
Também na política externa Gutiérrez traiu os compromissos assumidos antes das eleições. Exemplo elucidativo disso foi a prisão em Quito, a 2 de Janeiro, do dirigente das FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), Simón Trinidad, de imediato extraditado para a Colômbia, em total dissonância com as promessas de Gutiérrez de contribuir para uma solução negociada do conflito no país vizinho.
As FARC denunciaram a traição num comunicado em que se afirma que «a actuação de órgãos de segurança dos EUA e da Colômbia nesta captura, além de constituir em uma afronta à soberania do Equador, revela a existência de uma obscura aliança entre Lucio Gutiérrez, o fascista Álvaro Uribe (presidente da Colômbia) e a Casa Branca, no âmbito do Plano Colômbia, contra os dirigentes revolucionários dos nossos dois países».
O documento faz no entanto questão de sublinhar que «a conduta destes governantes, alinhados com a ambição hegemónica de Washington, não afecta a relação histórica, bolivariana, que sempre distinguiu os povos irmãos da Colômbia e do Equador».
Acusando o presidente de «traição», a Assembleia aprovou um «programa de governo para um Novo Equador», e decidiu «continuar com a mobilização progressiva de todos os sectores sociais» para atingir o seu objectivo.
O Equador, que nos últimos cinco anos conheceu quatro governos, é historicamente considerado como um país explosivo. Na opinião de muitos observadores, a situação que hoje se vive está à beira da erupção.
As manifestações contra a política do governo sucedem-se, bem como as exigências de destituição do presidente. Os protestos populares subiram de tom a semana passada, reclamando a declaração de inconstitucionalidade da Lei de Serviço Civil e Carreira Administrativa, aprovada no ano passado, que elimina os direitos de contratação colectiva e congela os salários dos trabalhadores.
A crise geral vivida no país faz-se sentir até nas prisões, onde o governo impôs o estado de emergência para tentar pôr cobro aos sucessivos motins, auto-mutilações e mesmo casos de crucificação de presos.
A dolarização do Equador e um novo acordo com o FMI (assinado 25 dias depois de Gutiérrez ter tomado posse) em nada contribuíram para a melhoria das condições de vida da maioria da população. A situação tende entretanto a agravar-se com a pretensão de Gutiérrez de assinar um tratado de livre comércio com os EUA, que ameaça acabar de destruir o aparelho produtivo nacional, para além de representar um apoio à estratégia alternativa norte-americana para salvar as negociações da ALCA.
Dupla traição
Também na política externa Gutiérrez traiu os compromissos assumidos antes das eleições. Exemplo elucidativo disso foi a prisão em Quito, a 2 de Janeiro, do dirigente das FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), Simón Trinidad, de imediato extraditado para a Colômbia, em total dissonância com as promessas de Gutiérrez de contribuir para uma solução negociada do conflito no país vizinho.
As FARC denunciaram a traição num comunicado em que se afirma que «a actuação de órgãos de segurança dos EUA e da Colômbia nesta captura, além de constituir em uma afronta à soberania do Equador, revela a existência de uma obscura aliança entre Lucio Gutiérrez, o fascista Álvaro Uribe (presidente da Colômbia) e a Casa Branca, no âmbito do Plano Colômbia, contra os dirigentes revolucionários dos nossos dois países».
O documento faz no entanto questão de sublinhar que «a conduta destes governantes, alinhados com a ambição hegemónica de Washington, não afecta a relação histórica, bolivariana, que sempre distinguiu os povos irmãos da Colômbia e do Equador».