Irlanda assume presidência da União Europeia

Programa «exigente e complexo»

A presidência da União Europeia está, desde o início do ano, nas mãos da República da Irlanda. Na agenda deste semestre, marcado pela entrada de dez novos Estados membros, continuará a estar a discussão sobre a Constituição europeia.

Futura Constituição divide europeus

Ao assumir a condução dos destinos da UE, no passado dia 1, em cerimónia realizada no Castelo de Dublin, o primeiro-ministro irlandês, Bertie Ahern, não escondeu o carácter «exigente e complexo» do programa que o espera. Para isso contribui certamente a consciência das dificuldades que envolvem matérias como a discussão sobre a futura Constituição, em pleno impasse, e a forma como decorrerá o alargamento oficial da União Europeia de 15 para 25 membros.

Compromisso pela paz

Presente nas preocupações da presidência irlandesa parecem estar igualmente temas como a paz no Médio-Oriente e em África. Isso mesmo pode depreender-se da mensagem de Ano Novo de Bertie Ahern, redigida em nome da União Europeia, na qual se compromete a trabalhar com vista à construção da paz naquela região e naquele continente.
No texto, o primeiro-ministro irlandês salienta o «papel mundial» que a União deve desempenhar, comprometendo-se a contribuir para «progressos» em questões que reputa da maior importância como a «prevenção de conflitos e os direitos humanos».
Alvo de atenção especial, na perspectiva daquele dirigente político, deve merecer o conflito israelo-pelestiniano, a questão do Iraque e a situação de África. Sublinhado por si, a propósito da áfrica subsariana, foi o facto de nesta região existirem cerca de «291 milhões de pessoas a viver abaixo do limiar da pobreza» e de um número estimado em 28 milhões estarem infectadas com o vírus da sida.

Evitar divisões

«Iniciamos este trabalho com ambição e humildade, mas sobretudo com a determinação de servir melhor a Europa», sublinhou, entretanto, o chefe do governo irlandês no acto oficial em que recebeu a presidência da UE.
O que poderá querer dizer que a Irlanda, depois da presidência italiana sob a batuta de Silvio Berlusconi, está apostada em tentar evitar uma ainda maior clivagem na Europa por causa da futura Constituição, cujo processo negocial, recorde-se, conheceu um sério revés na cimeira de Bruxelas de 14 de Dezembro.
Uma Europa a duas velocidades «criará disparidades e divergências que não serão certamente boas para os europeus», afirmou aquele governante numa entrevista à rádio BBC no mesmo dia da tomada de posse.
Levantando um pouco o véu ao modo como tratará este dossier da Constituição europeia, Bertie Ahern adiantou que a sua táctica passará em primeiro lugar por uma abordagem ao projecto de texto deixado pelos italianos por forma a «assegurar-se de que os compromissos atingidos em relação a determinados pontos serão mantidos».
«Seguidamente começarei a apalpar o terreno com os outros países para ver quais os progressos que podem fazer» relativamente a outras matérias, precisou, sublinhando que «será um trabalho longo».
O relançamento das negociações, no entanto, nunca deverá ocorrer antes de Março, segundo declarações do ministro dos Negócios Estrangeiros irlandês, Brian Cowen.

Clube dos 25

A marcar esta presidência estará, por outro lado, o arranque de uma nova configuração da Europa a 25, prevista para 1 de Maio, com a formalização do alargamento da UE à Polónia, República Checa, Lituânia, Letónia, Estónia, Hungria, Eslovénia, Eslováquia, Chipre e Malta. A Irlanda já fez saber que esta vai ser uma prioridade sua, pretendendo garantir que a entrada daqueles países se processe de forma «suave».
À presidência irlandesa nos próximos seis meses estarão igualmente colocados outros dossiers como sejam o de abrir as portas do Clube dos 25 à Roménia, Bulgária e Turquia e, noutro plano, o projecto do orçamento da União Europeia para 2007-2013.


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