Política de direita atola o País na crise
Portugal está em pleno processo recessivo. A culpa, em larguíssima medida, é das políticas comprovadamente erradas do Governo, que, em vez de arrepiar caminho, persiste em mantê-las.
Para a gravidade da situação presente voltou a chamar a atenção o Grupo Parlamentar do PCP, advertindo para o facto de esta ser uma estratégia claramente suicida. Isso mesmo resulta da aposta reiterada pela ministra das Finanças em trocar a economia real e o desenvolvimento económico e social do País por aquilo que o deputado Lino de Carvalho designou de «quase mística dependência fetichista do défice».
O Parlamentar comunista, que falava numa das sessões plenárias da passada semana, mostrou, aliás, como é cada vez maior o número dos que se opõem a esta estratégia do Governo, mesmo entre figuras que constituem a sua base de apoio, citando, a propósito, declarações recentes do insuspeito Miguel Cadilhe.
«O défice público não me aflige. Aflige-me é que a recessão se agrave e acho isso demasiadamente provável... O bom investimento público é uma medida essencial à indução de um ambiente geral de recuperação económica», afirmou aquele ex-ministro das Finanças de Cavaco Silva, assim corroborando uma ideia desde há muito insistentemente defendida pelo PCP.
Ora a verdade é que o actual quadro de acentuada e crescente crise (ver caixa) não pode ser dissociado das políticas seguidas pelo actual Governo. E ao contrário do que este afirma, responsabilizando pela situação a conjuntura internacional e a guerra de agressão ao Iraque, as explicações para a realidade actual são outras. Radicam em factores internos como evidencia a própria circunstância de a economia portuguesa ser a que demonstrou ter o pior comportamento no conjunto dos países da União Europeia, da EFTA e até dos países candidatos ao alargamento.
E entre esses factores, como bem lembrou Lino de Carvalho, está a insistência cega no cumprimento dos «apertados critérios de Mastricht, em particular o valor irracional do défice», o que significa, no caso vertente, por exclusiva responsabilidade do Executivo, «somar crise à crise».
Apontadas como erros crassos foram também, entre outras, a opção por «desacelerar e desvalorizar o investimento público quando se exige exactamente o contrário como factor de animação da economia», bem como a aposta nas privatizações nas áreas económica e social e inclusivamente em sectores de manifesto interesse público.
Com repercussões negativas sobre a economia teve igualmente a aposta na redução do poder de compra dos portugueses e da procura interna, quando, do ponto de vista do PCP, o que o País carece é de animar o consumo como elemento dinamizador da oferta.
Panorama este no seu conjunto muito pouco animador, a médio e longo prazo, tudo por responsabilidade, segundo bancada comunista, de sucessivos governos que não procederam à «mudança sustentada do perfil da nossa economia».
«A verdade é que os baixos salários, a baixa qualificação, o fraco nível do nosso mundo empresarial continuam a ser aquilo que mais caracteriza o nosso tecido produtivo», sublinhou Lino de Carvalho, numa afirmação de repúdio por um caminho que considerou errado e a que urge pôr travão, apostando, ao contrário, «na alteração do perfil da economia, na educação, formação e qualificação dos nossos recursos humanos».
As cores negras da recessão
É um quadro preocupante aquele que caracteriza o estado actual da nossa economia. São vários os indicadores que apontam nesse sentido e que não deixam margem para dúvidas quanto à existência de uma crise que assume os contornos claros de uma recessão económica.
Recordado pela bancada do PCP na declaração política proferida por Lino de Carvalho foi, por exemplo, o facto de Produto quase ter estagnado em 2002 (crescimento anual de 0,5%), sendo que o seu 2.º semestre foi marcado por uma efectiva diminuição do PIB em 0,7%, queda que se acentuou no último trimestre do ano, cifrando-se em menos 0,8% em relação ao trimestre anterior e menos 1,3% se comparada com o trimestre homólogo de 2001.
A marcar a economia esteve ainda o encerramento e a deslocalização de empresas, o regresso dos salários em atraso, bem como, noutro plano, a quebra de todos os indicadores chamados de confiança, e, por fim, o aumento acelerado do desemprego. Sobre este flagelo, como foi dito, estavam em Fevereiro passado registados no Instituto de Emprego 412.000 desempregados, o que corresponde a mais 21,6% do que no mês homólogo do ano anterior, sendo considerado o valor mais elevado dos últimos cinco anos.
A taxa de desemprego situa-se assim na casa acima dos 8 por cento, abrangendo todos os sectores e formações académicas e profissionais, como atesta o facto de os desempregados com curso superior serem já cerca de 30 mil (mais 25% do que em relação a 2002), havendo ainda a registar na situação de desemprego 4.500 directores de empresas.
Também os valores que serviram de base à apresentação do Orçamento de Estado para 2003, a partir de projecções macro-económicas que a bancada comunista na altura própria denunciou como irrealistas, estão a ser «fragorosamente desmentidos pela realidade», segundo as palavras do deputado do PCP, lembrando, a propósito, que o IRS, de um crescimento previsto de 5,8% está nos 1,2%, enquanto o IVA baixa de uma previsão de aumento de 5,6% para menos 4,4%, e o IRC, pela sua parte, mantém um valor que é de estagnação.
O Parlamentar comunista, que falava numa das sessões plenárias da passada semana, mostrou, aliás, como é cada vez maior o número dos que se opõem a esta estratégia do Governo, mesmo entre figuras que constituem a sua base de apoio, citando, a propósito, declarações recentes do insuspeito Miguel Cadilhe.
«O défice público não me aflige. Aflige-me é que a recessão se agrave e acho isso demasiadamente provável... O bom investimento público é uma medida essencial à indução de um ambiente geral de recuperação económica», afirmou aquele ex-ministro das Finanças de Cavaco Silva, assim corroborando uma ideia desde há muito insistentemente defendida pelo PCP.
Ora a verdade é que o actual quadro de acentuada e crescente crise (ver caixa) não pode ser dissociado das políticas seguidas pelo actual Governo. E ao contrário do que este afirma, responsabilizando pela situação a conjuntura internacional e a guerra de agressão ao Iraque, as explicações para a realidade actual são outras. Radicam em factores internos como evidencia a própria circunstância de a economia portuguesa ser a que demonstrou ter o pior comportamento no conjunto dos países da União Europeia, da EFTA e até dos países candidatos ao alargamento.
E entre esses factores, como bem lembrou Lino de Carvalho, está a insistência cega no cumprimento dos «apertados critérios de Mastricht, em particular o valor irracional do défice», o que significa, no caso vertente, por exclusiva responsabilidade do Executivo, «somar crise à crise».
Apontadas como erros crassos foram também, entre outras, a opção por «desacelerar e desvalorizar o investimento público quando se exige exactamente o contrário como factor de animação da economia», bem como a aposta nas privatizações nas áreas económica e social e inclusivamente em sectores de manifesto interesse público.
Com repercussões negativas sobre a economia teve igualmente a aposta na redução do poder de compra dos portugueses e da procura interna, quando, do ponto de vista do PCP, o que o País carece é de animar o consumo como elemento dinamizador da oferta.
Panorama este no seu conjunto muito pouco animador, a médio e longo prazo, tudo por responsabilidade, segundo bancada comunista, de sucessivos governos que não procederam à «mudança sustentada do perfil da nossa economia».
«A verdade é que os baixos salários, a baixa qualificação, o fraco nível do nosso mundo empresarial continuam a ser aquilo que mais caracteriza o nosso tecido produtivo», sublinhou Lino de Carvalho, numa afirmação de repúdio por um caminho que considerou errado e a que urge pôr travão, apostando, ao contrário, «na alteração do perfil da economia, na educação, formação e qualificação dos nossos recursos humanos».
As cores negras da recessão
É um quadro preocupante aquele que caracteriza o estado actual da nossa economia. São vários os indicadores que apontam nesse sentido e que não deixam margem para dúvidas quanto à existência de uma crise que assume os contornos claros de uma recessão económica.
Recordado pela bancada do PCP na declaração política proferida por Lino de Carvalho foi, por exemplo, o facto de Produto quase ter estagnado em 2002 (crescimento anual de 0,5%), sendo que o seu 2.º semestre foi marcado por uma efectiva diminuição do PIB em 0,7%, queda que se acentuou no último trimestre do ano, cifrando-se em menos 0,8% em relação ao trimestre anterior e menos 1,3% se comparada com o trimestre homólogo de 2001.
A marcar a economia esteve ainda o encerramento e a deslocalização de empresas, o regresso dos salários em atraso, bem como, noutro plano, a quebra de todos os indicadores chamados de confiança, e, por fim, o aumento acelerado do desemprego. Sobre este flagelo, como foi dito, estavam em Fevereiro passado registados no Instituto de Emprego 412.000 desempregados, o que corresponde a mais 21,6% do que no mês homólogo do ano anterior, sendo considerado o valor mais elevado dos últimos cinco anos.
A taxa de desemprego situa-se assim na casa acima dos 8 por cento, abrangendo todos os sectores e formações académicas e profissionais, como atesta o facto de os desempregados com curso superior serem já cerca de 30 mil (mais 25% do que em relação a 2002), havendo ainda a registar na situação de desemprego 4.500 directores de empresas.
Também os valores que serviram de base à apresentação do Orçamento de Estado para 2003, a partir de projecções macro-económicas que a bancada comunista na altura própria denunciou como irrealistas, estão a ser «fragorosamente desmentidos pela realidade», segundo as palavras do deputado do PCP, lembrando, a propósito, que o IRS, de um crescimento previsto de 5,8% está nos 1,2%, enquanto o IVA baixa de uma previsão de aumento de 5,6% para menos 4,4%, e o IRC, pela sua parte, mantém um valor que é de estagnação.