Confissões da Pastoral Social (4)
Num aspecto os juízos do P. Feytor Pinto poderão reunir consensos. É quando recorda que apenas um método de acção social é radicalmente católico. A Revisão de Vida a que recorrentemente se refere o padre Feytor não mergulha raízes nas análises marxistas-leninistas ou no conhecimento pragmático e materialista, antes faz a leitura actualizada dos dogmas da Rerum Novarum. Nos seus princípios básicos há pelo menos dois imperativos: Só homens e mulheres convertidos são capazes de realizar uma autêntica acção social («muitos quiseram fazer Acção Social cristã sem reconhecerem Cristo, o Senhor Ressuscitado... Impossível! Serão apenas técnicos, nada mais...»). Em ordem a uma acção organizada, supõe-se sempre o «encaixar-se na vida, o alegrar-se com os que se alegram e o chorar com os que choram, responsabilizando a comunidade, o prédio, o bairro, a paróquia. Em (discurso)... cristão, diríamos que é o Mistério da Encarnação vivido na Pastoral Social». Assim, os três passos da acção social católica (Ver, Julgar, Agir), implicam a recusa do voluntarismo e do espontaneísmo: toda a intervenção deve ser analisada, preparada e planificada. As decisões são tomadas na própria comunidade e exigem a avaliação de cada fase do envolvimento e do grau de empenhamento das organizações animadas pela caridade («o empenhamento não pode esmorecer depois de uma vitória, visto que seria rotina»); devem ser prudentes e somar todas as forças, sem perder ninguém («formar novos grupos com o mesmo objectivo, colaborar com outros grupos populares e ligar-se a eles, envolver todo o bairro, toda a aldeia, a comunidade, envolver facções que ficam de fora, classes, pessoas»); passam pela formação de animadores.
O p. Feytor Pinto demonstra possuir uma grande lucidez ao declarar: a) «Infelizmente, o método cristão está subjacente à imagem da Igreja que se tem. No caso da Igreja Tradicional, oposta ao mundo, paralela ao mundo, a acção social tem por objectivo tirar os homens do mundo e trazê-los para dentro da Igreja, salvá-los, visto que "fora da Igreja não há salvação". b) Se tem uma imagem de Igreja Democrata Cristã, a Igreja das bandeiras e dos estandartes, onde o poder se disputa com os outros, então a acção social consiste no exercício da caridade, de cima para baixo, que defenda os interesses das classes privilegiadas, acção social que é uma forma de mostrar a força da Igreja na transformação da sociedade. c) Se tem a imagem de uma Igreja socialmente comprometida, uma Igreja que conseguiu romper o namoro com o Estado para abrir um espaço de anúncio do Evangelho ao povo, então a acção social consiste na exigência da justiça para cada homem e na prática de solidariedade efectiva com todos e cada um dos que sofrem. A acção social é inserção, testemunho, sol na caminhada. d) Mas ainda há os que têm a imagem de uma Igreja popular, em que a Igreja nasce do povo. Então corre-se o risco de transformar a acção social em acção exclusivamente política.»
É lógico que a imagem ideal para uma acção social e caritativa de forte expressão cristã é a que está próxima da Igreja socialmente comprometida.
São, depois, citados valores, contra-valores e preocupações centrais da acção social católica. Nos valores: dar atenção privilegiada ao testemunho cristão que passa pela solidariedade com os mais pobres entre os pobres. Garantir as exigências da Justiça, testemunhando em todas as atitudes pessoais ou de grupo, denunciando a injustiça, educando para a justiça e colaborando com todos os que lutam pela justiça. Nos contra-valores: dar prioridade absoluta aos valores humano-cristãos: respeito radical pela pessoa humana, solidariedade, criatividade ao serviço de novas respostas, privaticidade, comunhão de vida com o povo. Nas preocupações: o amor, o serviço, a liberdade e o profetismo.
Assim falavam há 18 anos os principais responsáveis pela acção social da igreja, num país que se presumia livre e democrático. Adivinhassem os bispos as realidades futuras (agora presentes) e não teriam ido tão longe nas suas divagações. Mas o que foi dito, está dito. Agora, a mentira é mais trabalhada. Apurou-se a técnica do olhar inocente. Ainda que os espaços da ilusão sejam cada vez mais curtos. A verdade flutua, como o azeite na água.
O p. Feytor Pinto demonstra possuir uma grande lucidez ao declarar: a) «Infelizmente, o método cristão está subjacente à imagem da Igreja que se tem. No caso da Igreja Tradicional, oposta ao mundo, paralela ao mundo, a acção social tem por objectivo tirar os homens do mundo e trazê-los para dentro da Igreja, salvá-los, visto que "fora da Igreja não há salvação". b) Se tem uma imagem de Igreja Democrata Cristã, a Igreja das bandeiras e dos estandartes, onde o poder se disputa com os outros, então a acção social consiste no exercício da caridade, de cima para baixo, que defenda os interesses das classes privilegiadas, acção social que é uma forma de mostrar a força da Igreja na transformação da sociedade. c) Se tem a imagem de uma Igreja socialmente comprometida, uma Igreja que conseguiu romper o namoro com o Estado para abrir um espaço de anúncio do Evangelho ao povo, então a acção social consiste na exigência da justiça para cada homem e na prática de solidariedade efectiva com todos e cada um dos que sofrem. A acção social é inserção, testemunho, sol na caminhada. d) Mas ainda há os que têm a imagem de uma Igreja popular, em que a Igreja nasce do povo. Então corre-se o risco de transformar a acção social em acção exclusivamente política.»
É lógico que a imagem ideal para uma acção social e caritativa de forte expressão cristã é a que está próxima da Igreja socialmente comprometida.
São, depois, citados valores, contra-valores e preocupações centrais da acção social católica. Nos valores: dar atenção privilegiada ao testemunho cristão que passa pela solidariedade com os mais pobres entre os pobres. Garantir as exigências da Justiça, testemunhando em todas as atitudes pessoais ou de grupo, denunciando a injustiça, educando para a justiça e colaborando com todos os que lutam pela justiça. Nos contra-valores: dar prioridade absoluta aos valores humano-cristãos: respeito radical pela pessoa humana, solidariedade, criatividade ao serviço de novas respostas, privaticidade, comunhão de vida com o povo. Nas preocupações: o amor, o serviço, a liberdade e o profetismo.
Assim falavam há 18 anos os principais responsáveis pela acção social da igreja, num país que se presumia livre e democrático. Adivinhassem os bispos as realidades futuras (agora presentes) e não teriam ido tão longe nas suas divagações. Mas o que foi dito, está dito. Agora, a mentira é mais trabalhada. Apurou-se a técnica do olhar inocente. Ainda que os espaços da ilusão sejam cada vez mais curtos. A verdade flutua, como o azeite na água.