Estudantes do ensino superior prosseguem contestação

Protestar até derrotar as propinas

Manifestações e leilões simbólicos são algumas das acções de protesto dos estudantes do ensino universitário e politécnico contra as medidas do Governo para o sector.

Os alunos do Instituto Politécnico de Setúbal fizeram greve às aulas

A Lei de Financiamento do Ensino Superior, o sistema de prescrições, os cortes na acção social escolar e a redução do peso dos estudantes nos órgãos de gestão das universidades são medidas do Governo recusadas pelos alunos. Estava prevista para a tarde de ontem uma manifestação nacional, em Lisboa, mas os protestos tiveram lugar durante toda a semana em vários pontos do País.
Anteontem, os alunos da Universidade de Vila Real fizeram uma greve de zelo para provar que o dinheiro das propinas não está a ser investido na aquisição de equipamento escolar, apresentando-se todos nas salas de aulas e mostrando a falta de mesas e cadeiras para todos. No pólo de Chaves, os estudantes juntaram-se na cantina, à hora de almoço, tornando-se evidente a falta de capacidade das instalações e dos serviços para servir refeições a todos os alunos.
As associações de estudantes das quatro escolas do Instituto Politécnico de Setúbal encerraram a instituição, na segunda-feira, o dia previsto para o início do pagamento das propinas, no valor de 700 euros.
Os alunos argumentam que o aumento das propinas não vai melhorar a qualidade do ensino e apenas se destina a suportar os encargos da instituição com salários e manutenção.
«O Instituto Politécnico de Setúbal sofreu um corte nominal de 4,3 por cento no orçamento, para além de ter registado um aumento de 2,5 por cento no número de alunos em relação ao ano passado», adiantou Pedro Colaço, membro da Associação de Estudantes da Escola Superior de Tecnologia.
No mesmo dia, a Faculdade de Letras da Universidade do Porto foi «vendida» num leilão simbólico organizado pelo Núcleo Anti-Propinas. Numa peça de teatro, os estudantes representaram uma sessão de tribunal onde o juiz declarou a falência da instituição, devido à diminuição das verbas do Orçamento de Estado para o ensino superior e à falta de dinheiro dos alunos para pagarem propinas. No fim, o «comprador» agradeceu a este e aos anteriores governos a oportunidade que lhe deram para poder adquirir a FLUP por apenas 852 euros, o valor máximo da propina.
Na quarta-feira da semana passada, alguns milhares de estudantes do ensino politécnico manifestaram-se na Guarda, num percurso entre o Instituto Politécnico da Guarda e o Parque Municipal. O desfile era encabeçado por um carro funerário improvisado, simbolizando o enterro do ensino superior politécnico.

Desresponsabilização, diz o reitor

«Não creio que a boa via seja a excessiva desresponsabilização do Estado relativamente às universidades públicas», afirmou Manuel Ferreira Patrício, reitor da Universidade de Évora, no sábado, na sessão solene do Dia da Universidade e de abertura oficial do ano lectivo.
O Estado «deve garantir o financiamento suficiente para a realização de um ensino de qualidade», declarou Ferreira Patrício, antigo director-geral do Ensino Superior do último Governo de Cavaco Silva, que defendeu que, se o Estado necessita de uma contribuição das famílias, «diga-o e explique-o sem tergiversar, fixe-o por lei e não atire para dentro das instituições a tocha incendiária que vai agravar todos os problemas com que elas já se debatem, à míngua de coragem política para enfrentar o touro de caras».
A Associação de Estudantes da Universidade de Évora decidiu não participar na sessão em protesto contra as políticas educativas do Governo e optou por distribuir um folheto à entrada da sala dos actos, explicando as suas motivações, nomeadamente a suspensão da Lei de Financiamento do Ensino Superior e a «degradação das condições de estudo na universidade».
O presidente da AE, Francisco Costa, afirmou à Lusa que o aumento das propinas constitui «uma gota num copo de água» e «fez despoletar o descontentamento dos estudantes».


Mais artigos de: Juventude

O Governo é responsável pelo desemprego

A Organização Regional da Juventude Trabalhadora de Braga da JCP acusa o Governo de fazer «uma gestão incompetente», com a agravante de «comprometer gravemente o futuro do País» por não investir na educação.Esta acusação foi feita numa conferência de imprensa, no dia 29, em que os jovens comunistas defenderam que o...

PCP propõe dedução da habitação no IRS

O grupo parlamentar do PCP vai apresentar uma proposta na Assembleia da República para que as despesas de habitação dos estudantes deslocados possam ser deduzidos no IRS, anunciou na sexta-feira o deputado Lino de Carvalho, na Horta, durante as Jornadas Parlamentares do PCP.Esta proposta será colocada durante a discussão...

Estudantes de Ciências contra ENJ

A Associação de Estudantes da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa não reconhece ao 9.º Encontro Nacional de Juventude (ENJ) «qualquer tipo de legitimidade democrática ou representativa para que emita qualquer parecer ou documento em nome da juventude portuguesa» por considerar que «as movimentações estudantis...