Liberalização ou concentração monopolista?

Manuel Gouveia
Umas das consequências – escondida pela direita, programada pelo capital, denunciada pelo PCP - das liberalizações decididas a nível europeu é a concentração dos sectores estratégicos do conjunto dos países da UE nas mãos do grande capital europeu.
Um bom exemplo disso é o sector de transportes e logística. A tralha ideológica neoliberal foi utilizada em todos os países da mesma forma: as maravilhas da concorrência; a competição a produzir competividade, a reduzir custos para os utentes e melhorar os serviços, etc.
Mas à medida que os mercados se «liberalizavam», as companhias iam sendo privatizadas, compradas e recompradas, terminando por ser absorvidas pelas grandes empresas multinacionais.
Não por acaso, os dois maiores operadores mundiais na área da logística e transportes passaram a ser alemães (Deustche Post DHL e a DB), que juntos representam já o grosso do sector na Europa.
Aparentemente contrariando o argumentário neoliberal, mas de facto demonstrando o carácter imperialista do processo, estas duas empresas são no essencial ainda controladas por capital do próprio Estado Alemão, aqui utilizado ao serviço da conjunto da classe capitalista alemã - ou não fosse o sector de transportes e logística um sector chave para uma burguesia como a alemã e para os projectos de domínio que tem sobre toda a economia europeia.
Dois factos recentes, em empresas a operar em Portugal, vêm confirmar este caminho: a DB acaba de tomar o controlo dos TST e de entrar no capital do grupo Barraqueiro e do Metro do Porto, ao mesmo tempo que se intensificam as notícias do seu interesse na CP Carga. E não tenhamos dúvidas: é esse o destino final do grosso das empresas estratégicas a privatizar (e as restantes serão pura e simplesmente destruídas).
Este caminho tem sido responsável pela perda de soberania nacional, pela liquidação do aparelho produtivo e pela subordinação do desenvolvimento económico nacional aos interesses das grandes multinacionais europeias.
Então, e perante os factos objectivos que ilustram a concentração monopolista, como qualificar os que insistem nas teses da «liberalização» e da «concorrência»? Simplesmente, como traidores.
Traidores que só a luta dos trabalhadores poderá impedir de consumarem a sua abjecta missão!


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É indisfarçável o desconforto que as comemorações da Revolução de Abril causam ao Presidente da República. Não é caso único: basta ver o chorrilho de disparates e provocações que os representantes dos partidos da política de direita disseram no Parlamento este ano. Nada que nos surpreenda: os ideais, o projecto e as conquistas de Abril são o oposto dos seus interesses e é por isso natural que os pretendam esconder e diminuir.
Neste seu quinto discurso na sessão solene do 25 de Abril, Cavaco Silva voltou a dar largas às suas «preocupações» com a juventude. Em 2006 questionava-se sobre o sentido a dar à «efeméride», segundo ele gasta e nada motivadora. Em 2007 referia-se às comemorações como «um ritual que já diz pouco» à juventude. Em 2008 indignava-se com a «ignorância» dos jovens sobre a história de Portugal. Em 2010, referindo-se aos três milhões de portugueses nascidos depois de 1974 que «vêem a democracia como um dado adquirido», alerta: «a injustiça social cria sentimentos de revolta, sobretudo quando lhe está associada a ideia de que não há justiça igual para todos».
Cavaco Silva sabe que a política de direita praticada pelo PS, PSD e CDS, com o alto patrocínio do grande capital, piorou muito a situação da juventude. Sabe que a taxa de abandono escolar era de mais de 36% em 2007, que as propinas aumentaram 425% entre 1997 e 2009, que 60% dos jovens trabalhadores têm um contrato de trabalho precário, que cerca de 20% dos desempregados têm menos de 25 anos.
Mas também sabe que milhares de estudantes do ensino secundário e do superior se manifestaram neste ano lectivo, que são cada vez mais os jovens trabalhadores a participar nas acções de luta, que entre 2004 e 2008 foram cerca de 45 mil os jovens que se sindicalizaram em sindicatos da CGTP-IN. E sabe que muitos milhares de jovens participaram nas comemorações populares do 25 de Abril em todo o país, desmentindo com a sua presença e a sua alegria todas as teses sobre «rituais gastos e passadistas».
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